domingo, 18 de setembro de 2011

Sentei-me à noite ao luar

É uma bela pintura que estou a ver
ou estarei a sonhar?




Os  holofotes que incendeiam a  noite
e bordam a ouro as catedrais
serão reais?

As estradas brancas num azul cerúleo
deste céu que agora é meu
aonde me levarão?

As estrelas que ao alto cintilam
e a colina que suavemente se reclina
serão para mim?

Enfeitiçada
fiquei aqui


Teresa Almeida 17-09-2011

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

SANTORINI

Santorini - Grécia


Ainda é de noite                                        
e eu vou a correr para o dia                  
levada num mar picado e bravo
lá onde os sonhos descem do céu
e se fazem poesia
que fala todas as línguas

É como em varanda de camarote
que espreito o dia e vejo Santorini
o mais belo holofote
aceso sobre escarpas de breu                                         
E foi sobre a manhã azul e branca
que a minha alma se vestiu de festa
e a palavra nasceu

Teresa Almeida 16-09-2011

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

La Bouba de La Tenerie



Ye nua lhéngua amerosa, l mirandés, que you acabo de ler La Bouba de la Tenerie,  delantre de l mar, al çponer de l sol, a camino de Santorini, ua ilha an que ls homes acendírun casas albas de niebe anriba de canhones negros cumo tiçon.

Porqui nacírun ls diuses i Apolo gusta de cçispar fuogo ne l cielo ne ls redadeiros sfergantes de l die.

Tamien este libbro cçispa puls caminos scuros de la anquesiçon i pula forma cumo eilha barriu l praino mirandés antre ls seclos XVI i XVII.

Si ye berdade que la lhéngua tanto puode ser
ousada cumo remédio para sanar cumo
arma para sembrar males (pg.141).                      
 Assi i todo  beio eiqui la magie,        
 l sonido i la fuorça de la palabra znuda
acontra la eignoránça, l medio
i l´antoleránça.

Brabo Fracisco Niebro




Teresa Almeida 09-09-2011

sábado, 3 de setembro de 2011

Da Índia, com saudade




Da Índia trouxe a seda               

que torna suave a minha pele

e mesmo que eu esteja despida

é da mais fina  seda que me vejo vestida


Da Índia trouxe sonhos imperiais

desfeitos em mares vermelhos de saudade

e templos de magia  imemoriais



Da Índia trouxe o calor que guardo no peito
e não me deixa arrefecer

 

Trouxe meiguice  e um perfume picante
                                                                                            em que te quero envolver









Esta melodia feita seda macia

eu trouxe da Índia

e não a quero esquecer

Teresa Almeida 13-11-2008

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Caminos de l mirandés

Fálan cula proa de quien sabe                

you meto-me ne l meio deilhes
zerta de curjidade

Assoma-se la música nas palabras

que scuito nun siléncio respeitoso
Ando  caminos de blogueiros
para buer este mirandés
bien bibo, adebertido i "altaneiro"

 Gusto de ber la cultura a bulhir                              
sinto i bibo esta lhéngua por drento
ancanta-me   l mirandés  berdadeiro

La música, la dança i las cantigas
Tambien  fazírun cun que nun se perdira
You que le canto i le  beilo hay tanto anho
nun quiero quedar de fuora

Oubrigada amigos
Teresa Almeida 20-08-2011
SARTI - Cerveja Artesanal
                                           Fabricada em Fonte Aldeia - Miranda do Douro
                                                                  A MELHOR CERVEJA

terça-feira, 23 de agosto de 2011

A Mourisca

Olhavam-se  no fundo dos olhos
O terror chamava-se mourisca
uma vitela amarelada e atrevida
com quem a minha amiga de 6 anos
 media forças com a vida

Era de aguilhada em punho
que respondia a perseguições desatinadas
por caminhos e cerrados
a pequenita assustada
 passou a ser mourisca também

Trazia na alma o desejo de voar
caldeado ao colo da mãe
terras de mouros eram o seu sonho
e o desejo fez-se cor e vida
quando se abriram os braços do pai

Hoje a aguilhada é o bico da caneta
que verte a intensidade das emoções
É o pincel que tranforma lágrimas em tons
e  solta a rebeldia,  a força e a doçura
de mourisca do planalto

Teresa Almeida 20-08-2011

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Puxo lentamente a cortina

Puxo  lentamente a cortina
Receio e curiosidade em igual medida
a janela do meu quarto passou a baloiçar
e o meu corpo lentamente a tremer
às vistas da noite em mar alto

Lá fora tanta água a dançar
pertinho da janela do meu quarto
Não consigo deixar de realizar
com o coração num punho
um filme louco  em mar alto

Amordaço a liberdade do pensamento
mudo o tema, altero a estória e a rima
o mar continua a oferecer-me música
a minha mão apanha o calor do teu corpo
e eu puxo lentamente a cortina


Teresa Almeida 22-08-2011

Oitavo dia