domingo, 9 de outubro de 2011

Morar no teu sorriso


O meu Livro


Abri o peito, soltaram-se luas,
Mordi os lábios e beijei a dor.
Toquei as mãos de dedos nuas
Bebi em ondas o meu suor.

Arranhei a alma, escrevi na pele,
Parti os olhos para não ver.
Comi despojos a saber a fel,
Morri assim por não te ter.

Acordei do sonho, nasceu o sol
Encurtei distâncias, fiz-me mar.
Eu fui veleiro, tu o farol,
No teu sorriso quero morar.
Acubri-te an tierra
Para an tierra medrares
Reguei-te de la fuonte
Para nun te secares
Medreste debrebe
Debrebe floriste
Fuste-te debrebe
Mas siempre beniste

Acubri-te na tierra
Fuorte te faziste

Arranquei-te las yerbas:
Cherinchos, yerbas mouras
Berdulagas, grama
Paridas pula tierra
Tan bien amanhada
Puis nun fáltan yerbas
Na tierra strecada                                        

Arranquei-te las yerbas
Sien te doler nada

Acubri-te an carino
Para te tirar l miedo
An beisos i abraços
Para que nun tritasses
Aperteste ls lhaços
Agarrando la cemba
Puis que naide dará
L que ne l peito nun tenga

Acubri-te an carino
Para que de drento te benga!


Screbido die 26, die de ls anhos de l miu filho mais nuobo, Rui.

sábado, 1 de outubro de 2011

EU SONHO

E eu sonho
nesta noite em que na terra
chispam estrelas
que uma pedra redonda feita planeta
acordou, de repente, da letargia
em que anoitecia

E eu sonho
que os montes ganharam bicos
como gritos estridentes
que picaram os céus
e acordaram os deuses
que loucos ficaram
com a loucura que  viram à solta

E as palavras  poéticas que deixaram
deslizavam em mares de revolta
e o planeta azul deixou de ser
o fogo do amor perdeu a chama
para em pedra se converter

E eu sonho
Que chisparão palavras feitas estrelas
de ternura,  beleza e clarividência
e com o brilho e a força delas
a pedra ganhará perfeita  rotação
e sempre seguirá
presa ao chão

E eu sonho…

Teresa Almeida 30-09-2011

 




quinta-feira, 29 de setembro de 2011

O teu olhar de veludo


Queria ser a fragância que desperta

com a brisa matinal
 e em ti se aninha


Queria ser a nota musical
que em ti tocou
 e raiz ganhou


Queria ser o arrepio
que te percorre a espinha
e o teu corpo desalinha

Queria  mais que tudo

acender a centelha

do teu olhar de veludo

Teresa Almeida  29-09-2011

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Agarra-te


Havia  um tumulto intenso
em olhares perdidos no mar imenso
as ondas revolviam tempestades
nascidas em mar profundo
e eu que tinha perdido o chão
desesperava

reluziam rugas desenhadas à pressa
apertavam-se mãos em fúria desusada
num barco que à deriva
balançava

Agarra-te  ouvia dizer
escrevem para te baralhar
as ideias navegam em confusão
segura o leme

Uma ponta de fio de razão
essa  corda de esperança
bordada a pontos luz
na linha do meu horizonte
procurava

 Teresa Almeida 26-09-2011

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Salpicos de ternura

Eu a julgar que entrava em ti
com aquela vontade chamuscada
de abraços a matar saudades…

com aquele fresquinho  sedutor   
que me cobria de poesias
em folhas loiras e avermelhadas
e a brisa que as desprendia
numa suave melodia
que nos teus braços me embalava

mas tu chegas  cheio de calor
secas as amoras silvestres 
que pelos caminhos saboreava
contigo

escondes  lágrimas  transparentes
salpicos de ternura
que espalhavas docemente
em minha pele

e eu quase não te encontro amigo
Teresa Almeida 23-09-2011

JÚLIO RESENDE





"Gostaria de ficar na memória como um pintor da paz"

          Júlio Resende

                 






Ye ua grande honra pa la nuossa tierra tener paredes cun pinturas tan guapas de l mestre.

Oitavo dia