O poema só nasce onde quer
Como um pé de fiolho,
é pura emoção selvagem ...

sexta-feira, 30 de março de 2012

ALVÍSSARAS


O entusiasmo da urze
faz vibrar o planalto.
Num desejo incontido,
é a primeira a conquistar a Primavera.
Não se acomodam os piornos,
as giestas, as carquejas e tantas outras.
Rebenta um orquestra de cores,
uma voz indomada,
alvíssaras de um tempo novo,
é a pela enrubescida de Trás - os – Montes.

Trouxe um ramo pendurado no olhar.....

ALBÍSSARAS


 La gana de l'urze
faç bibrar l praino.
Nun deseio ancuntido,
ye la purmeira a cunquistar la Primabera.
Nun s´aquemódan ls piornos,
las scobas, las carqueijas, ls tomielhos i tantas outras.
Rebenta ua orquestra de quelores,
ua boç que nun s´adomina,
albíssaras dun tiempo nuobo,
ye la piele anrubrecida de Trás - ls – Montes.

Truxo un galho colgado na mirada.


Teresa Almeida

quinta-feira, 8 de março de 2012

MIRANDA DO DOURO

MULHER

Natureza mãe, divina
Terra de amor desnudada
Aberta ao sol, chuva e vento
Nela se abre o mar imenso
De afectos profundos
 Semeada

Paradigma de luz universal
Vida noutras vidas a pulsar
Entre espinhos brota o querer
E perfumes de mundo novo
Rosa brava a desabrochar
Num coração de mulher

Teresa Almeida

quinta-feira, 1 de março de 2012

À VOLTA DAS PALAVRAS



Foi um enorme prazer e uma subida honra participar na apresentação de "Na tua Boca" e "Meio-Rico e outros contos", de dois escritores que admiro e prezo.
Joaquim Monteiro, tem uma forma particularmente aberta de escrever, onde pulsa o prazer intenso de se dar, de partilhar o amor, de tocar o leitor pela metáfora em que é exímio e pelo espicaçar dos sentidos. Os seus poemas são uma verdadeira provocação.
JOÃO MORGADO é já um amigo de Miranda desde que apresentou no Salão Nobre da Câmara Municipal o seu primeiro romance DIÁRIO DOS INFIEIS, com edição esgotada.
Meio-Rico e outros contos é uma obra que tem o sabor apetecível da aldeia, das suas gentes e da sua filosofia de vida. Com a sua prosa poética desmonta crendices e faz-nos reflectir sobre a vida, a desdita, o poder e os seus desmandos.
Recebeu, recentemente, o prémio literário Virgílio Ferreira 2012, atribuído pela Câmara Municipal de Gouveia, pelo  novo romance (a publicar) Diário dos Imperfeitos.

EMOÇÃO

O poema só nasce onde quer.
Rebenta
como um pé de fiolho.
Pura  emoção selvagem
Surge da secura
Suspenso na aragem.
Seduz na finura de sentimentos
Apruma na textura de versos
Mostra unidade, sentido e vida.


ABRIGO DOS POETAS


Aberto à musicalidade das palavras
Velharias com sons de noite e brilho de estrelas
Partituras finas inspiradas em luares
Versos sussurrados na suavidade de sedas
No salão, o velho piano de teclas gastas 

Casarão abandonado ao sonho
Abrigo de poetas sem telhas nem fechaduras
Janelas escancaradas num vão de infinitos
Perfumes de maresia soltos na colina
Gaivotas estremecidas em abafados gritos

Saudades  pousam nas gelosias magoadas
E no  cheiro a madressilva preso às paredes
O tempo dança uma intemporal valsa
Numa repercussão de mar e céu
Esventrado num piano de cauda

Teresa Almeida