O poema só nasce onde quer
Como um pé de fiolho,
é pura emoção selvagem ...

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

Vão de infinitos / Preça d'anfenitos

Vão de infinitos

É a varanda de grades da cor do tempo
que me leva em breve enleio e receio de entardecer.
É na varanda solta no descampado do olhar
que me debruço e me entronco na árvore onde me fiz.

É o toque na parreira de pele retesada
e rasgada, que me diz da erupção que sentia
e das escadas que subia e descia,
querendo entender-me no emaranhado da vida.

Era em vão de infinitos que a varanda se espraiava.
E eu, debruçada, a sentir-me nada, não cabia em mim.
E eu, num chão de inquietudes a agigantar-me
para as dúvidas que nunca resolvi.

Aninhada em ti,
parecia que a aldeia ao longe era igual à minha,
embora a raia nos falasse de outra língua
e de outro país. Na minha varanda percebia a raia
e adivinhava que nem a vinha, nem a aldeia que avistava,
encobriam o reboliço do rio
que bem fundo cavava o fragaredo.

Nem eu nem o rio conhecíamos limites
e apesar do aperto e da inquietude,
saltávamos e corríamos
na pressa dum tempo a descobrir.



Preça d´anfenitos

Ye la baranda de grades de la quelor de l tiempo
que me lhieba an brebe anleio i arrecelo d'entardecer.
Ye na baranda suolta ne l çcampado de l mirar
que m´astribo i m´antronco n´arble adonde me fiç.

Ye l toque na parreira de piel retesada
i resgada que me diç de l manantial que sentie
i de las scaleiras que chubie i abaixaba,
querendo antender-me ne l eimaranhado de la bida.

Era an preça d'anfenitos que la baranda se spraiaba.
I you, debruçada, a sentir-me nada, nun cabie an mi.
I you, nun suolo d'anquietudes a agigantar-me
pa las dúbedas que nunca resolbi.

Arrimada a ti,
parecie que l'aldé al loinge era eigual a la mie,
anque la raia mos falasse d'outra lhéngua
i d'outro paíç. Na mie baranda percebie la raia
i çcunfiaba que nien la binha, nien l'aldé q'abistaba,
tapában l rebolhiço de l riu
que bien fondo scababa l fragaredo.

Nien you nien l riu coinciemos lhemites
i indas que l aperto i l'anquietude,
saltábamos i corríemos
na priessa dun tiempo a çcubrir.

In "Rio de Infinitos/Riu d'anfenitos" de Teresa Almeida Subtil





quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Malas à porta


"Professor que é professor, em Setembro tem as malas à porta." Há-de correr bem, dizia ela - otimista por natureza. E eu fiquei a pensar que já tive as malas à porta - muitas vezes (e havia muita adrenalina em tudo isso) mas, se isso me acontecesse depois de constituir família... deixava o coração para trás ...levava-o comigo? Pensamento matinal demasiado arrepiante.
Um dia pus uma cruz no distrito do Porto, a título definitivo, mas depressa me trouxeram de volta à origem. Hoje penso que a opção foi acertada. Fez parte de um percurso encantador. E ao Porto vou sempre que posso. A cidade é linda de morrer porque também é minha. Vou cirandando...

Teresa Subtil

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Festival Intercéltico. Convite

Foto de FESTIVAL INTERCELTICO DE SENDIM.

Pino do verão, da música e da proa da língua.
Sangue celta a correr pelos dias, pelas noites e pelas melodias.
É no arrepio da dança que vivemos e fazemos a festa.
E os instrumentos levam as palavras a brilhar e a cirandar.
Corpo e alma. Pois quem não bailou que baile
no requebro do verbo, na alegria do povo que somos,
na voz que geme, na tristeza e no verso que afeiçoa;
no perfume silvestre que sublima. É a cultura que se espraia
no palco e no terreiro. Apesar do grito. 
É o hino à vida que se alcantila.
É sair voando ao intercéltico, festival de estio, festival de proa.


Ye l cherume de l berano, de la música i de la proua de la lhéngua.
Sangre celta a correr puls dies, pulas nuites i pulas cantigas.
Ye ne l'arrepelo de la dança que bibimos i fazemos la fiesta.
I ls anstrumientos lhieban las palabras a relhuzir i a çarandar.
Cuorpo i alma. Pus quien nun beilou que beile
na droba de l berbo, na alegrie de l pobo que somos,
na boç que geme,  na tristeza i ne l berso que mos gusta;
no prefume silbestre que chube. Ye la cultura que se spabila
ne l tablado i ne l terreiro. Anque l bózio.
Ye l'hino a la bida que s' alhebanta.
Ye salir bolando al antercéltico, festibal de l tiempo e de lomiada.

Teresa Almeida Subtil