O poema só nasce onde quer
Como um pé de fiolho,
é pura emoção selvagem ...

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Nem raça nem credo.


A primeira vez que de ti me abeirei

todas as sedes me tomaram. Sem raça nem credo.

Cruzei-te num primeiro abraço, mar sonhado, desejado e

finalmente sentido. Quando a coragem permitiu

 o primeiro mergulho, até a areia me bordou o corpo,

ponto por ponto. As cores brincavam e eram tantas

que despertavam e refletiam a luz que queria minha.

 

Nos meus olhos de céu e mar cruzavam-se correntes loucas,

e eu já sem roupa fiquei à tona e deixei-me prender

nas mais belas cores. Fiz-me laço, palmarés de glorioso arco iris.

Sei, sei que te dei versos sem palavras e, num silêncio prometedor,

até as czardas se ouviram. As czardas que bailaria com paixão.

As czardas que, para ti, escreveria com emoção.

 

Nos meus versos o mar endureceu, as lágrimas fizeram nuvens

e  foram quentes as cores que me vestiram.

Confesso: fui apanhada e fiquei onda a pulsar em mar alto.

No meu horizonte as palavras também se despiram de chavetas

e ficaram tão abertas até se fazerem espírito,

fado falado, morna resgatada, sal de miscigenação.


Teresa Almeida Subtil