O poema só nasce onde quer
Como um pé de fiolho,
é pura emoção selvagem ...

domingo, 27 de novembro de 2011

TANGO


Assim, de repente. Os sapatos de prego calcei
e como se ao teu poema eu me abandonasse
entrei no tango
E a beleza dos nossos passos em perfeito enlace
picavam certas as palavras como se eu o cantasse
Afasto-me e rodopio
como se o teu olhar o meu corpo abraçasse


E, como se arrependida eu estivesse
na tua mão segura, aos teus braços voltei
E como se em teus lábios me demorasse
fui deslizando na praça
e num verso sincopado quase me deitei
Como se em Buenos Aires, um fado de saudade,
no tango se dançasse
Teresa Almeida 27 - 11 - 2011

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

AS PALAVRAS PINTAM-SE NA TELA


É no caminhar que está a graça
É na procura que vive a paixão

A palavra e o tom cruzam-se
naquela melodia, que de tão bela
está sempre mais além
como canção que ainda não se inventou

As palavras pintam-se na tela
e um mundo onírico escapa-se através dela
como algo que dizendo-se não se diz

Em cada alvorada há um novo amanhecer
e o que eu era já não sou

Aquele novo tom que clareia
é um sentimento, que de tão puro e intenso
sonha múltiplas formas de expressão

Teresa Almeida 21-11-2011

domingo, 20 de novembro de 2011

Homenagem a Teresa Almeida




Minha Amiga, Companheira, Minha Mãe
Arranco à madrugada
palavras que chamei
e dela teimam em não desprender.
Ousada! Sem dúvida! E porque não?!
se o sentir nos enche a alma
e guia os passos.
Generosa! Corajosa!
Gritando do íntimo
Rasgos d´alma,
que assomam e assombram,
quando tantos se escondem!
A par dos que voam mais alto,
tocas longe...
trazes claridade no sorriso,
asas leves,  livres,
a pairar sobre nós.
Paz, conforto, alegria, Amor!
E agradecida, eu!
pela dádiva de partilhar
este momento teu
e por fazer parte da tua vida!
Carla


quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Cumbite



Amadeu Ferreira cuntina, cun arte i antusiasmo, dando bida a la nuossa 2ª lhéngua oufecial L MIRANDÉS. 

Por esta obra i pula atebidade que ben zambolbendo deixo eiqui registado l miu aprécio i un grande abraço de parabienes.

Porque l'outor quedarie ancantado cula buossa perséncia publico eiqui l cumbite.

La Sé de Miranda ye na berdade l sítio cierto para este salimiento.
Bien háiades.

Beisicos

sábado, 5 de novembro de 2011

SAUDADE




 


É de saudade que a alma geme
nas cordas de uma guitarra
É na noite imensa que a saudade nasce
... e carpindo memórias e desamores
se faz ao fado na palavra

Feita de capas negras ondulantes
rota de beijos e abraços escondidos
sendo vadia e louca por natureza
em bares e becos anda perdida
só no coração fica presa

É de saudade que a folha cai
e faz o outono corar de prazer
é com a brisa que canta se esvai
roça e mói de bem querer
e as cordas da guitarra faz gemer

Ser português é sentir a saudade
de sulcar mares de coragem e ousadia
é lutar contra a injustiça e a fatalidade
e não ter medo de voltar à mocidade
de um tempo em que o sonho não doía

Teresa Almeida 05-11-2011

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Pinceladas poéticas

Muda tudo
numa pincelada, num tom incendiado
numa palavra a descoberto
num olhar...

O reencontro acontece
naquela nova nuance
que pela frincha da porta se esgueirou
e no tristonho e abandonado castelo
de ausências enegrecido
penetrou

O reencontro acontece
e um pulsar brilhante de estrelas
faz tremer de intenso prazer
aquela tela
como um raio de sol
em manhã pardacenta
como arco-íris pintado na palavra
que em deleite se espalha
estonteada

e deambula
em versos prenhes de natureza
em arcos, muralhas e laços
e baila no terreiro
em luz, cor e harmonia
e pela noite dentro se aclara e se faz dia

Muda tudo
numa palavra, num tom incendiado
num olhar enamorado

Teresa Almeida 01-10-2011