sábado, 16 de fevereiro de 2013

CONVITE


Lançamento de " Ousadia"

Sexta- Feira, 22 de Fevereiro de 2011



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quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Em Fevereiro - noites de Maio!




Não sei se guardas aquela noite
jovem atrevida e descuidada
o riso a música a sedução
horas de Maio a despontar
o coração à flor da pele
e a noite no olhar a palpitar

e o embrião da flor
do amor a perturbação
sem hesitação nas voltas
soltas as notas da paixão
no Porto a noite enfeitiçada
nos corpos o ritmo a nascer

e era a chispa a excitação
e era voz apenas melodia
era intenso o calor da pele
era a dança que descobria
os abraços inquietos acertados
e a ousadia que na noite crescia

perdido o tino ao calendário
a descontração e o fulgor da mocidade
não sei se ainda guardas aquela noite
que de Fevereiro faz Maio
marco de dias, meses e anos
guarida da atração  que amadureceu
canção que na vida se entendeu

Ai, Valentim


Não sei se o mar teria
um marulhar tão sedutor
se não trouxesse à maresia
se não trouxesse à maresia
saudades do meu amor

E se as ondas não se desfizessem
em lágrimas e beijos à mistura
Talvez nem tu mesmo soubesses
talvez nem tu mesmo soubesses
que se desfazem de ternura

Não sei se o mar teria
este jeito apaixonado
se nos teus braços um dia
se nos teus braços um dia
eu não tivesse naufragado

Não sei se o mar seria
imenso louco e febril
se não trouxesse escondida
se não trouxesse escondida
esta paixão primaveril

E se hoje eu não escrevesse
na areia ansiosa e molhada
talvez o meu amor não soubesse
talvez o meu amor não soubesse
que ainda estou apaixonada

E se eu hoje não estivesse
no palco que se faz ao largo
talvez Valentim se entristecesse
Talvez Valentim se entristecesse
por não cantar o meu fado

Teresa Almeida


 

sábado, 9 de fevereiro de 2013

La magie de la praça

Torna atrás i sinte la simplecidade de la casa. Las arcadas acolhedoras
abráçan mos a la chegada. Ben a la baranda i sinte
la magie de la tarde cálida ne l Praino. Ua tarde cun sentimiento.
Sinte la sinfonie de la ribeira que mos refresca la miente
i l retombo de ls segredos de l mar ne l búzio de la mie anfáncia.
Esta baranda de prainada ten ua fruiçon abierta al eirreal
mas ye rial esta pracica, las casas i la giente que mora neilhas.
Ls ninos sóltan-se por ende a la macaca, a ua de la mula, a las scundidas...
Ye la praça que las cumbida.
Repara na risa de la tarde ne l mirar de la mie bezina.
Ne l aceinho cúmplice l prazer de l'amisade. L prazer de star hoije eiqui.
L perfume de l café ye ancumparable eilhi na splanada, nien sei porquei.
Mas sinte-se ambiente. Calor houmano. Cuntentamiento.
Ah i la roseira que chube la queluna de la casa al lhado la mie,
mais a la dreita, aqueilha que cedo spreita la manhana. Ye ua rosa bacará.
Yá solo ten ua rosa ye berdade, mas alhumbra la tarde.
I l tiempo ten eiqui un lhugar para ti. Nien te sei splicar
cumo quedas bien neste lhugar. Fazies falta. Ye qu'hai sítios
que nacírun assi cun alma i cumo ye buono aporbeitar
l sereno desta pracica. Stou na baranda i sinto te achegar
i la tarde queda inda mais guapa i la praça ten outro balor.
Mira cumo l´amargura de tou sumbrante se zbaneciu i sintes
esta buntade de bibir - cumo you.

A magia da praça

Volta atrás e sente a simplicidade da casa. As arcadas acolhedoras
abraçam-nos à chegada. Vem à varanda e sente
a magia da tarde cálida no planalto. Uma tarde com sentimento.
Sente a sinfonia da ribeira que nos refresca a mente
e o eco dos segredos do mar no búzio da minha infância.
Esta varanda planáltica tem uma fruição aberta ao irreal
mas é real esta pracinha e as casas e a gente que mora nelas.
As crianças soltam-se por aí à macaca, ao eixo, às escondidas...
É a praça que as convida.
Repara como sorri a tarde no olhar da minha vizinha.
No aceno cúmplice o prazer da amizade. O prazer de estar hoje aqui.
O perfume do café é incomparável ali na esplanada, nem sei porquê.
Mas sente-se ambiente. Calor humano. Contentamento.
Ah e a roseira que sobe a coluna da casa ao lado da minha,
mais à direita, aquela que cedo espreita a manhã. É uma rosa bacará.
Já só tem uma rosa é verdade, mas ilumina a tarde.
E o tempo tem aqui um lugar para ti. Nem te sei explicar
como ficas bem neste lugar. Fazias falta. É que há sítios
que nasceram assim com alma e como é bom aproveitar
a calma desta pracinha. Estou na varanda e sinto-te aproximar
e a tarde fica ainda mais harmoniosa e a praça tem outro valor.
Repara como o teu semblante se desvaneceu e sentes
esta vontade de viver - como eu.

Teresa Almeida

sábado, 19 de janeiro de 2013

Para ti, estrela incandescente

Hoje eu sou a nostalgia da tarde na espanada

espalhada em lágrimas plenas de reflexos emotivos

as patas das aves confundem-se, espelham-se

e cruzam-se num tango de amor ressentido

Na luz difusa desta tarde desfeita em chuva

até o sol te saúda com lenços de um rosa sedutor

e uma voz imensa e inquietante no marulhar das ondas

oferece-me um orfeão de poesia

O mar que não cabe em de si de alegria

esbraceja a meus pés

e esbraceja porque eu estou e não estou contigo

Hoje és estrela a brilhar em gotas de saudade

e eu que gostaria de beber a magia desta noite

em longuras planálticas te aplaudo, estrela incandescente

e desta esplanada de mágoa te escrevo

e busco o apaziguamento nas palavras

e nas nuvens que voam muito à frente

Em enorme ânsia te abraço

e me junto à multidão de cantos com sotaque

e uma linguagem inteligível a 300 km de distância.




Teresa Almeida




(Hoje em Porto de Poesia no Orfeão do Porto
Poetisa da noite - Ana bárbara de Santo António

Dinamizadora : Ana Homem albergaria)

 

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

"La rialidade ye einacreditable"

L'arble milenar abraçaba la casa. Era gigantesca i deixava que ls suonhos s'ancarrapitáran até se perdéren nas streilhas. Las portaladas eimensas abrien-se a la calor macie i premitien que la lhuç i la magie de la sabana africana antrássen sin trabones.

Talbeç esta bison atamasse l friu qu'apertaba las arbles znudas i prateadas que las bistas de l praino nordestino, na rialidade, ouferecie. Era un bício maduro este qu´ eilha tenie de oupir las persianas i abrir l die quando se lhebantaba, mesmo que ls cristales de carambelo bordassen un praino angaranhido.

Até nun cenairo eidílico l miedo puode ser assi: guapo, atlético i beloç cumo la pantera negra que saltou de l'arble i se sgueirou pula portalada de la sala.

Ye claro que la mulhier biu l peligro - claramente; tenie siempre l coraçon d'atalaia. Corriu pa l refúgio, mas la chabe era mui fraca an relaçon a la grima. Solo poderie pertencer a un almairo guardado an triato de trastes bielhos. Un pequeinho trinco, an andeble puorta, para porteger un tesouro sin précio: ls filhos.

Spertou an subressalto i dou l salto para fuora de l suonho. Até l'almofada tembraba de grima. Ye que la rialidade, tamien puode ser paborosa - einacreditable.

Anque spierta, eilha deixou que l suonho cuntinasse a galgar puls galhos dua magnífica arble, talbeç para ampedir que l miedo abaixasse.

 

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

De ti

De ti guardo a fantasia
roubada à socapa no jardim ao lado
guardo páginas rubras de poesia
um fado, um livro
e a urgência do romance
apenas começado

De ti guardo a liberdade do olhar
no fulgor perscrutador do silêncio
guardo palavras com aroma a café
e o diálogo acordado dos lábios
noite dentro

De ti guardo a alegria
de sementeira matinal
guardo a rosa rubra aberta à alvorada
e um cravo vermelho amadurecido
colhido por mãos que furtam flores
à madrugada


 

A LA FALA CUL MIRANDÉS