O poema só nasce onde quer
Como um pé de fiolho,
é pura emoção selvagem ...

sábado, 30 de março de 2013

La mie rue

 
 
La mie rue acubre-se de pétalas
queloridas i dóndias
mana l trigo de las jinelas
i l cheiro silbestre de las arribas
mantas albas çpinduradas dan bibas

na mie rue chube la música als cielos
sinte-se l repicado de las campanas
a benir de l Sagrado
mesmo qu´alhá baia ralas bezes
siempre an miu coraçon las oubirei

parece que queremos assigurar
l´ancanto de la nineç
ls purmeiros passos an la bida
la  calor, la risa, la mirada de ls bezinos
i ls bózios que nacírun de madrugada

todos tenemos ua rue
i mesmo sien mos darmos de cuonta
alhá moramos
cumo se nacíssen primaberas
i las campanas repicássen d´alegrie
nas piedras de la calçada

Rua da Rebola - Lagoaça
(Foto de Dalila Tomás)


A minha rua

A minha rua cobre-se de pétalas
coloridas e macias
nasce o trigo nas janelas
e o cheiro silvestre das arribas
mantas alvas penduradas dão vivas

na minha rua sobe a música aos céus
sente-se o repicado dos sinos
que vem do coração da aldeia
mesmo indo lá poucas vezes
sempre em mim os ouvirei

parece que queremos prender
o encanto da infância
os primeiros passos na vida
o calor, o riso, o olhar dos vizinhos
e as vozes que nasciam de madrugada

Todos temos uma rua
e mesmo sem darmos conta
é ali que moramos
como se brotassem primaveras
e sinos repicassem de alegria
nas pedras da calçada.

Teresa Almeida
Rua da Malhada
Lagoaça

quarta-feira, 20 de março de 2013

Primavera

Este encanto que tu dizes
e as palavras que me cantas
quando em Março te levantas
e me abraças devagarinho

Este feitiço que espalhas
em explosões de alegria
este ritmo este riso esta fantasia
é um devaneio primaveril
num mundo insano

é até pecado sentir-te desta maneira
mas quero o teu ar de feiticeira
à solta no meu canteiro

Teresa Almeida

terça-feira, 19 de março de 2013

Pai

Deixo-te um beijo e uma flor
a ternura e a emoção
desta viagem sem tempo

deixo-te a alegria que guardo
de ti em cada momento
e esta segurança em mim

e este olhar raiado de amor
inteiro na minha mão
pai, deixo-te esta flor

e um beijo meu que colhi
no meu passo no teu jardim
nas flores que deixaste para mim

Teresa Almeida

sexta-feira, 15 de março de 2013

Toda eu



Volúpias alvas, translúcidas, cobrem o meu corpo
quimeras  que a noite em mim sonhou
madrugadas irreais  acordam os picos da exaltação
e aclaram os tons em que a noite se deitou
as colinas desnudam-se fogosas num despertar dolente
o vale guarda ainda o meigo humidificar dos primeiros rebentos
força de vida a raiar lentamente
evoluem e fluem as cores do meu desassossego
vertidas em telas que o imaginário consente
o mar, a terra e o céu sou toda eu

Teresa Almeida


segunda-feira, 11 de março de 2013

Vale da Vilariça


Escorre-me o tempo entre os dedos
a neve é já rosada em picos traiçoeiros
racha-se de saudade a árvore dos segredos
e  veste-se o campo de flor de amendoeira

São de púrpura os risos da manhã
aflorada em vales intumescidos
são de alegria os cantos que se levantam
e verdes os matagais dos sentidos

Escorre-me o tempo entre os dedos
rejuvenesce o encanto da velha canção
insinua-se a cromática da Vilariça
e a tela acende-se na minha mão.
Teresa Almeida

sexta-feira, 8 de março de 2013

Mulher



Desnuda-te alma minha
rasga as nuvens que te toldam
contorna os pedregulhos
... e mesmo que nos mais aguçados te piques
lembra-te que são efémeros
imponderados
ergue a coragem às alturas
solta a energia que te anima
és mãe, filha, rainha do universo
caminha e toca a finura do alvorecer
ousa ser onda bravia e verdadeira
mulher inteira
veste-te de todas as cores
sente a melodia do teu céu
todos os dias
caminha na imensidão do amor
arrisca um mergulho na vida
privilégio teu