O poema só nasce onde quer
Como um pé de fiolho,
é pura emoção selvagem ...

quinta-feira, 24 de março de 2011

Sedução


Se me ensinasses
A nascente das palavras
Retirava os pedregulhos
Que atrapalham as ideias
Confundem a melodia
O sentimento, o ritmo
E a alma da poesia

Se me ensinasses
A nascente das palavras
Deixava-as deslizar
Transparentes, cristalinas
E até saberia falar
Da imensa ternura
Que esbanja o teu olhar

O meu poema nasceria
Ao raiar da alvorada
Para apanhar toda a energia
Dum radioso amanhecer
E até coragem teria
Para o levar ao sarau
De gritos verticais

E, assim, entre os demais,
Mesmo descalça e mal vestida
Acredito que te seduziria

Teresa Almeida 23.03.11

terça-feira, 22 de março de 2011

O teu poema

Candedo- Freixo E. à Cinta

Andei à procura de palavras
Para estar à tua altura
Queria dar-lhes calor, melodia
A intensa alegria
Que nas tuas encontrei
A subtileza do poema
Que de cor eu sei
E me percorre ainda

Vou levar a vida inteira
Para encontrar a maneira
De te proporcionar
A mesma alegria
E juntar em cada dia
Uma palavra de mim nascida
Um toque de poesia por ti querida
Por ti provocada

O que tenho para te oferecer
Parece que não é nada
Como um vinho que em espírito se apura
Em cepa de ternura
Assim, à minha maneira
Este poema
Vale a vida inteira

Teresa Almeida 20.03. 2011


quarta-feira, 16 de março de 2011

O teu corpo é uma estrela, dizes tu

Adivinho-te
Mar calmo que se espreguiça
Em dolente ansiedade
No cansaço de tanto esperar
Vais escrevendo poemas na areia
Em noites de lua cheia

Quase desmaias
Quando me vês chegar
Gosto daquele marulhar
Do teu meigo cantar
No silêncio erótico
Do teu amanhecer
No meu corpo de mulher

Cedo te levantas eriçado
Em ondas quentes me enrolas
Gosto dos teus beijos molhados
Que afloram e exploram
Meu corpo exaltado

Gosto de no amor ressurgir
E contigo fluir
Ganharmos asas de infinito
Em uníssono grito

O teu corpo é uma estrela, dizes tu
Gosto de te sentir espraiar
Escrevendo poemas empolgados
Em meu corpo nu

Teresa Almeida 09.03.11

Galafura

Fui olhar
o poema geológico de Miguel Torga
do alto de Galafura
"Uma beleza de excessos"
que lhe aguçou o engenho
Portugal em filigrana
D´ouro desenhado
Em abraços doridos
embriagado
Socalcos de vinhedos ondulados
O rio sereno em oração
O coração palpitante
em paisagem deslumbrante
Em lagos parece serpentear
e relaxar
do alto de Galafura
É quase em segredo
que ali corre para o mar
Perturbação e espanto poético
Fumarolas de bagaço a destilar
Olhamos como oramos
O silêncio contemplativo
de quem quer sentir
da natureza o respirar
um trinado suave
que por ali passasse

Depois de Miguel Torga
todos deveriam calar-se
mas o fascínio é tão intenso
que me apetece falar
para de espanto e beleza
continuar a desfrutar

Teresa Almeida 27.02. 11

segunda-feira, 14 de março de 2011

Desfiladeiros de amor

La Yecla - Sto Domingo de Silos
Sem aviso
Entrei e fiquei na Igreja
Os monges entoavam a oração da tarde
Silos coberta de neve
Voltei
A mesma elevação, elegância e suavidade
Desejei
Comungar aquela paz paradisíaca

"Buenos dias tesoros"
Belo cumprimento de aniversário!

Em La Yecla
O dia amanheceu radioso
Serpenteei entre montanhas
Que se querem tocar
O canto gregoriano teimava em me acompanhar
Neve ou sol
Este desfiladeiro é arrepiante de beleza

Pela tarde festiva em Aranda de Duero
Cantei e dancei bailes repasseados
Ao som de outra música
Vinda do fundo dos tempos
Gaita de foles, realejo, tambores, flautas e castanholas
Os paus marcavam o ritmo
De antigas danças guerreiras
O mirandês ali vivido
Pleno de vivacidade e alegria

Música sacra, música popular
Desfiladeiros de amor
Voltámos os dois

Cheguei a tempo de abraçar os meus tesouros
Extraordinário! A minha mãe estava a pé!


domingo, 13 de março de 2011

Ponto de água

Escondida no cerrado
Há uma represa feita lago
Um ponto de água
Que por magia
Descobri quando corria
Um espelho de ilusão
Pequeno e atrevido
O mundo virou do avesso
Ninguém passa sem se mirar
E na imensidão mergulhar

Espectaculares aqueles tons
Em profundidades mergulhados
Que se penetram e interpenetram
Em mistérios evoluem
Entre céu e terra serpenteiam
Sonhos e desejos de infinito
Desencadeiam
Um pequeno broche antigo
Entre pregas de decote
Escondido

Teresa Almeida 13.03.11

O PARAÍSO EXÍSTE E ESTÁ AQUI, COMPROVEM!

Será que te lembras?

Passaste e olhaste
Chamaram-me os teus olhos
Chispas lançaram
E os meus procurarm
E bailaram
Maravilhosa, verbalizaste
Assim me sentia eu
O sorriso então aconteceu
Correspondendo ao teu
Seguiste e já não viste
O efeito que a tua poesia
Numa palavra
Provocou
Instante mágico
Foi um beijo diferente
Na tarde quente
Um estado de alma
Que os olhos refletiam
E na Fonte Trevi
Sonhos bebiam
Será que te lembras?

Teresa Almeida 11.02.2011

Mulher


  • Ser mulher é ter dentro de si
  • O centro do universo
  • Dar vida e luz
  • Às estrelas que gravitam ao seu redor
  • Não é um reino de pretensões
  • Mas de desvelo e emoções
  • Desmedida, em cada dia
  • Afectos amplia
  • Para gostar de ser mulher
  • Há tantas razões...

Teresa Almeida 08.03.11



sábado, 12 de março de 2011

Abandono

Na alvura do sonho
O comboio em linha de água
Serpenteava
Tremendo de emoção
Em carris deslizava

Não se esquece aquele apitar
A vida cheia, a pulsar
Encontros, partidas, chegadas
Despedidas emocionadas
Fortes pontes de união

Os carris ainda lá estão

Cabelos de carvão
Chispavam ardentes
Escritores alvoreciam
Entre margens de inspiração
Em linhas de ferro escreviam

Mas o centralismo, a velocidade
A locomotiva desactualizou
E a desorientação instalou
Desertos de humanidade
Acentuam a interioridade

O turismo e a cultura
Não viajam por aqui
São carris abandonados
Nervuras de saudade
Sonhos perdidos
Em escarpas esculpidos

Teresa Almeida 24.01.2011

sexta-feira, 11 de março de 2011

Pasta de rosas

Primeiro o olhar
Saudoso, guloso
O amor
Para agarrar
Sofregamente
Demoradamente
E guardar
Em pasta de rosas
Clandestinamente
Grávida de poemas
Grávida de sonhos
Em viagens loucas
Atravessa o Outono
E o olhar cruzado
Demorado
O amor em jardim
Jardim de pétalas
Perfumadas
Espalhadas
Corpos amados, cansados
Pétalas de saudade
Atravessam a vida
Vão perfumar a eternidade!

TA Set/2009

Pinto para ti


Eu pinto para ti
Pedras rasgadas pelo tempo
Dos afectos e emoções
Pedras que cantam
Sonhos de crianças
Que nelas
Desenham o futuro
Eu pinto para ti
Noites mágicas de luar
Onde se deitam
Anseios e ilusões
Esvoaçaste
E eu voo contigo
Pintando para ti


Teresa Almeida
28.07.2010