quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

Hora da Poesia Rádio Vizela


Acabei de gravar "Lhenços, boinas i saltaretes" para um programa que não gosto de perder: "A hora da poesia", na rádio Vizela. O meu coração enche-se de glória por levar a LÍNGUA MIRANDESA", pouco que seja, a um espaço que trata a poesia com esmero, devoção e brilho. Apesar de eu ser neofalante, a minha paixão é um voo sem limites.
O meu Pc fez atualizações demoradas mas como - por encomenda - deixou-me uma fabulosa imagem do meu rio. Como se quisesse felicitar-nos. É ele que me arrepia e me eleva às alturas em que sinto o eco da palavra.
O meu imenso abraço a Conceição Lima e à Rádio Vizela.

domingo, 17 de dezembro de 2017

Lenços, boinas e rebuçados

Publiquei este poema (pela primeira vez), na "LITERATURA DE NATAL" da Academia de Letras de Trás-os- Montes/2017. É que sinto nele várias assinaturas. O Natal, na minha infância  era íntimo e pleno de afetos. 




Lenços, boinas e rebuçados

A boina, comprada em contrabando
Tua imagem de marca.
Tempo de telhados escuros e carambelo
Pendurado. Rebuçados da criançada.
E a salto era a vida entre povos irmãos.
E eram de seda os lenços
Que trazias junto ao coração.

Os sonhos sobravam-te nas mãos.
E passavam para as minhas – pequeninas.
Multiplicados.
As estrelas exultavam nos teus olhos.
E os meus eram borboletas e botões.
Trinados e campainhas.

Entre os dois, o riso era rio de infinitos.
O picão dos medos era púlpito de salmos.
E na ternura da tua voz e ao frio abraçado
Trazias o Natal para nós.

Pai, que bem te ficava a boina!

Teresa Almeida Subtil





Participação em E-Book, no Solar dos Poetas




domingo, 10 de dezembro de 2017

Natal 2017


Arde o madeiro perto da igreja
Sinos repicam e rasgam os céus
E em toda a bondade que em nós se almeja
Há um verdadeiro encontro com Deus

Sem roupa, sem abrigo e sem comida
Falham desígnios do criador
É por isso que se espera outra vida
Nosso mundo reclama o salvador

E com as cantigas de antigamente
Fica mais forte esta dor, mais pungente
Mais distante e amargo o bem-querer

E por cada sofrimento inocente
A humanidade chora descrente
O deus menino está AINDA por nascer

Teresa Almeida Subtil






sábado, 2 de dezembro de 2017





E o perfume?

Hei-de levar as palavras desajustadas, duras e toscas
e delas farei rústicos peitoris onde se espelhará a alvorada.
Hei de atirar a raiva pelas janelas, e elas só poderão ser azuis
com caixilhos de luar. As rendas e as cortinas serão esburacadas,
marcadas e furadas pelos beijos de sol e até de vento.
O meu poema terá que ter ritmo, calor, movimento.
Nascerá pela tarde à hora do sol-pôr e lutará contra
a torrente que força o rio a escurecer. Serei verde, sempre verde,
e viverei na alegria da oliveira e no romantismo da laranjeira.
Será na árvore milenar, na pele duramente enrugada,
nos nós gretados de ausências, de precariedade, 
que os ninhos de esperança terão lugar. Dela penderá o cântaro,
abraçado pela cintura da tarde, só para ver a sede acontecer.
Quero ser o sumo das palavras espalhadas pelo pomar,
morto de saudades. Meus cabelos serão líquenes
 em cinzento prateado, plenos de liberdade. Do azedume
farei vigílias. As portas irão abrir-se aos pardais
desamparados. Presente estará sempre o amor. E o perfume?
Virá do jasmim, entrançado na parede, alicerce do poema,
e percorrerá a varanda voltada a nascente.


I l prefume?

Hei-de lhebar las palabras zajustadas, duras i mal andonadas
i deilhas fazerei rústicos peitoriles adonde se spelhará l'ourora.
Hei d'atirar la rábia pulas jinelas, i eilhas só poderan ser azules
cun queixilhos de lhuna. Las rendas i las cortinas seran sburacadas,
marcadas i furadas puls beisos de sol i até de biento.
L miu poema deberá tener cumpasso, calor, córrio.
Nacerá pula tarde a l'hora de l çponer l sol i lhuitará acontra
la torriente que lheba l riu a scurecer. Serei berde, siempre berde,
i bibirei na alegrie de l'oulibeira i ne l remantismo de la laranjeira.
Será na arble milenar, na piel duramente angurriada,
ne ls nuolos sgretados d'ouséncias, sien speques,
que ls nials de sperança teneran lhugar. Deilha se colgará l cántaro,
abraçado pula cintura de la tarde, solo para ber la sede acuntecer.
Quiero ser l çumo de las palabras spargidas pul pomar,
muorto de soudades. Mius pelos seran patrielhas
 an cinza pratiado, chenos de lhiberdade.De l azedume
fazerei begílias. Las puortas eiran abrir-se als páixaros
zamparados. Persente stará siempre l amor. I l prefume?
Benerá de l jasmin, antalisgado na parede, pie-de-amigo
de l poema, i zinará pula baranda birada a naciente.


Teresa Almeida Subtil 

(in Rio de Infinitos/ Riu d'Anfenitos)

domingo, 26 de novembro de 2017

De mão dada

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Eras ainda botão para seres molestada.
Perdida entre a noite e o dia. E olhos no chão.
Sofrida. Menina desbotada.
E pela vida estropiada, não percebias
Que nem todos os gestos seriam despudor.
Não chegaste a ser flor que ao orvalho abrisse
E a alvorada não te acordou mulher
Nem o amor te desabrochou as pétalas
Nem te aflorou a seda nem a formusura.
Olhos no chão. Dura sina. Enxutas lágrimas.
Quase a sucumbir, quase fora da estrada,
Surgiu a mão,
O aconchego e o estímulo.
E um mundo maior. E um poema que começaste a ler.
Abandonaste uma história escura,
De vão de escada.
Levantaste o olhar e nas estrelas escreveste.
Amanheces viva, agora. Passo seguro.
De mão dada. E a rua é tua amiga.
És gota que o sol beijou. Pássaro que voou.
Natureza. Mulher. Mãe – ternura.

Teresa Almeida Subtil
25-11-2017

(Desafio poético: um olhar sobre o assédio.)

(imagem retirada da internet)

terça-feira, 21 de novembro de 2017

"...Há um rio que nos une. E um mar que nos recolhe. Há uma alvorada e um ocaso que nos define e aproxima.
E a inspiração, esse voo de águia sobre os penhascos que miram as águas puras do nosso rio, nasce em cada recanto, em cada meandro que o Douro desenha, como se dum fulgurante nascer do sol se tratasse.
Cito Alexandre O’Neil quando disse que;
“Há palavras que nos beijam/Como se tivessem boca”
E eu afirmo: como é bom sentir o afago desta boca!
Há quem junte palavras e há quem se faça juntar através das palavras. Na Teresa as palavras ganham vida própria em cada verso. Mexem dentro do peito de quem as lê e, surpreendentemente, permanecem lá bem junto ao lugar onde comummente existe a alma em forma de coração.
A Teresa parece que flutua sobre as nuvens tal é a intensidade do seu talento. E a magia que coloca em cada verso rouba brilho ao sol e constrói um novo céu.
"…de repente
O olhar fica cativo
Da liberdade do sol a romper o ventre dos dias
E da ternura a florir nas tuas mãos”
Há livros que tem o condão de nos fazer querer ler sem parar e, ao mesmo tempo, nos obrigam a voltar ao princípio para os voltar a ler.
Há livros que nos dominam, que se entranham nos nossos olhos, que abrem janelas para parapeitos desconhecidos, que descobrem horizontes para além do mais bonito dos ocasos. Este Rio de Infinitos tem tudo isto. Tem uma espécie de magia que nos prende em cada folha, uma vontade de liberdade traduzida na corrida louca do Douro até à Foz.
Este Rio de Infinitos não se lê. Vai-se lendo, calma e serenamente, saltando páginas, avançando e recuando para que nada falte, e tudo fique, com imenso prazer, a fazer parte do pouquinho que éramos e do tão grande que nos tornamos após o lermos.
É nesta imensidão de afectos que vale a pena experimentar a intensidade das palavras e guarda-las nos olhos que também existem no coração. "
Ricardo Silva Reis



Guardarei "nos olhos que existem no coração" esta viagem pelas páginas do meu "Rio de Infinitos / Riu d' Anfenitos", no Orfeão de Matosinhos. Uma viagem íntima, fluída e - gostosamente - partilhada.

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Rio de Infinitos/ Riu d'anfenitos em Matosinhos

“Diz-me dos silêncios inquietos que cantam no teu olhar
Do rio de palavras selvagens preso em ti
Das melodias vadias que escreves ao luar,
Diz ao desassossego que ateias em mim
O poema que quero entender
E quando a minha pele começar a enrubescer
Diz-me tudo.
Não deixes nada por dizer”
E Teresa Almeida Subtil não vai deixar nada por dizer. Na próxima sexta-feira, dia 17, pelas 21 horas, no Salão Nobre do Orfeão de Matosinhos vai acontecer magia transformada em palavras. Terei o enorme prazer e a grande responsabilidade de apresentar o mais recente livro desta Escritora Mirandesa, Rio de Infinitos (Riu D’Anfenitos).
Não faltem. Vamos deixar que este rio inunde os nossos sentidos.

Mãe, estou aqui!