O poema só nasce onde quer
Como um pé de fiolho,
é pura emoção selvagem ...

quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

Despida

Chamaram-me à rua do Carmo
para me perguntarem: que escreves tu?
E eu, sem saber por onde vou, respondo:
está nu o meu verso, sem arpejo,
a rima anda solta nos poemas que leio,
nos peitoris das janelas que namoram o Tejo,
mesmo que o não vejam.

Cegos os meus versos dão-se aos dedos
para que apertem os desejos e as penas,
deambulem pelas ruas desoladas,
roubem as cordas às guitarras e toquem,
toquem uma melodia que encha as frinchas da noite,
que ressuscitem a trilha e a harmonia,
que encontrem a poesia perdida algures,
despida.

Teresa Almeida Subtil




6 comentários:

  1. Querida Teresa,

    Este teu poema é belíssimo (já lido e apreciado por mim)
    e esta Antologia foi premiada com a tua poesia luminosa!!
    Meus votos de 2016 luminoso, renovador e poético
    e poético com os infinitos de palavras dos poetas
    semeando a densidade das "realidades" na implantação
    dos sonhos!...
    Quero a continuação das nossas partilhas da poesia e
    dos sonhos, amiga!
    Beijo e abraço de paz!!

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  2. Olá Teresa!
    O poeta pode não saber por onde vai, mas vai e desbrava a poesia que encontra, nesses versos nus que vestem a alma de ordem e harmonia.
    Muito belo, Teresa!
    Um Feliz 2016 com muita saúde e inspiração! :-)
    xx

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  3. Sempre um prazer viajar pelos seus apeadeiros

    Bj

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  4. Minha querida amiga,

    Adorei receber a tua visita com teu olhar
    de carinho sobre a minha poética.
    Tenho tanta saudade de ler mais a tua poesia,
    não é nenhuma pressão para voltares a postar,
    mas, voltas a publicar teus poemas, gosto
    tanto da tua bela poética, tu sabes disso,
    faz muitos anos que partilhamos da amizade poética!... rss
    Beijos saudosos.

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  5. Um belíssimo entrosamento de artes: a palavra e a melodia.
    O ritmo e a musicalidade atravessam todo o poema, parecendo ter pressa de chegar onde a poesia é urgência...
    Gostei imenso!
    Bjo :)

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  6. Cara Teresa,

    Este seu poema foi lido no InVersos.

    Poderá encontrar a gravação aqui:

    https://invers0s.wordpress.com/2017/02/11/inversos-teresa-almeida-subtil-despida/

    Com Consideração,
    Rui Diniz
    InVersos

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