O Menino Jesus da Cartolinha é uma imagem de referência, muito visitada na
Concatedral de Miranda do Douro (um dos templos mais imponentes do país) É uma
escultura de finais do séc. XVII ou princípio do séc XVIII, inspirada numa
lenda datada da guerra da sucessão espanhola e do cerco a Miranda do Douro, devido à sua posição estratégica. Quando os mirandeses já se encontravam exaustos
de sede, fome e cansaço, surge um jovem fidalgo, vestido de cavaleiro, a
dar-lhes coragem: “a eles”! Depois de conseguirem expulsar o invasor, munidos de
foices, gadanhas, espingardas e paus, procuraram o fidalgo que desaparecera tão
misteriosamente como aparecera. Só poderia ter sido um milagre do Menino Jesus,
reza a lenda. É hoje o padroeiro das crianças mirandesas. Um “ex-libris” da
concatedral (antiga Sé de Miranda do Douro)
Este Menino tem um enxoval com fardas de cavaleiro, de fidalgo e outras
peças de roupa muito peculiares, oferendas que espicaçam a
curiosidade dos visitantes. A cartola já deve ser do séc. XIX ou XX, para
conferir ainda mais nobreza à imagem. A capa de honras, marca da identidade
mirandesa, não lhe poderia faltar. O seu ar de ingenuidade leva à emoção. E surgem
outras lendas, naturalmente, como a da jovem freira que terá mandado esculpir a
imagem de um amor não correspondido.
A festa de homenagem celebra-se no dia de reis, domingo antes ou depois do
dia 6 de Janeiro.
Fontes: Trilhos da Cultura Popular Portuguesa ______ ABRAÇO DE BOAS FESTAS
Cheguei de lides literárias onde me senti em casa. Partilhei
o meu rio, o nosso rio – poeticamente - e desfrutámos os seus remansos e
sobressaltos, suas margens de picões e vinhedos e a vida que a corrente
provoca. Passei pelo Porto, como quem faz escala numa cidade de íntimas
melodias. Desta vez até me aventurei pelo metro cujo trilho é o mesmo que
percorri antes de acrescentar vida à minha própria vida.
Finalmente em casa e, depois de múltiplas atividades, lancei um olhar demorado
à cor das hortênsias, agora arrepiadas e engalanadas pelo outono - minha
estação inspiradora. Pertence-lhe a missão de dar as boas-vidas a quem entra e
a quem passa. Os sorrisos de agradecimento, por via de regra, não se fazem
esperar.
Fiz-me então ao almoço. (Que comemos hoje? O que houver por
aí!) Num triz, estava na mesa um cozido mirandês e André Rieu como
acompanhamento musical. O acompanhamento não foi da minha lavra e a bebida
também não, mas estavam os ingredientes todos.
Tão natural como a sede, surgiu o apetite de escrever.
Restava apenas a garrafa e André Rieu que tinha prometido ficar. É por isso que
o vou ver pessoalmente à capital E eu que já não ia a Lisboa há tanto tempo!
Valeu a pena esperar.
Reparei, e bem, que ainda havia um resquício de Douro na
mesa. Brindemos!
Na verdade, o meu "Rio de Infinitos/ Riu d'Anfenitos" teve o acolhimento caloroso de amigos amantes de poesia. Transmontanos e não só. E os momentos que vivi na Casa de Trás-os-Montes e Alto - Douro, em Lisboa, ficarão guardados no lugar dos meus tesouros. Celebrou-se a poesia e a amizade.
É já na próxima quinta-feira (15/11 - pelas 18h) que, a convite da Casa de Trás-os-Montes e Alto-Douro, será feita uma sessão de apresentação do meu livro "Rio de Infinitos / Riu d'Anfenitos".
A apresentação será feita pela Drª Adelaide Monteiro.
No final será servido um "Douro de Honra" com a actuação do grupo musical "Os Maranus"
Uma honra será, também, a presença e o abraço dos amigos.