O poema só nasce onde quer
Como um pé de fiolho,
é pura emoção selvagem ...

domingo, 13 de julho de 2014

Chove na praça



Não sei se chove na praça meu amor          

se o vento desnuda as árvores

da confiança

que nos fustigam o caminho

e nos atiram cascalhos de mudança.                    

Uma a uma vão caindo as certezas,

os cabelos branqueando

e o sorriso amarelecendo.

As horas arrastam-se lentas e tardias

sem nos devolverem o tempo das cerejas

e as rosas que no peito me trazias.

Não sei se chove na praça meu amor

não sei se logo veremos as estrelas

e se o nosso olhar se cruzará entre elas.

Não sei se chove na praça meu amor,

se o tempo trará de volta a poesia,

se ainda me vestirei de esperança

e se encontrarei

a melodia que a aurora em nós escrevia.
 
Teresa Almeida