quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Cumbite



Amadeu Ferreira cuntina, cun arte i antusiasmo, dando bida a la nuossa 2ª lhéngua oufecial L MIRANDÉS. 

Por esta obra i pula atebidade que ben zambolbendo deixo eiqui registado l miu aprécio i un grande abraço de parabienes.

Porque l'outor quedarie ancantado cula buossa perséncia publico eiqui l cumbite.

La Sé de Miranda ye na berdade l sítio cierto para este salimiento.
Bien háiades.

Beisicos

sábado, 5 de novembro de 2011

SAUDADE




 


É de saudade que a alma geme
nas cordas de uma guitarra
É na noite imensa que a saudade nasce
... e carpindo memórias e desamores
se faz ao fado na palavra

Feita de capas negras ondulantes
rota de beijos e abraços escondidos
sendo vadia e louca por natureza
em bares e becos anda perdida
só no coração fica presa

É de saudade que a folha cai
e faz o outono corar de prazer
é com a brisa que canta se esvai
roça e mói de bem querer
e as cordas da guitarra faz gemer

Ser português é sentir a saudade
de sulcar mares de coragem e ousadia
é lutar contra a injustiça e a fatalidade
e não ter medo de voltar à mocidade
de um tempo em que o sonho não doía

Teresa Almeida 05-11-2011

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Pinceladas poéticas

Muda tudo
numa pincelada, num tom incendiado
numa palavra a descoberto
num olhar...

O reencontro acontece
naquela nova nuance
que pela frincha da porta se esgueirou
e no tristonho e abandonado castelo
de ausências enegrecido
penetrou

O reencontro acontece
e um pulsar brilhante de estrelas
faz tremer de intenso prazer
aquela tela
como um raio de sol
em manhã pardacenta
como arco-íris pintado na palavra
que em deleite se espalha
estonteada

e deambula
em versos prenhes de natureza
em arcos, muralhas e laços
e baila no terreiro
em luz, cor e harmonia
e pela noite dentro se aclara e se faz dia

Muda tudo
numa palavra, num tom incendiado
num olhar enamorado

Teresa Almeida 01-10-2011

domingo, 30 de outubro de 2011

Amigos de Lagoaça


                       
É a saudade que aperta

e levou o amigo Ramalho

a abrir um portal sem medidas
e os amigos de Lagoaça
pardais destes e de outros tempos
andam agora num rodopio
e voam de galho em galho
em oliveiras de arribas
como nos lembra o Abílio


Uns escrevem pela noite dentro
outros ao romper da aurora
e os que comentam e apoiam
e como o Antunes contam

de Lagoaça a história
para matar a louca saudade
fazem aqui um grande encontro
uma página de amizade

É a saudade que aperta
quando o Sobral abre com graça
 memórias da fonte da praça
e dos passeios à estação
É a saudade que aperta
dos tempos que já lá vão
quando o nosso amigo Miro
recorda o encanto que tinha
um passeio à cruzinha

É a saudade que aperta
e bate forte nos Açores
Em tão exuberante natureza
até Deus se perdeu de amores
e quase todos os dias
recebemos do Manuel Pires
um especial  ramalhete de flores

quinta-feira, 27 de outubro de 2011



Levantei-me hoje cedo
E no leito do rio havia
Um tecido de cambraia
que a luz refletia
Cortei o melhor bocado
E vesti-me de poesia


Teresa Almeida 02-03-2011

domingo, 23 de outubro de 2011

L corneteiro de D. Fonso Anriqueç


Diç que antigamiente, ne l tiempo de ls reis i de las rainhas, an que las pitas tenien dientes, diç que, anton - l storiadores que me perdónen se bou a dezir algun çparate - quando se cunquistaba ua cidade, era questume todo mundo de l eizército ambasor tener parte ne l "saque". Mas nun era assi de qualquiera maneira: solo se podie ampeçar a arrebanhar l que se ancuntraba quando l quemandante d el eizército, l rei, disse l'orde para ampeçar i acababa quando l rei mandasse parar. Ora, essas ordes éran dadas pul corneteiro de l rei: un toque para ampeçar i outro, çfrente, para parar.
Muito bien. Diç que, anton, quando l eizército de D. Fonso cunquistou Lisboua, aquilho staba todo mundo culs pios ne l "arrebanhadeiro" que se iba a seguir, que Lisboua yá naquel tiempo tenie fama de haber muito adonde botar la mano.
Pus si senhor, arrumbadas las puortas i alhebantada la bandeira Pertuesa, D. Fonso chamou anton l corneteiro i dixo-le que a tal hora dira l toque para ampeçar i que al streponer l sol dira l toque para parar. Ora, l nuosso heirói, l lhafrau de l corneteiro, a la hora treminada si dou l toque para ampeçar, mas apuis, mius homes, bós manginai-bos, un pouca-roupa "de l norte", la purmeira beç an Lisboua i cun licença para botar la mano al que se le antolhasse, aquilho l home passou-le cumo al de Ruolos, cegou-se culas riquezas i culs ancantos de la "moirama" i, bardinote, amborrachou-se, anrodelhou-se ne ls béus de ua filha de Maomé, perdiu-le l tino a la corneta i squeciu-se-le de tocar para parar.
De maneira que, i cumo manda la lei de D. Fonso que naide dá fé de haber sido "rebogada", zde aquel tiempo, aquilho an Lisboua ye un ber quien arrebanha más i quien ye capaç de ajuntar l "saque" más taludo.
Anté hoije!
 
Alfredo Cameirão

Oitavo dia