O poema só nasce onde quer
Como um pé de fiolho,
é pura emoção selvagem ...

domingo, 5 de fevereiro de 2017

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Passas de saudade

Cheguei derrotada, passa em pão enrugada,
vim, fora de horas, mas de propósito para te dizer
que a chuva me bate no peito clássica e bravia
melodia tardia que a saudade permite acontecer.

É sempre aguda e fria a fresta que o livro
abre de memória e a nossa história é de cumplicidade.
A ausência é trovão que vem de longe e se derrete.
No pão a passa acrescenta o calor da amizade
e a manteiga que sabor! Essa nunca vem tarde.

A chuva lava-me o rosto, e o café que aroma!
deixo a torneira correr, chávena cheia, e o mel é a tua palavra
sussurrada na minha, gosto e carícia que apetece.

As passas são baladas de amigo na minha boca,
a mente enleia o tempo e o vento sopra molhado.
Vou pelo monte como a Jane Eyre da minha adolescência,
sem óculos, cabelos esvoaçantes a chispar clarões.
com ela perdi o medo e a trovoada é som que me passeia.

Teresa Almeida Subtil


10 comentários:

  1. castelã de seus afectos (e memórias), a Poeta escuta ao longe o tropel e a cavalgada e enfrenta, soberana, a intempérie para cuidar da chegada.

    a mesa posta: o pão, o mel, o café ... e as passas! e o livro aberto (que nada ali é fingimento).

    e os cabelos soltos. agora. e tempestade que se afasta. som longínquo. música em que a Poeta se passeia.

    muito belo, Teresa Almeida

    beijo

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  2. Uma história de cumplicidade.
    "Vou pelo monte como a Jane Eyre da minha adolescência". Faço-te companhia, Teresa. Talvez recupere a minha adolescência também...
    Gostei imenso do poema.
    Uma boa semana.
    Beijo.

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  3. Pedindo desculpa pelo meu atraso, mas só hoje consegui passar por aqui, agradecendo a sua amável visita em artandkits.blogspot.com e aproveitando para conhecer este formidável espaço, dedicado à boa poesia... e a essa maravilhosa linguagem tão nossa, que é o mirandês... e que vou adorar descobrir...
    Será um prazer imenso, passar por aqui, sempre que me for possível, Teresa!...
    Beijinhos! Continuação de uma boa semana!
    Ana

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  4. Um poema de passas que não passa ao lado do encanto de quem o lê. Gostei imenso, o poema é excelente.
    Continuação de boa semana, amiga Teresa.
    Beijo.

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  5. e assim passas palavras que saboreamos à mesa
    a cantar por gestos
    e memórias
    Bjs

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  6. e assim passas à mesa
    palavras e memórias
    de levar à boca
    Bjs

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  7. Parabéns pela criatividade.

    Arthur Claro
    http://www.arthur-claro.blogspot.com

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  8. Belíssimo este seu canto em louvor
    da vida, liberdade e ao amor:
    "O livro abre de memória e a nossa história é de cumplicidade."

    Admirável sempre a sua poética, Teresa!!
    Beijinhos.

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  9. Um belíssimo poema pleno de saberes e sabores com a delícia da cumplicidade, Teresa.
    ...e passeia-te com o som da tua poesia!
    Beijinhos! :))

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  10. Delicioso poema , adocicado de vida...
    Beijinho Teresa, desculpa o atraso, mas tenho estado sem pc...

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