O poema só nasce onde quer
Como um pé de fiolho,
é pura emoção selvagem ...

sábado, 21 de julho de 2012

Encontro de natureza


É na fina areia que a poesia se rebola
sem amarras.

Há um forte encontro de natureza
quando os pés a tocam ao de leve
e trazem as nuvens de volta.
Porque não hão – de ser meus os versos
que deixam o corpo boémio – à solta?

É a areia que erotiza as palavras
que sobem e nos envolvem como trovoadas.
Porque não hão - de ser meus os pés
que se esfolam de amor na areia húmida?
Porque não há - de ser minha a pele
com mãos de areia e lábios de espuma?
Teresa Almeida

segunda-feira, 16 de julho de 2012

ALL TOGETHER NOW
(Teresa Almeida)

O maestro tem a batuta na mão e sabedoria de orquestra.
Não, não penses que estão no salão
... em qualquer lugar entram a tempo - gente sem idade.
Quero participar neste festival - todos são chamados
é a aldeia global.
Quero entrar na hora e acertar o tom.
O maestro tem garra e sabe agarrar-nos a alma
cada um dá o melhor de si, a sua própria voz
até um cana rachada sente o apelo e responde à chamada.
O maestro não sabe de onde vem, não pertence a lugar nenhum
apanha o melhor de cada um
numa pauta de veredas abandonadas.
A melodia nasce nos caminhos.
Na diversidade está a beleza e a energia do trecho musical
a criação
no arrebatamento está a afinação.
Eu já tenho a bengala
não importa de quem é a ideia – a causa é comum: vamos!

quinta-feira, 12 de julho de 2012

http://soundcloud.com/vinicius-pinto/tango-1


Poema, da minha autoria, publicado na Antologia de Poetas da Confraria - 2011 ( Sapere Editora - Rio de Janeiro).

O músico Vinicius Pinto surpreendeu-me com esta belísima composição. Adorei.

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Serei a tua canção


Se dedilhares as minhas palavras

se for guitarra no teu pensamento

serei beijo oceânico

tango desenhado no vento.

Se em ti nascer a minha voz

de anseios angustiada

serei a tua musa, sim

num olimpo poético sem fim.

Se dedilhares as minhas palavras

serei corda ajustada

docemente trinada

melodia no coração.

Serei a gaivota que o mar seduz

serei eu a tua canção.



Teresa Almeida

terça-feira, 10 de julho de 2012

há uma mágoa que guardo



nunca saberás

leva um selo sobre a minha assinatura

já quis atirá-la ao mar bravio – que leva mágoas em fúria

aquelas fininhas que descobrimos um dia sem saber como

antigas – não têm cura




lembro-me do tempo de juventude inflamada

lembro-me da tua mão amiga, da tua estima

afinal era um pequeno véu de espuma

que a lembrança cobria

e junto ao mar, indelével, se descobria




leva um selo branco a nossa amizade – nunca saberás

não há vida que nos leve para lá do carinho, da gratidão

não agarrei o tempo para te agradecer, não te soube dizer




é por isso que aqui estou neste invernoso verão

junto ao mar, a lembrar – me de ti

era esta a água fria, eram estas as ondas descontroladas

era este o mar que se divertia a banhar a juventude e a alegria


 


parece que me esqueci de ti – mas não

Teresa Almeida

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Tinha que te dizer,

mesmo sem deslizar em  palavras mansas e calmas
como o ribeirinho perto de casa. Aquele que docemente
namora as miosótis que estendem as raízes para nele
 sorver o néctar da vida e a cor azul da harmonia.
Tinha que te dizer, mesmo de forma brutal,
na correnteza que lavra fundo - como um verso abismal;
tão violento que arrasta e destrói. E tudo muda no nosso mundo.
As tempestades vieram de fora - incontornáveis; eu sei.
Percebi que não viste as miosótis - pintei-as eu. Como dói.
Tinha que te dizer e lavar-me de mágoas no ribeirinho
perto de casa. Aquele que qualquer amante descobre um dia -
um amante da poesia. Apaixonado deita-se no remanso
das águas e naquele borbulhar- rodopia. Tinha que te dizer.