O poema só nasce onde quer
Como um pé de fiolho,
é pura emoção selvagem ...

domingo, 13 de julho de 2014

Chove na praça



Não sei se chove na praça meu amor          

se o vento desnuda as árvores

da confiança

que nos fustigam o caminho

e nos atiram cascalhos de mudança.                    

Uma a uma vão caindo as certezas,

os cabelos branqueando

e o sorriso amarelecendo.

As horas arrastam-se lentas e tardias

sem nos devolverem o tempo das cerejas

e as rosas que no peito me trazias.

Não sei se chove na praça meu amor

não sei se logo veremos as estrelas

e se o nosso olhar se cruzará entre elas.

Não sei se chove na praça meu amor,

se o tempo trará de volta a poesia,

se ainda me vestirei de esperança

e se encontrarei

a melodia que a aurora em nós escrevia.
Teresa Almeida
Pintura de Renoir

5 comentários:

  1. Um belo Poema de realidades...
    Se as dúvidas surgem é porque as certezas se afastam.
    Contudo, a esperança persiste e isso é motivador.


    Beijos


    SOL

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  2. Amiga, a tua poesia sempre colhe a minha lágrima de emoção a ler-te.

    Um poema belíssimo e tocante (dorido)...

    Grata por esta leitura e todas as outras.

    A tua poesia ocupa um espaço (afetivo) especial em mim!

    Beijinhos,Querida Teresa.


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  3. Minha querida

    Quantas vezes desejamos que o tempo pare e nos devolva a inocência.
    Como sempre adorei ler-te.

    Um beijinho com carinho
    Sonhadora

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  4. Sei que já li este poema e pensava tê-lo comentado...
    "Uma a uma vai caindo as certezas" - será que as houve? Há um tempo em que não questionamos porque questionar é sempre sinal de crescimento e, quando ainda se tem muito tempo para viver, nem damos por esse crescimento. Mais tarde os questionamentos são quase intrinsecamente necessários e descobrimos que há apenas o hoje para viver. Contudo, neste belo poema, as dúvidas são certezas no sentir poético.
    BJO; querida Teresa :)

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