O poema só nasce onde quer
Como um pé de fiolho,
é pura emoção selvagem ...

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Lá fora chove

LÁ FORA CHOVE,
sinto-me intimamente lubrificada.
A falta que fazia este cheiro a terra molhada!
Respiramos um ar lavadinho
como se o país se estivesse a levantar.
A falta que nos faz!
Temos chuva e apetece festejar;
é de mãos molhadas que apanho
e saboreio os figos assomados
à janela do meu quarto:
belos, roliços, imaculados;
com o sol a zurzi-los são mais apaladados.  
A chuva, a desejada,
surpreende na queda macia
e remete-nos a uma inevitável prosa interior,
sem destino. Viajo até onde o calor aperta
e a chuva uma visita diária, benfazeja.
Com o mundo à distância de um clique
já não há deslumbramentos
um clique, apenas
retira à experiência o exotismo da surpresa;
algum, apenas.
É quando o tempo nos recolhe
que o pensamento mais divaga.
Há um amolecimento, algo difícil de definir 
entre a tristeza e o contentamento.
Lá fora chove.
A natureza, intimamente, está a sorrir.

Teresa Almeida

3 comentários:

  1. Na janela da minha alma;sinto o teu poema,o

    cheiro da natureza e a beleza da contemplação

    dos ciclos da vida...

    Muito bela a tua poesia,querida amiga!

    Beijo.

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  2. Há chuva que faz sorrir.
    E as tuas palavras fazem um belo poema, que gostei muito.
    Teresa, tem um bom fim de semana.
    Beijo.

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  3. Sorri a natureza e sorrimos nós ao saber o quanto bem lhe faz a água que a alimenta e embeleza para nosso deleite.

    Assim só podem sair belos poemas cheiinhos de sensações...

    Bjuzz, amiga :)

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