O poema só nasce onde quer
Como um pé de fiolho,
é pura emoção selvagem ...

quinta-feira, 1 de março de 2012

ABRIGO DOS POETAS


Aberto à musicalidade das palavras
Velharias com sons de noite e brilho de estrelas
Partituras finas inspiradas em luares
Versos sussurrados na suavidade de sedas
No salão, o velho piano de teclas gastas 

Casarão abandonado ao sonho
Abrigo de poetas sem telhas nem fechaduras
Janelas escancaradas num vão de infinitos
Perfumes de maresia soltos na colina
Gaivotas estremecidas em abafados gritos

Saudades  pousam nas gelosias magoadas
E no  cheiro a madressilva preso às paredes
O tempo dança uma intemporal valsa
Numa repercussão de mar e céu
Esventrado num piano de cauda

Teresa Almeida


2 comentários:

  1. Ola Teresa,

    e aqui vim descobrir-te e também já mirei teu mirandun que me trouxe à memória uma bisavó que assim utilizava este dialecto no comércio que fazia por terras de Miranda no principio do século... e por aqui me encanto coma tua Poesia os teus sentidos nesta partilha intensa de sentires... entro no teu Abrigo Poético em Ousadia e cores... Parabéns pela Pintura.

    Beijos poéticos

    ana barbara santo antonio

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  2. É com enorme alegria que te encontro no meu blogue.
    Já conheço há muito a tua força criativa amiga.
    Sabes que o mirandés é uma língua que me traz apaixonada e, por vezes atrevo-me e faço uma incursão pela fala do meu planalto. Afinal já a tua bisavó gostava! :)

    Beisicos.

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