O poema só nasce onde quer
Como um pé de fiolho,
é pura emoção selvagem ...

quarta-feira, 16 de março de 2011

Galafura

Fui olhar
o poema geológico de Miguel Torga
do alto de Galafura
"Uma beleza de excessos"
que lhe aguçou o engenho
Portugal em filigrana
D´ouro desenhado
Em abraços doridos
embriagado
Socalcos de vinhedos ondulados
O rio sereno em oração
O coração palpitante
em paisagem deslumbrante
Em lagos parece serpentear
e relaxar
do alto de Galafura
É quase em segredo
que ali corre para o mar
Perturbação e espanto poético
Fumarolas de bagaço a destilar
Olhamos como oramos
O silêncio contemplativo
de quem quer sentir
da natureza o respirar
um trinado suave
que por ali passasse

Depois de Miguel Torga
todos deveriam calar-se
mas o fascínio é tão intenso
que me apetece falar
para de espanto e beleza
continuar a desfrutar

Teresa Almeida 27.02. 11

2 comentários:

  1. Conheço mas esta descrição em poema, aguça o apetite para lá voltar (ao Douro, contentamento das gentes transmontanas e durienses...).
    Bjos :)

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  2. Quanto mais Douro conheço mais me encanto! Vale sempre a pena Odete! Obrigada linda poetisa!

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