O poema só nasce onde quer
Como um pé de fiolho,
é pura emoção selvagem ...

terça-feira, 26 de abril de 2011

Sonhos de Abril

Perguntas-me onde estava eu nesse dia :)
Perto do Quartel General, no centro do Porto
À época eu morava por ali
Dirigi-me à escola, no caminho do aeroporto
Ao longo da estrada
Metralhadoras apontavam na minha direcção
Soldados entre as plantas, rentes ao chão

E eu de política não percebia nada
Havia um mal-estar generalizado
As palavras eram punhais
Sabia que devia estar calada
Uns malfeitores
Assaltaram o barco Santa Maria
Abortou a revolta das Caldas
Eram escassos os indicadores
Ah, era pelas canções que a informação me chegava
Mesmo às escuras a revolta germinava

Salgueiro Maia, em frente a um blindado…
Emociono-me
Enfrentou o fogo, perfilado
Chama-se coragem e liberdade
Transformou cada português num cravo vermelho
Os tais cravos com que Zeca Afonso
Andava a semear os caminhos
Os cravos ainda não murcharam no peito
Vão sendo regados pelos sonhos de Abril

Teresa Almeida 25.04.11

2 comentários:

  1. Muito bem, Teresa! Gostei da narrativa em poesia!
    Abril, ontem, hoje e num amanhã, diferente!!!!
    Bjuzz :)

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  2. Quem foi que me provocou?
    Gostei muito de viver este dia histórico amiga!
    Tenhamos esperança num amanhã próspero e tranquilo!
    Bjuzz:)

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