O poema só nasce onde quer
Como um pé de fiolho,
é pura emoção selvagem ...

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Fogueira de Natal

Mesmo em frente à velha Sé
ardem sonhos em rituais sagrados
do presépio fogem os figurantes
na noite escura encontram-se sorrisos
e dos olhos fogem chispas incandescentes

Em tardias e antigas homilias
jovens entoam canções irreverentes
picantes são as palavras que ecoam pela igreja
juventude que o Menino Jesus da Cartolinha guarda
num sorriso aberto e na face corada.

Este Menino guarda o fogo doutras guerras
e o povo acredita no desafio que se torna urgente
na voz dinamizadora e na ação acertada
acredita na chama que se mantém acesa
até ao último tição em que a palavra se ergue
e a fogueira de estrelas nos olhos se acende

Sem o encontro dos risos e dos olhares
sem a partilha da amor e da alegria
não exultaríamos no espírito de Natal
não se celebraria a liturgia das pessoas
nem a lareira cheirava a rabanadas
Teresa Almeida
  
Fogueira de Natal


Mesmo delantre a la belhica Sé
árden suonhos an rituales sagrados
de l persépio fúgen ls figurantes
na nuite scura ancóntran-se risas
i de ls uolhos fúgen chiçpas an brasa

An tardies i antigas práticas
moços cántan modas eirreberentes
picantes son las palabras que retónban pula eigreija
mocidade que l Nino Jasus de la Cartolica guarda
nua risa abierta i na face quelorada.

Este Nino guarda l fuogo doutras guerras
i l pobo acradita ne l zafio que se torna ourgente
na boç dinamizadora i na açon acertada
acradita na chama que se mantén acesa
até al redadeiro tiçon an que la palabra s'upe
i la fogueira de streilhas ne ls uolhos s'cende

Sin l ancuontro de las risas i de ls mirares
sin la partilha de l amor i de l'alegrie
nun mos cuntentariemos ne l sprito de Natal
nun se celebrarie la lhiturgie de las pessonas
nin la lhareira cheiraba a las rabanadas
nin chiçpában streilhas na fogueira

3 comentários:

  1. Reli e com outro sabor. É assim a poesia!

    Uma belíssima homenagem em verso cantado e que nos faz "ver" como se fizéssemos parte desta família espiritual.

    Bjuzz, amiga Teresa :)

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  2. Querida Teresa,

    O fogo do natal,a chama do amor da partilha que reúne

    corações,que se abraçam em vida...

    Feliz ano novo,com muita chama e poesia!!

    Beijo,amiga.

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  3. Na minha aldeia nunca houve fogueiras de Natal ou de Ano Novo.
    Mas havia missa do galo (acho que ainda há).
    Adorei o teu poema, é brilhante.
    Teresa, minha querida amiga, tem um bom fim de semana.
    Beijo.

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