sábado, 14 de maio de 2011

“SINERGIA”



A queda de uma pena
silenciou qualquer ruído
Demónios da mente
que se evaporam
no calor da luz…
Cores em catadupa
iluminam quartos vazios
Planícies plenas…
Será falsa realidade
ou
P
R
I
M
A
V
E
R
A
que me invade
todos os ecos…
Sussurro, livre do Inverno
que me perturbou
os sentidos
Rimo com ele…
um veemente adeus…


E, há quanto tempo eu esperava
com a janela escancarada
esse perfume subtil
que escalou lentamente a noite
no balanço duma pena
abandonou a nostalgia
acordou auroras de alegria
e, tocando-me, estremeci
A Primavera, para ti, colhi
Com surpresa e ternura despertaste
e, em esplendor, me abraçaste
Nesse dia, um baile de emoções
rompeu espontâneo no jardim
Afeiçoados em roda de poesia
bailámos num ritmo sem fim...

Jc Patrão / Teresa Almeida
02.04.11



terça-feira, 10 de maio de 2011

Por onde se começa?

Por onde se começa?

Trago o humor debaixo do guarda-chuva
Não quero hoje ver sorrisos
Que ao cruzar me alvejam
Ferem-me os olhares felizes
Aconchego-me à nostalgia
Escondo a claridade e a alegria
A noite é minha amiga
Prefiro chuvas e trovoadas
Verdadeiras e desastradas
Quero mudar tudo depressa
Mas...
Por onde se começa?

Teresa Almeida 10.05.11

sábado, 7 de maio de 2011

Que bem sabem cantar!


O estorninho calou-se
De amores se perdeu
Em volúpias ardentes
Encostou-se à noite
E com ela ela adormeceu

Já o rouxinol  que tão bem canta
Na sua louca paixão
Não aguenta a espera
Namora de madrugada
Numa canção desesperada

O melro,  negro retinto
Sabe como agradar
De galho em galho redopia
Namora, canta e assobia
A quem anda a jardinar

Será que é fiel?
É tão companheiro e sedutor
Estão sempre à espera dele
A qualquer hora do dia
Namora, canta e assobia

Serão eles que as escolhem
Ou serão conquistados?
É um segredo que sabem guardar
Companheiros, amigos e amantes
Que bem sabem cantar!

Teresa Almeida 07.05.11

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Cheiro a maresia




Há um calor de fim de tarde
Num abraço à beira - mar
Os quilómetros que eu faria
Ao volante do teu olhar
Por um cheiro a maresia

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Repasseado - Dança mista

Un baile de ruoda de cariç popular, al sonido de l gaita de foles, qu´anima las festebidades de l Praino Mirandés.
Na Tierra de Miranda las pessonas gústan de beilar l repassiado nas praças, terreiros ó an qualquiera ajuntouro. Ls pares bán sendo sustituídos al modo que se astrében a antrar.
 

terça-feira, 26 de abril de 2011

Sonhos de Abril

Perguntas-me onde estava eu nesse dia :)
Perto do Quartel General, no centro do Porto
À época eu morava por ali
Dirigi-me à escola, no caminho do aeroporto
Ao longo da estrada
Metralhadoras apontavam na minha direcção
Soldados entre as plantas, rentes ao chão

E eu de política não percebia nada
Havia um mal-estar generalizado
As palavras eram punhais
Sabia que devia estar calada
Uns malfeitores
Assaltaram o barco Santa Maria
Abortou a revolta das Caldas
Eram escassos os indicadores
Ah, era pelas canções que a informação me chegava
Mesmo às escuras a revolta germinava

Salgueiro Maia, em frente a um blindado…
Emociono-me
Enfrentou o fogo, perfilado
Chama-se coragem e liberdade
Transformou cada português num cravo vermelho
Os tais cravos com que Zeca Afonso
Andava a semear os caminhos
Os cravos ainda não murcharam no peito
Vão sendo regados pelos sonhos de Abril

Teresa Almeida 25.04.11

sábado, 23 de abril de 2011

O riso da minha mãe

O riso da minha mãe

Ouço repicar aleluias
Nos sinos da minha aldeia
Ressuscitam esperanças
De adormecidas paixões
Cheira a Páscoa mãe!
 Folares dourados
Canela, laranja, aguardente
Cordeiro de pasto de arribas
Ruas e casas engalanadas
Mas o que mais brilho tem

É o teu riso mãe!


Teresa Almeida 22.04.11
 

Voz de Outono