O poema só nasce onde quer
Como um pé de fiolho,
é pura emoção selvagem ...

sábado, 24 de dezembro de 2011

Palavras rendilhadas em mantas de retalhos


Sabia-te poderosa
de encantar como as sereias.
Sequiosa também de teias
tecidas, dolentemente, nas ameias
de um castelo qualquer
onde não avisto sequer uma rosa!

Sabia-te semeadora
de jardins de flores raras
medrando só em interiores
abertos a esplendores
que se intensificam
quando pronunciadas.

Sabia-te mediadora
de conflitos aguerridos
crescendo em raivas incontidas
ressaltando o rubro do rosto
transfigurando um doce corpo.

Amava-te
de um amor apenas meu.
Sabia-te admirada
e idolatrada por poetas…
Em poesia rendilhada
subia ao azul do céu…

Sabia.
Conhecia.
Vivia
momentos encantatórios.

Sei.
Conheço.
Vivo
momentos difamatórios
descascando lembranças
nossas,
guardadas no sótão de cada uma,
amigas!

Num repente estamos eufóricas
e as palavras rendilhadas
preenchem a manta de retalhos
que arrastamos nos marasmos
da insensaboria dos dias.

Ontem, amigas, em palavras,
refizemos vidas…

OF 17-12-11 (Poema alusivo ao serão pós lançamento do Ousadia, entre amigas...)
http://www.worldartfriends.com/pt/club/poesia/palavras-rendilhadas-em-mantas-de-retalhos 

4 comentários:

  1. O poder encantatório das tuas palavras.
    A cumplicidade feliz de amigas em viagens poéticas.
    Foram momentos partilhados e inesquecíveis à volta do lançamento de OUSADIA.
    Bem hajas Odete Ferreira por este belo e bem conseguido registo.
    Bjuzz

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  2. Segui o caminho (no meu blogue ficam assinaladas as últimas postagens) e cá vim parar ao teu cantinho!
    Nada a acrescentar a não ser que me deu mais trabalho a procurar uma imagem que transmitisse a essência do meu poema, do que a escrevê-lo!!!
    Bjuzz, menina do planalto ( altaneiro e sobranceiro a viajantes incautos!) :)

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  3. Na cumplicidade dos versos, no relembrar das vidas, no percurso de caminhos que nos levam ao mesmo caminho, a poesia, nos reencontramos.
    Gostei de me mostrar e de te rever em palavras maduras, Odete.
    Gostei de me encontrar com a tua poesia, sentida como se minha fosse, Teresica.


    Beisos,

    Delaidica

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  4. Hei delaidica!
    A verdade é que também passou por mim esse sentimento de cumplicidade nos versos.
    Cativaste porque sentiste os meus como se teus fossem. Levaste uma boa revoada de palmas.
    Obrigada amiga.

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