O poema só nasce onde quer
Como um pé de fiolho,
é pura emoção selvagem ...

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

No teu passo

No teu passo o som vibrante de violinos
a penetrar as fímbrias dum leito verde-água
como se foras funcho num rio aromatizado
a abrir caminho a um desejo renovado

No rio mergulham atracções violentas
mistérios espelhados em afagos transparentes
Pressente-se um secreto balanço de volúpias
e um baile íntimo entre os juncos inocentes

Há um silêncio penetrante na delicadeza
da luz coada, nas margens a beleza
e o desafiante calor da tua mão

Há uma nota melódica no teu passo
um som cruzado com o meu, no compasso
e na inquietude de violinos em noites de verão

Teresa Almeida

3 comentários:

  1. "Há uma nota melódica no teu passo
    um som cruzado com o meu,no compasso
    e na inquietude de violinos em noite de verão"

    Belíssimo!!

    A melodia do amor...

    Maravilhoso ler-te,amiga!

    Beijo.

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  2. Quando os passos estão no mesmo compasso, há mesmo "violinos em noites de verão"
    Excelente poema, gostei mesmo muito.
    Teresa, querida amiga, tem um bom domingo e uma boa semana.
    Beijo.

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  3. Há um compasso
    A meio tom
    Que mede o passo
    Ao teu som...
    O outro meio
    A meio passo
    Sobra receio
    Mas a embaraço,
    O som não chega...
    De violinos abraço
    Numa qualquer estação
    Mesmo que de verão
    O tom não seja...

    És realmente talentosíssima!

    Beijo

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