O poema só nasce onde quer
Como um pé de fiolho,
é pura emoção selvagem ...

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Lá fora chove

LÁ FORA CHOVE,
sinto-me intimamente lubrificada.
A falta que fazia este cheiro a terra molhada!
Respiramos um ar lavadinho
como se o país se estivesse a levantar.
A falta que nos faz!
Temos chuva e apetece festejar;
é de mãos molhadas que apanho
e saboreio os figos assomados
à janela do meu quarto:
belos, roliços, imaculados;
com o sol a zurzi-los são mais apaladados.  
A chuva, a desejada,
surpreende na queda macia
e remete-nos a uma inevitável prosa interior,
sem destino. Viajo até onde o calor aperta
e a chuva uma visita diária, benfazeja.
Com o mundo à distância de um clique
já não há deslumbramentos
um clique, apenas
retira à experiência o exotismo da surpresa;
algum, apenas.
É quando o tempo nos recolhe
que o pensamento mais divaga.
Há um amolecimento, algo difícil de definir 
entre a tristeza e o contentamento.
Lá fora chove.
A natureza, intimamente, está a sorrir.

Teresa Almeida

sábado, 22 de setembro de 2012

15.09.2012





HOJE:
sorri Setembro
nos olhos da minha filha
sobe ao altar
floresce e brilha
num outro olhar

Hoje:
são de amor as pétalas
que neste Setembro ardente
bailam para vós
como se fosse a vez primeira
O perfume é único, é vosso
uma essência apurada – lado a lado

Hoje:
nem tu nem eu – somos nós
a melodia tem outro ritmo
outro significado
Os pedregulhos soltam-se por aí
mas assustam menos
são de afecto
os caminhos que fazemos

Hoje:
subimos o Douro
cantando convosco
vivemos uma alegria maior
somos nós – uma família
na força do amor

Parabéns Guida e Paulo

sábado, 1 de setembro de 2012

Porque tu vens aqui



Sei que me encontrarás
na confluência do sorriso
que idílico se acende
porque tu vens aqui.

Na "lingerie" de azuis profundos
as ondas formam rios
delineados de luz.
As pérolas luzem
nuances coralígenas
sentimentos vadios
porque tu vens aqui.

As palavras são aves
excitadas e atordoadas
porque tu vens aqui.


Teresa Almeida