O poema só nasce onde quer
Como um pé de fiolho,
é pura emoção selvagem ...

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Amor i delor



 Purmeiro fui l silenço i l coraçon cheno d´ancredelidade i cada beç l spanto se m´acercaba más.

Apuis las palabras salírun cumo l carambelo que zimpou pula nuite an que te fui a ber. Ua de las piores de la tue bida. Ua daqueilhas apuis que l fuogo treiçoneiro te lhebou un de ls tous crabos, un de ls botones que salírun de drento de ti cun amor i delor. Parece que l delor faç parte de... la bida i anda mui acerquita de l´amor para que naide seia purfeito. Fúran tantas las antemidades que ambas a dues arranquemos de l peito cheno de ls nuossos afetos, porque l´amor bota-se afuora a cachones i ye cumo un sistema de basos quemunicantes. I ls filhos andában al meio de to tas cumbersas, anquanto las tues manos halbelidosas botaban quelores al miu pelo, anque la fuorça de l tiempo anteime an le botar centeilhas de lhuna.

Fui a la hora de la lhuna que te fui a ber i até eilha, de tristeza, se scundiu i la truona apagou las lhuzes artefeciales Quaije nun te bi, mas ne l nuosso abraço senti l´ antemidade i l carambelo de l delor. Nien sequiera ancuntrei las palabras ciertas para te dezir.

Teresa Almeida

Primeiro foi o silêncio e o coração cheio de incredulidade e cada vez mais o espanto me invadia.
Depois as palavras saíram como o granizo que caiu pela noite em que te fui ver. Uma das piores da tua vida. Uma daquelas depois que o fogo traiçoeiro te levou um dos teus cravos, um dos botões que saíram de dentro de ti com amor e dor. Parece que a dor faz parte da vida e anda tão próxima do amor para que nada seja perfeito. Foram tantas as intimidades que ambas arrancámos do peito cheio dos nossos afetos porque o amor transborda e é como um sistema de vasos comunicantes. E os filhos andavam no meio de todas as conversas, enquanto as tuas mãos habilidosas jogavam tons no meu cabelo para contrariar a força do tempo que entra nele em raios de lua.
Foi à hora da lua que te fui ver e até ela, de tristeza, se escondeu. E a trovoada também apagou as luzes artificiais. Quase não te vi, mas no nosso abraço senti a intimidade e o gelo da dor - nem sequer encontrei as palavras certas para te dizer

7 comentários:

  1. Que belo texto, Teresa! de uma intensidade emocional tal que nos deixa sem palavras, a reflectir apenas.

    Esta frase – ou seria um verso? – tuas mãos habilidosas jogavam tons no meu cabelo para contrariar a força do tempo que entra neles em raios de lua. é de uma força poética admirável.

    Sempre bom vir aqui e mergulhar em tuas belas letras, minha boa amiga.

    Meu carinhoso abraço,
    André

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  2. A dor faz mesmo parte da vida... não há volta a dar...
    Não tiveste palavras na altura, mas tiveste-as agora.
    E são brilhantes, na forma e no conteúdo.
    Teresa, tem um bom fim de semana.
    Beijo.

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  3. Querida Teresa,

    Com lágrimas a escorrer no meu rosto...

    Que poema sublime, belo e dolorido...

    Adoro a tua arte poética!!!

    Beijinhos da tua amiga-fã...

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  4. Mesmo quando a poesia se reveste de dor, a arte de sublimar o verbo enternece-nos de tal forma, que o coração agradece e permanece a contemplar uma escrita sentida e repleta de profundidade...

    Um momento lindo...
    Beijinho com carinho!

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  5. Mesmo quando a poesia se reveste de dor, a arte de sublimar o verbo enternece-nos de tal forma, que o coração agradece e permanece a contemplar uma escrita sentida e repleta de profundidade...

    Um momento lindo...
    Beijinho com carinho!

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  6. Mesmo quando a poesia se reveste de dor, a arte de sublimar o verbo enternece-nos de tal forma, que o coração agradece e permanece a contemplar uma escrita sentida e repleta de profundidade...

    Um momento lindo...
    Beijinho com carinho!

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  7. Voltei... mas só te posso desejar um bom fim de semana.
    Um beijo, Teresa.

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