O poema só nasce onde quer
Como um pé de fiolho,
é pura emoção selvagem ...

quarta-feira, 26 de julho de 2017

Mãe


Será que ouviste o meu palpitar?

E a minha mão acariciar a tua, 
será que sentiste?
E os últimos beijos
 no teu rosto ausente,
percebeste-os mãe?

Na hora dura e fria, 
deslizei num rio de paz,
firme leito de afetos.
E no teu peito me deitei 
pela última vez.

Os teus olhos, minha mãe, 
haviam partido,
mas os meus adoravam-te na luz que me deixaste.
Luz que, na partida, quis dar-te.
E o sossego da tua mão na minha.
Disse-te tudo, como sempre.

Estou aqui, mãe, como te dizia …  

Acariciei contigo os rostos que te queriam.
E te querem.
Passaste e viverás no amor que semeaste.

Mãe, eu vi as arribas a arder
quando à terra desceste.

Teresa Almeida Subtil

Foto de Carla Subtil Rodrigues.

5 comentários:

  1. Teresa, saio daqui em silêncio. Fiquei muito emocionada com o seu poema. Tenha coragem para aguentar a saudade.
    Uma boa semana.
    Um grande beijo.

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  2. Querida Teresa, saio comovida, sei bem disso, morre um pedacinho de nós...é muito duro, amiga.
    Desejo muita paz pra você, e com o tempo tudo vira uma doce lembrança, mas sempre com a saudade presente. Mas temos de caminhar...
    Beijo, minha amiga.

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  3. Querida Teresa,

    Fiquei muito emocionada com este teu poema e
    compreendo tanto este teu momento agora, a perda
    de uma mãe é sempre um abismo de dor e abandono
    que se torna presente numa saudade eterna, posso
    te dizer que com o tempo esta saudade ficará uma
    doce e protetora companhia...
    Ficas bem na medida do possível e um dia de cada vez,
    tudo vai se arrumando por dentro, minha querida amiga.
    Beijinhos e abraço de paz aconchegando a tua alma...

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  4. as arribas irão arder sempre, pela vida fora - chama sagrada!

    abraço solidário, Teresa.

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  5. Um poema que me sensibilizou particularmente, Teresa!
    Lamento imenso a sua perda! Ficam as memórias, pelo menos... que ajudam a amenizar a partida dos nossos anjos...
    Um beijinho grande!
    Ana

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