Seria o coaxar das rãs ao sol-pôr
A oblíqua cruz desenhada no terreno
Despido. Ou o cheiro a feno?
As pétalas disputavam
O brilho do poeta e a aura do pintor
E o charco absorvia o deleite de fim de tarde.
E havia um poema a macerar a cerejeira.
E a disputa, a arte, o acaso do jogo
E a excitação. O brinde, a celebração.
Ao fino néctar degustado
Vibrava o verde das copas
E os translúcidos corpos evaporados
As rãs entoaram uma nota acima
E o breu abriu os portões da despedida.
E o que nos seduziu?
Terá sido este reino de utopia

