O poema só nasce onde quer
Como um pé de fiolho,
é pura emoção selvagem ...

sábado, 12 de março de 2011

Abandono

Na alvura do sonho
O comboio em linha de água
Serpenteava
Tremendo de emoção
Em carris deslizava

Não se esquece aquele apitar
A vida cheia, a pulsar
Encontros, partidas, chegadas
Despedidas emocionadas
Fortes pontes de união

Os carris ainda lá estão

Cabelos de carvão
Chispavam ardentes
Escritores alvoreciam
Entre margens de inspiração
Em linhas de ferro escreviam

Mas o centralismo, a velocidade
A locomotiva desactualizou
E a desorientação instalou
Desertos de humanidade
Acentuam a interioridade

O turismo e a cultura
Não viajam por aqui
São carris abandonados
Nervuras de saudade
Sonhos perdidos
Em escarpas esculpidos

Teresa Almeida 24.01.2011

2 comentários:

  1. Este também me agrada muito! Estás uma verdadeira poetisa! :)

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  2. Filhota, já não és daquele tempo!
    Cresceste a amar as nossas musicas, os nossos temas de conversa, oos nossos livros...
    Como gosto da tua sensibilidade! Beijinho

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