domingo, 10 de julho de 2011

Devaneio


Gosto de um portão de mar
que me leve a casa
É num barco imaginário
que navega ao sabor da corrente
que tenho a minha morada
No mar o amor é diferente
Não faz frio neste leito
é no teu corpo que aqueço
quando me deito
Quero ficar noite alta acordada
há uma orquesta de cantores
que tocam e cantam de madrugada
E é em perfumes de alvorecer
que me sinto mulher
Quem fez este portão
é porque morre de amores
estou louca de paixão
Irei ficar de atalaia
pode aparecer o dono
e eu quero roubar-lhe o coração
se ele entrar no meu devaneio
talvez me ofereça o portão

Teresa Almeida, 06.07.2011

sábado, 9 de julho de 2011

O tempo e o amor


O tempo andava devagar no quintal da minha avó

que, em vinhedos labirínticos, se estendia


Tardávamos a chegar aos caramanchões de heras

autênticos palácios encantados

onde, em brincadeiras, me perdia


O campanário da igreja ficava ao longe

algures no espaço

As saias da minha avó eram antigas

muito maiores que eu

escuras como breu


Quando, mais tarde, voltei ao quintal da minha avó

reparei com espanto

que os dias tinham encolhido

à medida que eu tinha crescido

O campanário da igreja marcava o tempo

e eu sentia-o correr

As amigas tinham voado nos meus sonhos

Demarcava, agora, o espaço com o olhar

um olhar húmido, embaciado

que se virou para dentro


O teu amor avó

era desmedido

como o tempo

Teresa Almeida 03.07.11

quinta-feira, 30 de junho de 2011

atrevette: Antologia - Versos Luso-Brasileiros

Esta antologia da Editora Sapere, finaliza com três poemas da minha autoria:

Abandono
O meu corpo é uma estrela, dizes tu
Será que te lembras?

((Clicar na ligação e, em seguida, clicar no livro)

http://www.bookess.com/read/8962-versos-luso-brasileiros-/


Agradeço ao Editor Delmo Fonseca esta interessante oportunidade.

Nesta Antologia, Editora Sapere, participo com dois poemas, página 59. Aceitei, com consideração, já há uns meses, o convite do editor Delmo Fonseca, fazendo parte de um projecto que pretende unir autores lusófonos, promovendo também a Língua Portuguesa...

(Clicar na ligação e, em seguida, clicar no livro)

http://www.bookess.com/read/8962-versos-luso-brasileiros-/

Obrigada, Delmo Fonseca, por me ter "descoberto" e incentivado. Relembro a minha primeira participação literária, impressa, Antologia da Vida, cuja capa já incorpora o blogue.

Na praia arde o teu luzeiro



Parece que as palavras nasceram nestas imagens.
O trecho musical conferiu-lhes uma beleza penetrante.
Obrigada Ricardo.

Cavas fundo amigo


Cavas fundo amigo

não te comprazes
com  palavras bailarinas
que enfeitiçam e deleitam
fugazes e loucas  ilusões

Cavas fundo amigo
à luz de pirilampos
extrais pela raiz
angústias,  prazeres e paixões
e amas em fúria de tempestade

Cavas fundo amigo
queres da história a verdade
e arrancas varas verdes
palavras de transformação
que em fantasia  se  libertarão

Teresa Almeida  29.06.2011

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Brincos de cereijas

Bastan-me uns brincos de cereija
para me sentir nina
Nunca çquecerei ls brincos
nien las altas cereijeiras
an que me ancarrapitaba

Corrie suonhos an lhadeiras
cun gusto a cereija braba
 
Cereija braba pequerrica
q´uinda traç colgados
ls mius suonhos de nina
Teresa Almeida 09.06.11

Oitavo dia