O poema só nasce onde quer
Como um pé de fiolho,
é pura emoção selvagem ...

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Feira do Livro GCM - 2014


Feira de l lhibro

Cheguei al jardin cula nuite a cair i l cielo  a amenaçar mudar a qualquiera momiento, tal cumo la bida: debrebe i resbalina.
Ls lhibros passórun a pertencer àquele lhugar, ls caminos perdírun la dureza i ls passos tornórun-se lhebes, mais lhebes que nunca. Ye siempre esta sensaçon d'ouséncia, de bolo, de star i nun estar. Ye l prazer de me perdir ne l berso solto i a ganhar bida própia - na boç, na spresson, na melodie i na antrega de cada un. Alguien que, por sfregantes, saliu de si i festeijou la palabra amigo. 
L lhibro biaija de mano an mano, i nele l alegrie, la rábia, l amor i l spanto de quien l screbiu. Stou cierta de que, de cada beç q'un lhibro s´abre, s´ ancuontra algo de nuobo i que bamos percebendo la forma cumo l'outor se bai çpindo, debagarico.
 La chuba nun chegou a cair, mas you senti-la nas lhágrimas que derramei por drento, ne l poema que la nuite screbiu i ne l cheiro de cada pétala que guardei ne l peito.

Naquel abraço, scrito i dedicado, seguiu l afeto i la berdade dun sfregante que baliu la pena.


Cheguei ao jardim com a noite a cair e o céu a ameaçar mudar a qualquer momento, tal como a vida: fugidia e imprevisível.
Os livros passaram a pertencer àquele espaço, os caminhos perderam a dureza e os passos tornaram-se leves, mais leves que nunca. É sempre esta sensação de ausência, de voo, de estar e não estar. É o prazer a deambular no verso solto e a ganhar vida própria - na voz, na expressão, na melodia e na entrega de cada um. Alguém que, por momentos, saiu de si e festejou a palavra amigo.  
O livro viaja de mão em mão, e nele a alegria, a raiva, o amor e a perplexidade de quem o escreveu. Estou certa de que, de cada vez que um livro se abre, se encontra algo de novo e que vamos percebendo a forma como o autor se vai despindo, devagarinho.
 A chuva não chegou a cair, mas eu senti-a nas lágrimas que derramei por dentro, no poema que a noite escreveu e no perfume de cada de pétala que guardei no peito.

Naquele abraço, escrito e dedicado, seguiu o afeto e a verdade de um momento que valeu a pena.


Teresa Almeida Subtil

7 comentários:

  1. Bem podes estar segura que o "Livro" tem o Dom de ser oportuno: a cada leitura se "lê" o sentir e disposição do momento presente e não (seguramente) o que as palavras impressas querem dizer.
    Cada um sente o que sente.
    Gostei.


    Beijos



    SOL

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  2. Encontro-me de férias na Escócia, de momento em Thurso, a dois passos do Mar do Norte, onde o acesso à Net (e à civilização dum modo geral  ) é bastante difícil.
    Quando regressar a Bagno a Ripoli, o que deverá ser em finais de Setembro, visitarei todos os blogs amigos.
    Até lá desejo-te tudo de bom e dias muito felizes.
    Um beijo
    MIGUEL / ÉS A MINHA DEUSA

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  3. Os livros têm vida, têm alma, têm emoções. São companheiros e amigos das mais diversas ocasiões...

    Gostei muito do teu texto querida Teresa...

    Beijinho meu...

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  4. Olá Teresa!
    Depois de vários meses de ausência cá estou novamente!
    Os livros influenciam muito mais a nossa vida do que poderá supor-se à partida.
    Quer a chuva ameace ou não, quer os livros se apresentem sujos e gastos, ou novinhos em folha. Cada livro tem uma personalidade à qual cada leitor acrescenta algo mais.
    Maravilha comunicares também na Língua Mirandesa!
    Bom fim de semana, Teresa!
    xx

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  5. Há momentos que valem a pena.
    Tal como ler o seu magnífico texto.
    Teresa, tenha uma boa semana.
    Abraço.

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  6. Boa tarde
    Passei pelo teu cantinho para te dar a conhecer o meu modesto espaço de poesia.
    Espero que gostes. Um abraço, Ana Pereira
    http://almainspiradora.blogspot.pt/

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  7. Passei para ver as novidades...
    Teresa, minha querida amiga, aproveito para lhe desejar um bom domingo e uma boa semana.
    Um abraço.

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