sábado, 15 de setembro de 2018

Surreal detalhe




A vida transpira em toda a tela
Nos dedos vagueiam ondas
Na paleta rumorejam cânticos 
E múltiplas erupções.

Surreal cada detalhe 
Expressão de desalento
Sonho mordido e largado ao vento.

A arte é fogo dos teus olhos
E Setembro um poema sumarento
A desdobrar-se festivo
A cada pranto.

No rosto pinto um desejo
E de espanto
Rejuvenesço.

Teresa Almeida Subtil



Paleta de Alexal - Alejandro Albarrán Garcia

sexta-feira, 31 de agosto de 2018

Instabilidade do verso




Deixa-me apenas uma nesga de luz
A febre das guitarras
Teu canto escaldante e o feitiço desta noite.

Deixa-me a tela em que me deito
E uma nota esquiva em meu peito.

E se eu tiver que viver
Na instabilidade de um verso
Estende-me lençóis de luar
E o vigor poético de Agosto.


Teresa Almeida Subtil

terça-feira, 3 de julho de 2018

MULHER-MENINA

                                 

Como se me abraçasses à primeira volta
Na cintura da tarde enrubescida
E pura lágrima se desprendesse.

Como se na mão me confiasses
Um astro vivo de emoção.

E se murmurasses
Silenciosa canção matutina
E em cada verso apurasses
Minha intimidade de mulher-menina.

E se de segredos fizesses
Beijos ao vento
Meu voo insustentável
E o azul das águias nos picões do espanto.

E se apenas revelasses
Um jogo no espaço
Infinito rodopio ao som da montanha.
Repasseado e grito. Fonte tremendo. 

Miranda querida
Mulher-Menina

Veio de água que meu canto
Estremece.

Teresa Almeida Subtil

https://www.facebook.com/carla.subtilrodrigues/videos/2231240856889991/UzpfSTEwMDAwMDgxNjk4ODM2MjoxNzM4NjY3M


Agradeço à minha filha a surpresa e o carinho deste vídeo.


quinta-feira, 28 de junho de 2018

Infinito detalhe


O universo é película de espelho verde
Olhar flutuante de menina
Asa de borboleta. Infinito detalhe.

É rosa que se pronuncia
E vagabundeia a atmosfera do lugar.

É aroma que, ao meio,
Se aprofunda.
É pétala que o verso acende
E no poema sucumbe.

“Gosto de rosas epistolares”
E de saias aos folhos, despidas uma a uma.


Teresa Almeida Subtil




segunda-feira, 18 de junho de 2018

Reino de utopia


Seria o coaxar das rãs ao sol-pôr
A oblíqua cruz desenhada no terreno
Despido. Ou o cheiro a feno?

As pétalas disputavam
O brilho do poeta e a aura do pintor
E o charco absorvia o deleite de fim de tarde.

E havia um poema a macerar a cerejeira.
 E a disputa, a arte, o acaso do jogo
E a excitação. O brinde, a celebração.

Ao fino néctar degustado
Vibrava o verde das copas
E os translúcidos corpos evaporados

As rãs entoaram uma nota  acima
E o breu abriu os portões da despedida.

E o que nos seduziu?
Terá sido este reino de utopia
Que o coração do planalto ofereceu?

Teresa Almeida Subtil 



Mãe, estou aqui!