segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Desencanto


Grande é a surpresa
que me deste
maior que a alegria que despertaste

O riso
que caminhava para o dia
deixou de perceber a ausência

Nada como a música e a pintura
para aprender a distância
anular o espanto
e escrever, escrever

O desaire, o desencanto
arrumados na prateleira
definitivamente

que o pó os tape em camadas seculares

segunda-feira, 8 de Agosto de 2011

domingo, 7 de agosto de 2011

MUSICALIDADE


Escrevo com estranha leveza
como quem quer dedilhar
a música das palavras
e soltar emoções desatinadas

Nos passos do dia a dia
flutuo na musicalidade
e apanho leve a melodia

Os sons evoluem em cores

As palavras rodopiam
na roda dos sentidos
arrastam-se pela noite
em acordes de orquestra
arrebatadores

gemem em sons de violino
mágoas de anoitecer
que de mim se escapam

Na música das palavras
pressinto a luz a nascer


Teresa Almeida 06-07-2011

sábado, 6 de agosto de 2011

Clarão/2011


Negras são as pedras
que adormeceram na noite
do ano que findou
Negras eram as mágoas
que em lágrimas se derramaram
e em espuma desabaram
Forte e audaz o clarão
que a tristeza ofuscou
e novo desejo despertou
O desejo que no peito ardia
na madrugada explodia
Tesouros de afecto
em pedregulhos guardados
E em praias de vida
Desvendados

Teresa Almeida 01-01-2011

sábado, 30 de julho de 2011

Abraço impulsivo


nasceu à flor do dia
como o café que apetece ser tomado
em companhia

O gesto indisfarçado
retrocedeu

Um esboço de iniciado
um jeito ténue, balançado
em lances de fantasia

Teresa Almeida 29-07-2011

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Por amor, voltei




Houve um sonho em que
duma dura realidade me evadi
O sentido da minha vida
convosco, à beira-mar passeava
No infinito
acarinhava os vossos passos
e, naquele limbo
uma paz imensa consegui
porque eu vos amava
Meu Deus, como lutei
por essa paz que em sonhos almejei
Mas o apego era tanto
que de amor acordei

Essa experiência não poderei esquecer
é chegada a hora de a escrever
porque do sonho escapei
e porque vós quisestes
a casa voltei

Teresa Almeida 25-07-2011

Perfume de figueira


Um perfume aceso de figueira
rasga-me novos caminhos
entre noras e moinhos

mesmo esquecidos, moem saudades
e cantam madrigais
a searas loiras e maduras

Esgueiram-se palavras entre canaviais
que se agrupam e rimam
com a força da procura

Puxo a lapiseira rasca e escrevo

numa rifa qualquer
à sombra da figueira selvagem
com figos vermelhos a crescer

Trinados e música de cachoeira
é tudo quanto preciso
para te sentir à minha beira

Teresa Almeida 28/07/2011

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Clarividência





















Fascinada, paro e olho devagar
momento de meditação
como monge que se retira
por opção
Há um apelo na natureza
permanente
sei que a ela pertenço
eternamente
Filosofia estéril, inconsciente

Pela ponte seduzida
em nobre arte e aço lavrada
em zona deprimida, grita
elegância, porte e altivez
em íngremes ladeiras implantada
de alicerces fragilizada

Apetece saborear
com audácia e asas de abutre
uma viragem no rumo
um salto no abismo
e, de novo, ressurgir
em alturas me arvorar
e, em clarividência
uma filosofia de vida alinhar

Teresa Almeida 29.01.2011

Oitavo dia