quinta-feira, 8 de março de 2018

O fogo pertence-nos




Está frio. Acendes a lareira e as brasas
Emanam tal magia que o Inverno
É apenas melodia. Sente-se-lhe o rugido.
E neste rigor sobe o calor nos teus braços.
O fogo pertence-nos.

A lareira é o centro. E a mulher
Dá o toque e a graça. É a que se rasga
E traz a vida em si. É ventre. É casa.
A que se move porque a música existe.
Rio de luz que a percorre e sente. É plena.
É pétala e saia de linho. E arca de afetos.

É o xaile negro. A escarpa. E a neve que se derrete
E perde os limites. E em impossíveis acredita.
A que agarra a felicidade
No instante em que o passo resvala.
A que te rouba o coração e o deixa livre.
É a lareira acesa e o instante que nos cega.


L fuogo pertence-mos (mirandés)

Fai friu. Acendes l lhume i las brasas
Reçúman tal magie que l Ambierno
Ye solo melodie. Sinte-se-le l rugido.
I nesta friaige chube la calor ne ls tous braços.

L fuogo pertence-mos.

L lhume ye l centro. I la mulhier
Dá l toque i la grácia. Ye la que se resga
I trai la bida an si. Ye bientre. Ye casa.
La que se mexe porque la música eisiste.
Riu de lhuç que la percuorre i sinte.
Ye pétala i saia de lhino. I arca de carinos.

Ye l xal negro. La scarpa. I la niebe que se çfai.
I perde ls lhemites. I an ampossibles acradita.
La q'agarra la felcidade
Ne l sfergante an que l passo resbala.
La que te rouba l coraçon i l deixa lhibre.

Ye l lhume aceso i l sfergante que mos cega.

Teresa Almeida Subtil

11 comentários:

  1. Querida Teresa

    As palavras, sublimes, fizeram deste poema o seu lugar, a sua morada. Penso que dificilmente se poderá fazer uma outra composição tão completa em que a função das palavras e sentimentos não é senão a de se cumprirem neste Cântico à Mulher: aqui ela é graça, é ventre, é casa, é arca de afectos. E também ela é "A que te rouba o coração e o deixa livre", a maior expressão de Amor. Não prender a nós, com amarras, a pessoa a quem amamos, não há amor maior.

    Muito obrigada por este momento mágico.

    Beijinhos

    Olinda

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  2. Olá, Teresa!
    O frio tem essa magia, como está no teu belo poema, o frio acalma os namorados frente à lareira na sua música vinda da lenha que queima. O frio une casais, e os prende em laços amorosos. Parabéns.
    Um beijo.
    Pedro

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  3. A vida convida-nos, assim sejamos livres para entender os sinais...
    Tão lindo, Teresa!

    Um beijinho :)

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  4. a celebração do Lar.
    e do fogo na intimidade da lareira
    e a Mulher como guardiã e depositária da "arca dos afectos"

    muito belo, Teresa,

    beijo, minha amiga

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  5. Excelente homenagem
    na esperança que um dia
    será outro dia

    Bj

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  6. "O fogo pertence-nos". Todo o poema, magnífico, resumido neste verso, Teresa.
    Uma boa semana.
    Um beijo.

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  7. https://poemasdaminhalma.blogspot.pt/
    Olá Teresa, passei por aqui e encontrei este belo espaço...acompanhado de um belíssimo poema... ao sabor de uma lareira.
    Fiquei maravilhada, ele transporta um pouco do nosso Trás-os-Montes.
    Adorei, linda homenagem à mulher!
    Beijinho.
    Luisa Fernandes

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  8. A lareira era o centro da casa... e as mulheres eras as donas do centro (e não só, já que a sociedade era, e ainda é, essencialmente matriarcal.
    Parabéns pelo poema, é excelente.
    Continuação de boa semana, amiga Teresa.
    Beijo.

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  9. É com grande gosto que leio aqui um poema simplesmente fascinante. Direi mesmo que poeticamente é maravilhoso
    .
    * Se te amar for pecado ... Então sou um Pecador *
    .
    Cumprimentos

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  10. Que beleza de poema, Teresa! O resto é a magia dessa atmosfera surpreendente!
    O que fazer sem essa divindade e sem a lareira? Homenagem sem igual às mulheres!
    Um beijo,

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  11. Muito belo, "o fogo pertence-nos", a Mulher
    nesta amplitude é o centro, a energia motriz
    e essencial nesta "arca de afetos" e na
    delicadeza e ação como "pétala e saia de linho".

    Sempre belíssimo o teu universo interior (tua alma)
    espelhada na tua arte poética, querida Teresa.
    Beijinhos.

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O comboio nunca partiu