O poema só nasce onde quer
Como um pé de fiolho,
é pura emoção selvagem ...

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Adeus, apenas.


Dir te ei adeus na estação mais improvável,

bem perto do rio, na confluência de olhares,

acenar te ei na brevidade do gesto,

antes que o vendaval nos tome de assalto.

 

Sei, sei que sentiremos o frio no rosto

e o ímpeto do vento nos lábios,

pétalas a tombar de desejo. Beijo, leveza,

vontade a abrir desmedidamente.

 

 Quase inadvertidamente, às primeiras chuvas,

o caminho faz-se céu aberto e silhuetas avançam

 num espelho líquido de ilusão, chão de sobressaltos.

 

Meu rio de emoção, arrepio, meu outono deslizante!

Onde está a verdade, o grito, o esplendor?

Beijo a brevidade da chama, a envolvência da cor!

Na confluência de olhares, na estação mais improvável,

dir te ei adeus, apenas,

ser te ei ardente e breve, meu amor!

 

Teresa Almeida Subtil

 

11 comentários:

  1. Olá Teresa!
    A palavra Adeus guarda em si algo de definitivo, mesmo quando na verdade possa referir-se a um "até amanhã"...Mas toda a despedida é e deve ser breve, para que a vontade não teime em nós.
    Gostei da referência a esse "espelho líquido de ilusão" nas águas que deslizam...
    Um belíssimo poema, acompanhado por uma bela imagem, de um rio do qual desconhecia até hoje a existência!...:-)
    xx

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  2. É nesta confluência de olhares e metáforas coloridas que as tuas águas correm, deslizando em soluços de espuma para a foz.
    Linda poesia, Teresa!
    Beijinho meu!

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  3. É nesta confluência de olhares e metáforas coloridas que as tuas águas correm, deslizando em soluços de espuma para a foz.
    Linda poesia, Teresa!
    Beijinho meu!

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  4. Adorável Poema.
    A mística das Estações, do frio e da chuva. A despedida do tempo que voltará depois.
    Adorei!
    Imagem sugestiva e bela.


    Beijos


    SOL

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  5. Nos olhares deslumbrados
    E em qualquer estação
    Rasgam-se em ti estes brados
    Belos em plena emoção!

    Acompanhei-te neste adeus poético...
    Bjuzz. querida Teresa :)

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  6. Muito bonito, Teresa!
    Gostei particularmente da última estrofe...

    Um beijo amigo

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  7. Uma despedida onde não existe dor, mas comunhão de afectos. Um adeus que significa um até já, logo que a invernia passe.
    Que a primavera te inunde a alma e o teu sentir poético, para que os versos te cresçam nas mãos....

    Beijinhos querida Teresa e Festas Felizes!!!

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  8. Gostei imenso do teu poema.
    É excelente, do princípio ao fim.
    Tem uma boa semana, querida amiga Teresa.
    E um FELIZ NATAL.
    Beijo.

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  9. Sabes, Teresa, o rio tem um charme. Acalma com corrente fácil, adoça com as margens fecundamente verdes.
    Por isso o teu poema tem a beleza do rio!
    Grande abraço , querida amiga!

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  10. Boa noite Teresa,
    belo poema.
    Deixo-lhe meus votos de festas felizes e cheias de paz.
    bj amg

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