sábado, 8 de março de 2014

La Mulhier i la poesie

 (Hoje, em Miranda do Douro)

Mulhier
porquei stamos hoije eiqui?
ye l nuosso die si,
 l die de la mulhier de l praino
de la mulhier mirandesa
bien andrento de l alma pertuesa.
I nun son todos  ls dies dezde que
tenemos  un filho na barriga?
Si, porque la mulhier ye mai,
 mas ye filha tamien;
 i agarra  l mundo ne ls braços
 i lo ambala por ende i le dá guarida,
cun  carino debino de quien la bida  ten.
Ye ua frol que se zarrolha i amadurece
na alegrie i na tristeza,
de mano dada quando alguien percisa.
Ye buono tener l´home cun nós, al lhado
nun ye cierto?
sien el acerquita que grácia tenerie?
Que si me gusta  ber-los hoije eiqui,
nesta fiesta tan galana!

Hai sfregantes an que la zgrácia mos apanha
i l delor  mos droba la spina.
Anton, son l amor i l'amisade la melhor cumpanha,
l furmiento de la sociadade
la fuorça que mos fai andar camino
cun magie ne l'oulhar.
De que sirbe botarmos-mos ambaixo
se la nuossa hora chigará, yá  l sabemos.
Assi i todo, agarremos cada die, cuntentas, 
cumo se  derradeiro fuora,
cantemos  ne l mirar de ls filhos, de l cumpanheiro,
de ls pais, de ls amigos - bielhos  ou nuobos.
La bida anda a la ruoda  i manhana seran outros
que staran eiqui i cuido you que cantaran
nesta lhéngua amerosa
 la mulhier i la poesie.

A MULHER E A POESIA

Mulher
porque estamos hoje aqui?
É o nosso dia sim!
O dia da mulher do planalto
o dia da mulher mirandesa,
bem dentro da alma portuguesa.
E não são todos  os dias desde que
temos um filho na barriga?
Sim, porque a mulher é mãe
mas é filha também!
E agarra o mundo nos braços
 e o embala e lhe dá guarida,
com  carinho divino de quem vida tem.
É uma flor que desabrocha e amadurece
na alegria e na tristeza,
de mão  dada quando alguém precisa.
É bom ter o homem connosco, ao lado
não é certo?
Sem ele por perto que graça teria?
Sim, gosto de os ver hoje, aqui,
nesta festa tão bonita!
Há momentos em que a desgraça nos apanha
e a dor nos dobra a espinha
Então é o amor e a amizade a melhor companhia,
o fermento da sociedade
a força que nos faz continuar o caminho.
De que serve deixarmo-nos ir abaixo
se a nossa hora chegará, já o sabemos.
Agarremos, então cada dia, contentes
como se fosse o último.
Cantemos no olhar dos filhos, do companheiro,
dos pais, dos amigos - velhos ou novos.
A vida anda à roda  e, amanhã, serão outros
que estarão aqui e penso eu que cantarão
nesta língua amerosa
a mulher e a poesia.

Teresa Almeida

terça-feira, 4 de março de 2014

Poesia na galeria





 
Sinto o encantamento a sugar-me os sentidos.
Desço as escadas e na arte, consagrada, ascendo.  
Mares e caravelas ganham vida, viajam na palavra
 e fazem-se poesia que cresce ao descer a escada;
 um movimento em passo de dança versificada.
E eu desço entrelaçada  na melodia e no desafio.
 E este passo e esta dança evoluem em sonoridades tais
que me fazem acreditar que todo este enredo me quer
e me mostra que nem sempre estou presente neste mundo.
Pressinto um mistério profundo de quem  balança
na harmonia entre a pintura, a música, o verso e a dança.
Harmonia que me guia. Sinto que este dia pela vida se estende,
e vou deslizando no divinal poema que na galeria se aprende.
 
Sem nunca ter estado na galeria - escrevo
o entusiasmo e a vontade de, ali, viver poesia.
 
Teresa Almeida

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014


Mulher e chama

 

 sou-te presente mulher e chama
ímpeto fremente de lua abandonada
aberta ao calor na turbulência da noite
ignota fonte de ternura derramada
 
na tua pele terno leito desejado
no teu peito celestial momento
estrela perdida em teu horizonte
   faísca a galope, calendário sem tempo 
 
vem ter comigo, vem e faz-me
florir no inverno, rubra de desejo
a gemer num beijo louca de saudade
 
vem ter comigo, vem e traz-me
a verdade e o lance de um condor
e nos céus do Prazer voarei contigo
 Teresa Almeida

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

"Pathétique"

 
Talvez como quem justifica a dor da ausência

mandaste-me Tchaikovsky como embaixador.
 
 
Interpretei os silêncios  da sinfonia (era a 6º )

 como quem se prepara e espera do amor

uma avalanche de emoções. Depois sentia-as fluir,

por antecipação, deslizando na amargura,

na saudade, na ânsia. O rosto molhado e o olhar entranhado

na apoteose de toadas finais. Porém, quando a melodia hesita

 e treme nas íntimas fímbrias do meu peito,

 quero adivinhar novos acordes - sinfonias de euforia.
 
 
E foi assim, nesta manhã estremunhada e opaca,

que Tchaikovsky ocultou as estrelas que nos adormeceram

e a orquestra tocou - demoradamente - só para nós!
 
Teresa Almeida
Rio Douro - Miranda do Douro

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

País decerto


Senti-te seda na minha pele, especiaria
poema pujante que de dor se arrastava
e de impossíveis se alimentava.
Trazias a cegueira e a visão na pena de Camões
a lágrima de Amália
o violento e derradeiro amor de Pedro e Inês,
ou deste a vez à poesia que te tocava de forma exacerbada?
 
Disseste a alegria do olhar e vestiste o verbo de melancolia
trouxeste a alma portuguesa naquela madrugada
do fado, a tristeza a corroer-te.
Deixa-me dizer-te que vieste comigo na brisa marítima
que meus cabelos acariciava
e na onda invulgar que meu peito sossegava.
 
Hoje
deposito na profundidade deste mar
a vontade de um poema feito ternura e grandeza
marcado de sensibilidade
deposito e grito, esconjuro e sonho um país decerto
que desperto, não morre de saudade.
 
Teresa Almeida






segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Pantera Negra



predestinado, vieste lá de longe
na atitude atlética, doce e feroz
de nós fizeste admiradores e poetas
contigo pelo mundo aos pontapés
 
colados ao teu efeito magnético
o ópio do povo voando nos teus pés
e num lance de pantera, sempre novo
maior do que um grande clube tu és
 
do Porto minha alma contida e clubística
rende-te sentida e serena homenagem
és alto, és maior, és poema, és paixão
 
foste loucura, simplicidade, alienação
foste a voz que no mundo explodiu
e ficarás lenda viva - saudade em nós
 
Teresa Almeida

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

O perfume do verso


Ser poeta não é só escrever versos

é saber criar um clima de liberdade

é cevar em ti o desejo de renascer

e no deserto das ideias maltratadas

 dar-te a chave do céu e do prazer


ser poeta é saber beijar as palavras

e despir-te dentro delas sem alarde

saber que  o poema não voa nem arde

se a lira não afinar ao teu toque

e um único perfume o verso não tiver

Teresa Almeida


A LA FALA CUL MIRANDÉS