sexta-feira, 15 de março de 2013

Toda eu



Volúpias alvas, translúcidas, cobrem o meu corpo
quimeras  que a noite em mim sonhou
madrugadas irreais  acordam os picos da exaltação
e aclaram os tons em que a noite se deitou
as colinas desnudam-se fogosas num despertar dolente
o vale guarda ainda o meigo humidificar dos primeiros rebentos
força de vida a raiar lentamente
evoluem e fluem as cores do meu desassossego
vertidas em telas que o imaginário consente
o mar, a terra e o céu sou toda eu

Teresa Almeida


segunda-feira, 11 de março de 2013

Vale da Vilariça


Escorre-me o tempo entre os dedos
a neve é já rosada em picos traiçoeiros
racha-se de saudade a árvore dos segredos
e  veste-se o campo de flor de amendoeira

São de púrpura os risos da manhã
aflorada em vales intumescidos
são de alegria os cantos que se levantam
e verdes os matagais dos sentidos

Escorre-me o tempo entre os dedos
rejuvenesce o encanto da velha canção
insinua-se a cromática da Vilariça
e a tela acende-se na minha mão.
Teresa Almeida

sexta-feira, 8 de março de 2013

Mulher



Desnuda-te alma minha
rasga as nuvens que te toldam
contorna os pedregulhos
... e mesmo que nos mais aguçados te piques
lembra-te que são efémeros
imponderados
ergue a coragem às alturas
solta a energia que te anima
és mãe, filha, rainha do universo
caminha e toca a finura do alvorecer
ousa ser onda bravia e verdadeira
mulher inteira
veste-te de todas as cores
sente a melodia do teu céu
todos os dias
caminha na imensidão do amor
arrisca um mergulho na vida
privilégio teu


quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Fado e poesia



Convido os meus amigos para me acompanharem, logo à noite, num brinde ao Fado e à Poesia.


ousadia

Flutuo na musicalidade das palavras
no riso da minha mãe, no sorriso
e nos salpicos de ternura de filhas e netas
na saudade de um grande amigo - o meu pai
no quintal da minha avó, na eira e nos brincos de cerejas
corro sonhos em ladeiras
flutuo no encantamento do rio
na esperança e no aprumo dos pinheiros
e em fragrâncias de flor de laranjeira

mas nem sempre acerto o ritmo,
tropeço na falsidade, na dor, na desilusão,
no desencanto, na tempestade, no verso arrastado vadio
esfarrapado, no ciúme, no abandono e na ingratidão

mas puxo lentamente a cortina
agarro cordas de esperança
rasgo a Primavera do alto das arribas do Douro
assalto castelos, rompo sapatos
vagabundeio em desfiladeiros de amor
o meu tesouro

os sonhos fazem-se ao largo
 embrenho-me na sedução do mar e em nesgas de praia
onde o carinho é luzeiro, uma exaltação, um bem maior
deslumbro-me na Índia nos bailes repasseados, no som das gaitas de foles
devaneio num portão de mar

 numa varanda do Faial o esplendor, o fascínio original
 abro pastas de rosas prenhes de madrugadas e olhares de veludo
chispam estrelas nas palavras
 permaneço na alegria da nossa canção
e esta ousadia não controlo nem procuro saída
mais que tudo
a poesia é emoção, é um brinde à vida.



sábado, 16 de fevereiro de 2013

CONVITE


Lançamento de " Ousadia"

Sexta- Feira, 22 de Fevereiro de 2011



                                                  http://www.facebook.com/events/532607396771261/          

A LA FALA CUL MIRANDÉS