quarta-feira, 17 de abril de 2013

Apresentação da autora, Teresa Almeida e obra “Ousadia” – Casa Barbot – Vila Nova de Gaia



Era uma vez (todas as histórias têm sempre uma vez) uma menina de olhos esperança que se cruzaram em âmbito de trabalho. Algum tempo vivenciado com alma, com empenho, com vivacidade. A inevitável separação mas sem que houvesse vontade de perder o contacto. Alargou-se esta cumplicidade na pessoa da sua mãe, Teresa Almeida, a autora aqui presente.
Depois, foi a troca de ideias, a partilha de sentires, o incentivo para “ousar” divulgar os seus escritos. E o livro que deu à estampa, já estava inscrito na sua matriz genética.
Os poemas imagéticos fluem como como pinceladas em tela vazia, umas mais intimistas, outras mais soltas, colorindo a paisagem que é, em si mesmo, a sua pessoa.
Uma poesia das sensações, mesclando o visual, o auditivo e o olfativo no percurso vivencial de menina, moça e mulher. Mulher de pleno sentido, inteligência de emoções nos cenários com que coabita ou que nos faz vislumbrar nos versos ricos de imagens, enraizadas no telurismo próprio das suas origens e no mundo mais citadino por onde também deambulou e deambula frequentemente.
Estive presente no lançamento do seu “Ousadia”, em Miranda do Douro. Acompanho a sua poesia mas, sobretudo, conheço o seu deslumbramento por este novo mundo que são as pessoas e as palavras que as definem.
Do virtual ao real, tudo é como um passe de mágica quando a cumplicidade é suportada pela amizade. Assim, não podia deixar de estar presente nesta apresentação, em tão belo espaço, quase mítico.
Também não esqueço a tua presença no lançamento do meu “EM SUSPENSO”… Já passaram quase dois anos, mas o ontem é sempre um hoje para nós…
Parabéns, uma vez mais, por nos presenteares com a tua “Ousadia”, uma obra de audaz fantasia. Cumprimento a amiga, a autora, a mulher. E as palavras que são o teu poema/vida! Beijo-te, Teresa Almeida.

Odete Ferreira, 22-02-13
Magestic, Porto
- Mesa: Manuela Bulcão, Teresa Almeida, Odete Ferreira, José Sepúlveda. 

sábado, 30 de março de 2013

La mie rue

 
Rua da Rebola - Lagoaça
(Foto de Dalila Tomás)


A minha rua

A minha rua cobre-se de pétalas
coloridas e macias,
nasce o trigo nas janelas
e o cheiro silvestre das arribas.
Mantas alvas penduradas dão vivas.

Na minha rua sobe a música aos céus,
sente-se o repicado dos sinos
que vem do coração da aldeia.
Mesmo indo lá poucas vezes
sempre em mim os ouvirei.

Parece que queremos prender
o encanto da infância,
os primeiros passos na vida,
o calor, o riso, o olhar dos vizinhos
e as vozes que nasciam de madrugada.

Todos temos uma rua
e mesmo sem darmos conta
é ali que moramos,
como se brotassem primaveras
e sinos repicassem de alegria
nas pedras da calçada.



La mie rue

La mie rue inche-se de pítulas
queloridas i dóndias,
mana l trigo de las jinelas
i l cheiro silbestre de las arribas.
Mantas albas colgadas dan bibas.

Na mie rue chube la música als cielos,
sinte-se l repicado de las campanas
a benir de l Sagrado.
Mesmo q´alhá baia ralas bezes
siempre ne l miu coraçon las oubirei.

Parece que queremos assigurar
l ancanto de la nineç,
ls purmeiros passos na bida,
la  calor, la risa, l mirar de ls bezinos
i ls bózios que nacírun de madrugada.

Todos tenemos ua rue
i mesmo sien mos darmos de cuonta
alhá moramos,
cumo se nacíssen primaberas
i las campanas repicássen d´alegrie
nas piedras de la calçada.

Teresa Almeida Subtil



Rua da Malhada

Lagoaça

quarta-feira, 20 de março de 2013

Primavera

Este encanto que tu dizes
e as palavras que me cantas
quando em Março te levantas
e me abraças devagarinho

Este feitiço que espalhas
em explosões de alegria
este ritmo este riso esta fantasia
é um devaneio primaveril
num mundo insano

é até pecado sentir-te desta maneira
mas quero o teu ar de feiticeira
à solta no meu canteiro

Teresa Almeida

terça-feira, 19 de março de 2013

Pai

Deixo-te um beijo e uma flor
a ternura e a emoção
desta viagem sem tempo

deixo-te a alegria que guardo
de ti em cada momento
e esta segurança em mim

e este olhar raiado de amor
inteiro na minha mão
pai, deixo-te esta flor

e um beijo meu que colhi
no meu passo no teu jardim
nas flores que deixaste para mim

Teresa Almeida

sexta-feira, 15 de março de 2013

Toda eu



Volúpias alvas, translúcidas, cobrem o meu corpo
quimeras  que a noite em mim sonhou
madrugadas irreais  acordam os picos da exaltação
e aclaram os tons em que a noite se deitou
as colinas desnudam-se fogosas num despertar dolente
o vale guarda ainda o meigo humidificar dos primeiros rebentos
força de vida a raiar lentamente
evoluem e fluem as cores do meu desassossego
vertidas em telas que o imaginário consente
o mar, a terra e o céu sou toda eu

Teresa Almeida


segunda-feira, 11 de março de 2013

Vale da Vilariça


Escorre-me o tempo entre os dedos
a neve é já rosada em picos traiçoeiros
racha-se de saudade a árvore dos segredos
e  veste-se o campo de flor de amendoeira

São de púrpura os risos da manhã
aflorada em vales intumescidos
são de alegria os cantos que se levantam
e verdes os matagais dos sentidos

Escorre-me o tempo entre os dedos
rejuvenesce o encanto da velha canção
insinua-se a cromática da Vilariça
e a tela acende-se na minha mão.
Teresa Almeida

sexta-feira, 8 de março de 2013

Mulher



Desnuda-te alma minha
rasga as nuvens que te toldam
contorna os pedregulhos
... e mesmo que nos mais aguçados te piques
lembra-te que são efémeros
imponderados
ergue a coragem às alturas
solta a energia que te anima
és mãe, filha, rainha do universo
caminha e toca a finura do alvorecer
ousa ser onda bravia e verdadeira
mulher inteira
veste-te de todas as cores
sente a melodia do teu céu
todos os dias
caminha na imensidão do amor
arrisca um mergulho na vida
privilégio teu


A LA FALA CUL MIRANDÉS