O poema só nasce onde quer
Como um pé de fiolho,
é pura emoção selvagem ...

segunda-feira, 21 de abril de 2014

Viajo na garupa


Há um voo de mil aves em festivo acasalamento
atitude desafiante, pensamento escorregadio.
O norte é o desassombro e a liberdade.
No corpo um dinamismo avassalador,
 como se o trotear fosse a canção.

Cabelo solto na dimensão do vento,
açoite propulsor de ilusão.
Quando o ritmo aperta, a palavra, sem idade,
desata -se espavorida ,
parte em frente, luzidia, e o trotear dá-lhe o ritmo
de melodia consentida.

Viajo na garupa, pegadas nuas
marcam caminho de areias inconstantes.
Fora do sonho, a sombra em sentido contrário,
continua rastejante; como se num outro eu
ela vivesse e sem mim viajasse.

Teresa Almeida

10 comentários:

  1. Essa ideia,poeta
    É também a minha
    Cada um de nós somos três

    Mas eu viajo junto
    sem sombra
    à espera de uma clara madrugada

    ResponderEliminar
  2. Como senti essa liberdade sadia na garupa da natureza , tal o realismo com que pintaste esta linda poesia!
    Beijinhos Teresa
    Que tenhas tido uma boa Páscoa!

    ResponderEliminar
  3. Belíssimo poema, repleto de sentires e significados numa

    dimensão libertadora do voo atemporal da alma (no campo dos sonhos),

    porém os passos na realidade nas marcas da vida.

    Mesmo assim,a poetisa com as asas luminosa viaja

    semeando poesia...

    Adorei e viajei junto,querida amiga!!

    Beijinhos e abraço na tua alma linda...

    ResponderEliminar
  4. Um voo sublime, em que as asas se agigantam na esperança da plenitude...
    Muito belo querida Teresa...

    Beijinho com amizade

    ResponderEliminar
  5. Uma viagem individual que se pretende coletiva.
    Muito bem, Teresa!

    Beijo :)

    ResponderEliminar
  6. Uma viagem brilhante pela poesia.
    Excelente poema, gostei imenso.
    Boa semana, querida amiga Teresa.
    Beijo.

    ResponderEliminar
  7. Viagens leves. esvoaçantes, impulsionadas pelo voo poético que nos faz sentir em tantos lugares ao mesmo tempo...O corpo permanece estático, a alma multiplica-se polinizando os lugares de sonho...
    Um belíssimo poema, amiga Teresa.
    Bjuzz :)

    ResponderEliminar

  8. Debaixo do suave trotear as
    "[...]pegadas nuas
    marcam caminho de areias inconstantes[...]".
    E o marulhar das águas a sugerir a liberdade do espaço aberto e vasto.
    Gostei.


    Beijos


    SOL

    ResponderEliminar