segunda-feira, 19 de novembro de 2018
terça-feira, 13 de novembro de 2018
Convite
É já na próxima quinta-feira (15/11 - pelas 18h) que, a convite da Casa de Trás-os-Montes e Alto-Douro, será feita uma sessão de apresentação do meu livro "Rio de Infinitos / Riu d'Anfenitos".
A apresentação será feita pela Drª Adelaide Monteiro.
No final será servido um "Douro de Honra" com a actuação do grupo musical "Os Maranus"
Uma honra será, também, a presença e o abraço dos amigos.
No final será servido um "Douro de Honra" com a actuação do grupo musical "Os Maranus"
Uma honra será, também, a presença e o abraço dos amigos.
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Casa de Trás-os-Montes e Alto Douro
Campo Pequeno, 50 - 3º Esq.1000-081 Lisboa
sexta-feira, 9 de novembro de 2018
Se vieres ...
E o abalo de
especiarias de Bombaim,
Tozeur ou de
Fez. E chá de menta e amendoim.
Toca,
toca-me a pele numa melodia andina.
E da
Argentina guarda-me o arrepio do tango.
Da vertigem
de Iguaçu faz-me verso-aventura
E exalta a
rima que se esconde na magia
Das chaminés
de fada.
Veste-me a
saia mexicana bordada e comprida
Que faz do
armário a 5ª avenida. Eleva-me
Na escadaria
de Chichinitza e que o sol
Serpenteie a
palavra.
Despe-me em
Copacabana,
Capri ou
Palma querida. Traz a iguana amiga
e as tulipas
da Holanda. De Paris
Entrecruza a
arte de rua e desce
Ao sabor de
crepes e abraços.
Mete o Sena,
o Tamisa, o Reno e os Fiordes
Na mesma
estrofe. Traz-me terras de fogo
E os vulcões
de Lanzarote,
E as cores
macias das hortênsias dos Açores.
Se vieres …
Apanha um
barco à deriva no Douro
Escala as
arribas, dedilha um socalco de Outono
E mata a
sede nos lábios abertos das folhas
Que se
tingem de abandono.
Teresa
Almeida Subtil
domingo, 28 de outubro de 2018
O baú dos afetos / L baúl de ls carinos
O baú dos afetos
Pudesse eu voltar às palavras
acariciar pedaços de papel amarelecido,
desabafos, inquietações, questões,
liberdade expressa em dias de proibição,
rugas de um tempo presente na emoção.
Pudesse eu voltar a sentir
o amor dos primeiros traços, florir
em pequeninos ramos de candura,
tocar o verde trevo de 4 folhas,
pura exaltação, páginas redondas,
perfumes de breve caminho.
Pudesse eu acariciar missivas apaixonadas,
as primeiras, gostadas e sem retribuição.
Cada letra era um mapa, um cartão de identidade,
corações a rebentarem nas pintas dos is,
impressões da idade, aqui e ali.
Pudesse eu não sentir esta dor fina
este vazio dos temas, das conversas
e, sobretudo, o pulsar da adolescência
expressa em aprimorada ortografia.
Pudesse eu abrir as cores em que a sentia,
cheirar palavras amedrontadas
perdidas num baú de afetos.
Pudesse eu folhear o meu primeiro livro,
sacrário esvaziado, silente perplexidade,
melodia viva, saudade, memória perdida.
Pudisse you tornar a las palabras,
fazer festicas a cachicos de papel amarelhecido,
zabafos, anquietaçones, questones,
lhiberdade screbida an dies de proibiçon,
angúrrias dun tiempo persente na eimoçon.
Pudisse you tornar a sentir
l amor de ls purmeiros traços, florir
an pequerricos galhos de candura,
tocar l berde trebo de quatro fuolhas,
pura eisaltaçon, páiginas redondas,
prefumes de brebe camino.
Pudisse you acarinar missibas apaixonadas,
las purmeiras, gustadas i sien tornas.
Cada lhetra era un mapa, un carton d'eidentidade,
coraçones a rebentáren nas pintas de ls is,
ampressones de l'eidade, eiqui i eilhi.
Pudisse you nun sentir este delor fino
este baziu de ls temas, de las sinagogas
i, subretodo, l pulsar de l'adolescéncia
spressa an aprimorada ourtografie.
Pudisse you abrir ls quelores an que la sentie,
cheirar palabras amedruncadas
perdidas nun baúl de carinos.
Pudisse you folhear l miu purmeiro lhibro,
sacrairo uoco, calhado spanto,
melodie biba, soudade, mimória perdida.
(In Rio de Infinitos/Riu d'Anfenitos)
terça-feira, 16 de outubro de 2018
HORA DA POESIA
Link direto: http://www.radiovizela.pt/
TERESA SUBTIL será a nossa próxima convidada de A HORA DA POESIA...
Os seus poemas são torrenciais, próprios de uma alma febril, próprios de quem escreve com os 5 sentidos em alerta!!
Os seus poemas são torrenciais, próprios de uma alma febril, próprios de quem escreve com os 5 sentidos em alerta!!
Conceição Lima
sábado, 13 de outubro de 2018
Rio de Infinitos/Riu d'Anfenitos

Foi, para mim, uma subida honra integrar na minha obra o prefácio de Domingos Raposo, ilustre professor e dinamizador da língua mirandesa. Uma mão preciosa, devo dizer.
PREFÁCIO – ANTRADA
Teresa Almeida Subtil é natural de Lagoaça, povoação sobranceira
ao Douro Superior, com grande beleza natural, clima ameno e um solo pródigo em
frutos, e, culturalmente falando, integra as designadas “Terras de Miranda”, com
bem referia Francisco Manuel Alves, Abade de Baçal.
E se o ser humano é filho do meio em que nasce, do lar em que se
cria e da formação que recebe, Teresa Almeida Subtil não é exceção. A pureza do
meio, a educação esmerada do lar, a riqueza da formação adquirida fizeram-na
grande e levaram-na, por inclinação própria, a seguir a nobre missão de
ensinar, que exerceu sempre com elevado profissionalismo, competência e
entrega. Amante da dança e da pintura, a que também se dedica nas horas de
lazer, deixou-se guiar, nos últimos tempos, pelo pulsar e força da poesia, que
lhe corre nas veias, a jorro, genuína, natural, fluida. A fim de não
desperdiçar o bafo da inspiração, assumiu, como motu proprio, o lema do pintor grego Apelles, “nulla dies sine linea” –
nem um só dia sem (uma) linha -, até porque desde cedo compreendeu que “scripta
manent”, ou seja, que os escritos permanecem. Essa produtividade levou-a à
perfeição técnica do poema, prenhe de simbologia e emoção, como podemos
comprovar com a presente obra, que resulta da seleção (nada fácil de fazer) de
uma vasta lista de poemas.
Mas esta obra ganha ainda um valor redobrado porque sendo a autora
uma apaixonada pela língua mirandesa, que aprendeu, de per si, sem a ter mamado
no leite materno, aparece traduzida, em mirandês, pelo próprio punho, dando um
grande exemplo de que querer é poder e de divulgação daquela que é a segunda
língua oficial de Portugal.
Escrever poesia é uma arte e toda a arte é maravilhosa porque se
por um lado é inútil “não mata a fome, não mitiga a sede, não protege do frio e
do vento” (Ruy Guerra), por outro é transformadora porque inebria o espírito,
aquece a alma, desvenda e ilumina caminhos, muitas vezes sombrios, escondidos, subterrâneos.
E Teresa Almeida Subtil, com um incontornável e não explicado deslumbramento,
que nos fascina, apresenta-nos, nesta obra, caminhos dessa transformação, tendo
como ponto de partida e fio condutor o Rio (Douro) – que a marcou profundamente
desde a infância – no seu sentido mais abrangente e metafórico: “rasgo a
Primavera do alto das arribas do Douro”; “sinto o eco das margens a pulsar”;
estão vivas as águas do meu rio”; “diz-me do rio de palavras selvagens preso em
ti”; “… ser-te-ia nascente e foz a um tempo”; (…). O seu Rio é imenso,
infinito: tem sol, sombras, arribas, fauna, flora, gente, etnografia, atrações,
mistérios, cores, aromas, paladares, fragores, sonoridades, acordes, amores,
choros, cantos, “cantando o amor em cada passo e em cada batida de
inquietação”.
Teresa Almeida Subtil, com clareza, sensibilidade estética e
cumplicidade com o seu Rio (fonte de sonhos, afetos, desafios, preces,
promessas, esperanças…) compõe poemas com essência e perfume, vestindo-os a
preceito como se vestisse um corpo com o fato e os adereços do melhor
estilista, mostrando que “a poesia é emoção, um grito de liberdade, um brinde à
vida”. E se para ela ser poeta é “… dar-te a chave do céu e do prazer”, também
faz jus ao sentimento de Florbela Espanca: “tem de mil desejos, o esplendor;
possui um astro que flameja; tem garras e asas de condor; tem fome e sede de
Infinito; condensa o mundo num só grito”, como testemunha nesta obra, de forma
brilhante, guiada pelas suas memórias, vivências, introspeções/intimidades,
valores, leituras, telas de vida, evocações, projetos, trajetos e horizontes.
Os poemas deixam-nos perceber que a autora comunga o pensamento de
outros poetas consagrados. Sabe “que o sonho comanda a vida” e com ele “o mundo
pula e avança” (António Gedeão); que “o meu pensamento é um mundo subterrâneo…
Escuto-o… como um eterno rio indescoberto, mais que a ideia de rio certo e
abstracto” (Fernando Pessoa); “mas não calo a voz do chão que grita dentro de
mim”, fazendo o “rio feliz a ir de encontro ao mar, desaguar, e, em largo
oceano, eternizar o seu esplendor torrencial de rio” (Miguel Torga). Torrente,
qual “caudal sagrado” de infinitos, que abre espaços à reflexão, à afetividade,
à solidariedade… e faz de cada poema um “dia novo, de renovo e poesia”, como
Torga gostava de dizer.
Teresa Almeida Subtil, sente o prazer da escrita e escreve com
palavras “tecidas de luz” (Eugénio de Andrade), em intimidade com os versos e a
musicalidade das sílabas, com o coração cheio, seguindo a transparência das
estrelas, compondo, com uma imaginação transbordante e apaixonada, autênticos
hinos ao Sol “com notas marciais, que soam como um clarim (Gomes Leal) e “com o
desejo de ser apenas harmonia, cantando a luz que todo o espaço inflama, e
sonhando a perfeita e mística alegria” (Teixeira de Pascoaes).
Parafraseando Manuel Alegre, este é “um livro de poesia por onde
corre o sangue, a escrita, a vida”. “Pois só no poema um povo amanhece” (Sophia
de Mello Breyner Andresen). Por isso, deixemo-nos levar por este “Rio de
Infinitos”, escrito com cintilante claridade, onde a autora, norteada pelo
maior dos ideais, permite que nos enriqueçamos e deleitemos com as suas
magníficas criações, deixando-nos a esperança num amanhecer resplandecente,
puro, expurgado de males e livre para pensar, sonhar, agir, repleto de Amor.
Amor que conseguiu pintar com a sua cor preferida: a brisa da vida.
Domingos
Raposo
segunda-feira, 8 de outubro de 2018
Vão de infinitos / Preça d'anfenitos
Vão de infinitos
É a varanda de grades da cor do tempo
que me leva em breve enleio e receio
de entardecer.
É na varanda solta no descampado do
olhar
que me debruço e me entronco na árvore
onde me fiz.
É o toque na parreira de pele retesada
e rasgada que me diz da erupção que
sentia
e das escadas que subia e descia,
querendo entender-me no emaranhado da
vida.
Era em vão de infinitos que a varanda
se espraiava.
E eu, debruçada, a sentir-me nada, não
cabia em mim.
E eu, num chão de inquietudes a
agigantar-me
para as dúvidas que nunca resolvi.
Aninhada em ti,
parecia que a aldeia ao longe era
igual à minha,
embora a raia nos falasse de outra
língua
e de outro país. Na minha varanda
percebia a raia
e adivinhava que nem a vinha, nem a
aldeia que avistava,
encobriam o reboliço do rio
que bem fundo cavava o fragaredo.
Nem eu nem o rio conhecíamos limites
e apesar do aperto e da inquietude,
saltávamos e corríamos
na pressa dum tempo a descobrir.
Preça d´anfenitos (lhéngua mirandesa)
Ye la baranda de grades de la quelor
de l tiempo
que me lhieba an brebe anleio i
arrecelo d'entardecer.
Ye na baranda suolta ne l çcampado de
l mirar
que m´astribo i m´antronco n´arble
adonde me fiç.
Ye l toque na parreira de piel
retesada
i resgada que me diç de l manantial
que sentie
i de las scaleiras que chubie i
abaixaba,
querendo antender-me ne l eimaranhado
de la bida.
Era an preça d'anfenitos que la
baranda se spraiaba.
I you, debruçada, a sentir-me nada,
nun cabie an mi.
I you, nun suolo d'anquietudes a
agigantar-me
pa las dúbedas que nunca resolbi.
Arrimada a ti,
parecie que l'aldé al loinge era
eigual a la mie,
anque la raia mos falasse d'outra
lhéngua
i d'outro paíç. Na mie baranda
percebie la raia
i çcunfiaba que nien la binha, nien
l'aldé q'abistaba,
tapában l rebolhiço de l riu
que bien fondo scababa l fragaredo.
Nien you nien l riu coinciemos
lhemites
i indas que l aperto i l'anquietude,
saltábamos i corríemos
na priessa dun tiempo a çcubrir.
Teresa Almeida Subtil
Teresa Almeida Subtil
(in Rio de Infinitos /Riu d'Anfenitos)
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