terça-feira, 8 de abril de 2014
sexta-feira, 28 de março de 2014
Teatro e vida
Essa energia que te atira ao alto,
esse riso, essa mímica, irresistível atração,
sobressalto, questionamento, aflição,
esse chão e esse palco que te amolece.
Há alegria que pisas e um céu que te arrebata,
olhar que fulmina de ódio e se derrete
contradição que te anima, grito, revolta,
vontade de dar a volta e dizer não
ao sim sem força.
Ah, esse fingimento de seres,
essa glória, esse fulgor,
essa prisão.
Esse voo maior é teatro e vida
momento fugaz, dor que aperta,
poeta rebelde, dura paixão, querer,
peça gasta, que nunca te afasta
do menino assustado,
a tremer na vontade de crescer.
Teresa Almeida
segunda-feira, 17 de março de 2014
Desperto
Desperto fazendo-me nua na palavra,
escrita no fulgor de rara melodia,
acariciada num trecho musical único, invulgar,
tão intenso que te pressinto a reger-me os sentidos.
Os acordes espraiam-se no meu corpo e os dedos
deslizam na energia que se faz palpável.
Ah! e aquele tom que soltaste mais além
imbuído de uma ponta de ciúme - adorável!
Sim, sei que essa trilha não é minha
e não percebo porque me colei, como se o tema
tivesse nascido para mim, pleno de intensidade.
Até me vejo poetisa, sim, no poder de te ver e te ter
na voz, na emoção e na singeleza do verso original.
Teresa Almeida
sábado, 8 de março de 2014
La Mulhier i la poesie
(Hoje, em Miranda do Douro)
Mulhier
porquei stamos hoije eiqui?
ye l nuosso die si,
l die de la mulhier de l praino
de la mulhier mirandesa
bien andrento de l alma pertuesa.
I nun son todos ls dies dezde que
tenemos un filho na barriga?
Si, porque la mulhier ye mai,
mas ye filha tamien;
i agarra l mundo ne ls braços
i lo ambala por ende i le dá guarida,
cun carino debino de quien la bida ten.
Ye ua frol que se zarrolha i amadurece
na alegrie i na tristeza,
de mano dada quando alguien percisa.
Ye buono tener l´home cun nós, al lhado
nun ye cierto?
sien el acerquita que grácia tenerie?
Que si me gusta ber-los hoije eiqui,
nesta fiesta tan galana!
Hai sfregantes an que la zgrácia mos apanha
i l delor mos droba la spina.
Anton, son l amor i l'amisade la melhor cumpanha,
l furmiento de la sociadade
la fuorça que mos fai andar camino
cun magie ne l'oulhar.
De que sirbe botarmos-mos ambaixo
se la nuossa hora chigará, yá l sabemos.
Assi i todo, agarremos cada die, cuntentas,
cumo se derradeiro fuora,
cantemos ne l mirar de ls filhos, de l cumpanheiro,
de ls pais, de ls amigos - bielhos ou nuobos.
La bida anda a la ruoda i manhana seran outros
que staran eiqui i cuido you que cantaran
nesta lhéngua amerosa
la mulhier i la poesie.
A MULHER E A POESIA
Mulher
porque estamos hoje aqui?
É o nosso dia sim!
O dia da mulher do planalto
o dia da mulher mirandesa,
bem dentro da alma portuguesa.
E não são todos os dias desde que
temos um filho na barriga?
Sim, porque a mulher é mãe
mas é filha também!
E agarra o mundo nos braços
e o embala e lhe dá guarida,
com carinho divino de quem vida tem.
É uma flor que desabrocha e amadurece
na alegria e na tristeza,
de mão dada quando alguém precisa.
É bom ter o homem connosco, ao lado
não é certo?
Sem ele por perto que graça teria?
Sim, gosto de os ver hoje, aqui,
nesta festa tão bonita!
Há momentos em que a desgraça nos apanha
e a dor nos dobra a espinha
Então é o amor e a amizade a melhor companhia,
o fermento da sociedade
a força que nos faz continuar o caminho.
De que serve deixarmo-nos ir abaixo
se a nossa hora chegará, já o sabemos.
Agarremos, então cada dia, contentes
como se fosse o último.
Cantemos no olhar dos filhos, do companheiro,
dos pais, dos amigos - velhos ou novos.
A vida anda à roda e, amanhã, serão outros
que estarão aqui e penso eu que cantarão
nesta língua amerosa
a mulher e a poesia.
Teresa Almeida
Mulhier
porquei stamos hoije eiqui?
ye l nuosso die si,
l die de la mulhier de l praino
de la mulhier mirandesa
bien andrento de l alma pertuesa.
I nun son todos ls dies dezde que
tenemos un filho na barriga?
Si, porque la mulhier ye mai,
mas ye filha tamien;
i agarra l mundo ne ls braços
i lo ambala por ende i le dá guarida,
cun carino debino de quien la bida ten.
Ye ua frol que se zarrolha i amadurece
na alegrie i na tristeza,
de mano dada quando alguien percisa.
Ye buono tener l´home cun nós, al lhado
nun ye cierto?
sien el acerquita que grácia tenerie?
Que si me gusta ber-los hoije eiqui,
nesta fiesta tan galana!
Hai sfregantes an que la zgrácia mos apanha
i l delor mos droba la spina.
Anton, son l amor i l'amisade la melhor cumpanha,
l furmiento de la sociadade
la fuorça que mos fai andar camino
cun magie ne l'oulhar.
De que sirbe botarmos-mos ambaixo
se la nuossa hora chigará, yá l sabemos.
Assi i todo, agarremos cada die, cuntentas,
cumo se derradeiro fuora,
cantemos ne l mirar de ls filhos, de l cumpanheiro,
de ls pais, de ls amigos - bielhos ou nuobos.
La bida anda a la ruoda i manhana seran outros
que staran eiqui i cuido you que cantaran
nesta lhéngua amerosa
la mulhier i la poesie.
A MULHER E A POESIA
Mulher
porque estamos hoje aqui?
É o nosso dia sim!
O dia da mulher do planalto
o dia da mulher mirandesa,
bem dentro da alma portuguesa.
E não são todos os dias desde que
temos um filho na barriga?
Sim, porque a mulher é mãe
mas é filha também!
E agarra o mundo nos braços
e o embala e lhe dá guarida,
com carinho divino de quem vida tem.
É uma flor que desabrocha e amadurece
na alegria e na tristeza,
de mão dada quando alguém precisa.
É bom ter o homem connosco, ao lado
não é certo?
Sem ele por perto que graça teria?
Sim, gosto de os ver hoje, aqui,
nesta festa tão bonita!
Há momentos em que a desgraça nos apanha
e a dor nos dobra a espinha
Então é o amor e a amizade a melhor companhia,
o fermento da sociedade
a força que nos faz continuar o caminho.
De que serve deixarmo-nos ir abaixo
se a nossa hora chegará, já o sabemos.
Agarremos, então cada dia, contentes
como se fosse o último.
Cantemos no olhar dos filhos, do companheiro,
dos pais, dos amigos - velhos ou novos.
A vida anda à roda e, amanhã, serão outros
que estarão aqui e penso eu que cantarão
nesta língua amerosa
a mulher e a poesia.
Teresa Almeida
terça-feira, 4 de março de 2014
Poesia na galeria
Sinto o encantamento a sugar-me
os sentidos.
Desço as escadas e na arte,
consagrada, ascendo.
Mares e caravelas ganham vida, viajam
na palavra
e fazem-se poesia que cresce ao descer a
escada;
um movimento em passo de dança versificada.
E eu desço entrelaçada na melodia e no desafio.
E este passo e esta dança evoluem em
sonoridades tais
que me fazem acreditar que todo
este enredo me quer
e me mostra que nem sempre estou
presente neste mundo.
Pressinto um mistério profundo de
quem balança
na harmonia entre a pintura, a
música, o verso e a dança.
Harmonia que me guia. Sinto que este
dia pela vida se estende,
e vou deslizando no divinal poema
que na galeria se aprende.
Sem nunca ter estado na galeria
- escrevo
o entusiasmo e a vontade de,
ali, viver poesia.
Teresa Almeida
sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014
Mulher e chama
sou-te presente
mulher e chama
ímpeto fremente de lua abandonada
aberta ao calor na turbulência da noite
ignota fonte de ternura derramada
na tua pele terno leito desejado
no teu peito celestial momento
estrela perdida em teu horizonte
faísca a galope, calendário sem tempo
vem ter comigo, vem e faz-me
florir no inverno, rubra de desejo
a gemer num beijo louca de saudade
vem ter comigo, vem e traz-me
a verdade e o lance de um condor
e nos céus do Prazer voarei contigo
terça-feira, 4 de fevereiro de 2014
"Pathétique"
Talvez como quem justifica a dor da ausência
mandaste-me Tchaikovsky como embaixador.
mandaste-me Tchaikovsky como embaixador.
Interpretei os silêncios da sinfonia (era a 6º )
como quem se prepara e espera do amor
uma avalanche de emoções. Depois sentia-as fluir,
por antecipação, deslizando na amargura,
na saudade, na ânsia. O rosto molhado e o olhar entranhado
na apoteose de toadas finais. Porém, quando a melodia hesita
e treme nas íntimas fímbrias do meu peito,
quero adivinhar novos acordes - sinfonias de euforia.
como quem se prepara e espera do amor
uma avalanche de emoções. Depois sentia-as fluir,
por antecipação, deslizando na amargura,
na saudade, na ânsia. O rosto molhado e o olhar entranhado
na apoteose de toadas finais. Porém, quando a melodia hesita
e treme nas íntimas fímbrias do meu peito,
quero adivinhar novos acordes - sinfonias de euforia.
E foi assim, nesta manhã estremunhada e opaca,
que Tchaikovsky ocultou as estrelas que nos adormeceram
e a orquestra tocou - demoradamente - só para nós!
que Tchaikovsky ocultou as estrelas que nos adormeceram
e a orquestra tocou - demoradamente - só para nós!
Teresa Almeida
Rio Douro - Miranda do Douro
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