O poema só nasce onde quer
Como um pé de fiolho,
é pura emoção selvagem ...

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Agarra-te


Havia  um tumulto intenso
em olhares perdidos no mar imenso
as ondas revolviam tempestades
nascidas em mar profundo
e eu que tinha perdido o chão
desesperava

reluziam rugas desenhadas à pressa
apertavam-se mãos em fúria desusada
num barco que à deriva
balançava

Agarra-te  ouvia dizer
escrevem para te baralhar
as ideias navegam em confusão
segura o leme

Uma ponta de fio de razão
essa  corda de esperança
bordada a pontos luz
na linha do meu horizonte
procurava

 Teresa Almeida 26-09-2011

6 comentários:

  1. Descrição bem sentida por quem a lê. A aflição retratada numa subjacente nascente de esperança.
    Parabéns!
    Bjuzz, Teresa

    ResponderEliminar
  2. Num mundo em convulsão, esperamos que na linha do horizonte nasça alguma luz de esperança. Agarro-me...
    E agarro-me também à energia que encontro nas tuas palavras.

    Um grande abraço

    ResponderEliminar
  3. E fica-se agarrado ao teu, cada vez mais interessante, estilo de escrever.
    No mar, em dia de borrasca, o olhar dirige-se sempre à linha do horizonte, sempre...
    Beijinhos

    ResponderEliminar
  4. Bem, confio na tua alma de marinheiro. :)
    Um apoio importante para mim.
    Obrigada Ricardo.
    Beijinhos

    ResponderEliminar
  5. Volta e meia, retorno ler o "teu livro", Teresa. Mas, que belos paralelos traças aqui neste poema, querida amiga, estavas inspiradíssima e nos destes uma pequena obra-rpima, posso afirmá-lo. Um desses poemas que eu gostaria de ter escrito, crê-me.

    Uma tela a óleo de pintor marinho e romântico, cada verso é como se uma pincelada nervosa, as cores são dramáticas, vigorosas e traduzem a força das imagens. O poema todo é descritivo e belo, em cada nuança,em cada construção. E a estrofe final é de uma profundidade que comove, magnífica!

    Um pequena obra-prima, minha boa amiga, texto de antologia e que se tornou um de meus poemas teus favoritos.

    Meu carinho, meu abraço, bem haja.

    André

    ResponderEliminar
  6. Estou a habituar-me a ler-me em ti e como isso me agrada! Os teus comentários acrescentam valor aos meus escritos. Ter um leitor como tu é o sonho de quem escreve.
    Abraço-te emocionada.
    Teresa

    ResponderEliminar