O poema só nasce onde quer
Como um pé de fiolho,
é pura emoção selvagem ...

terça-feira, 29 de maio de 2012

AZUL INFINITO

Guardo no olhar o azul infinito da clareira
E o verde pinho das agulhas dos pinheiros
De areia era o chão que até ao mar se estendia
E salgado era o sabor que a tua boca me trazia

São de maresia os perfumes que me embriagam
E húmidas as brisas que me eriçam a pele
Os teus braços aquietam ondas bravias
E os búzios escondem rumores de poesia

Teresa Almeida

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Beilarinas


Al ritmo de las gaitas de fuolhes, tambores i repasseados
ampeça la caminada: béilan cumo dengues.
Nun sei se ye pul ancanto de las arribas
que l'alegrie se zata i la lhéngua mirandesa
ten, por ende, tanta lhibardade i sonido.

L tiempo bieno d´aperpósito, abriu un scampado,
por bias de las deboçones a S. Juan de las Arribas.
Ua talanqueira an Bal D´Aila serbiu pa l matabicho.
Apuis, cumo an piedras resbalinas,
parecie que rebolábamos a caras al Douro
tranquilo i apertadico, bien ne l fondo de ls canhones.

Até  las fragas quédan dóndias cun las quelores de maio.
Lhembran-se-me  las guapas mantas de lhana d´oubeilha 
que, cun arte,  las tecedeiras amánhan ne ls sous telares.
Puls caminos lhúzen las scobas, tamien, beilarinas;
de maio, las reinas. Parécen cumbencidas
de que spántan ls males i l´anfierno de la bida.
BAILARINAS
Ao ritmo de gaitas de foles, tambores e repasseados
começa a caminhada: bailam com dengues.
Não sei se é pelo encanto das arribas
que se solta a alegria e a língua mirandesa
se torna, ali, tão livre e musical!

O tempo veio a preceito,
era festa de S. João das Arribas.
Uma talanqueira em Vale de Águia serviu  para o mata-bicho.
Depois, como em pedras escorregadias,
parecia que rebolávamos em direcção ao Douro
tranquilo e apertado, bem no fundo dos picões.
Até as fragas ficam macias com as cores de maio.
Lembram as belas mantas de lã de ovelha
que, com arte, as tecedeiras fazem nos seus teares. 

Pelos caminhos brilham as giestas, também, bailarinas;
de maio, as rainhas. Parecem convencidas
de que espantam os males e o inferno da vida.
Teresa Almeida