segunda-feira, 6 de maio de 2019

Ergues-te MÃE!


Ergues-te, Mãe, na rosa que hoje abriu
Imaculada!

E no riso que revigora meus passos
E ainda que lassos sejam meus versos
Minhas lágrimas se aglutinam
E meu ser é ternura, flor do teu mirar

E uma ave sobrevoa as arribas
E a madressilva vai florir ao alto do picão
Onde tua luz se desprende.

E eu canto e cantarei
Um hino de amor
Onde te ergues, Mãe!

Teresa Almeida Subtil










quarta-feira, 24 de abril de 2019

Impulsos desmedidos



Este marulhar de impulsos desmedidos
Que na tela verto
Sons incontidos que no peito explodem
Terra que comes, lábios que mordes
Aves a tanger o infinito.

E neste céu toldado a medo e grito
Teço areais de inspiração e pinto grão a grão
O insano desassossego
Melodia e alma de alagado chão
E o vigor humano em que acredito.


Teresa Almeida Subtil

(Inauguração do "Sonho"de Mariela)


Hoje,
 no Museu Terra de 
Miranda


sexta-feira, 19 de abril de 2019

Tempo Pascal



Trouxe-te um ramo de lírios e deixo-os à entrada de casa.
Como quem deseja harmonia.
A Páscoa traz em si uma pulsão libertadora.
O tempo vai crescendo e a natureza rejuvenesce a cada dia.
A Páscoa é, para mim, um povo aberto à alegria,
E os sinos a repicar aleluias. As janelas, as ruas e as pessoas
Vestidas de pétalas silvestres. Era assim que eu sentia.
Não quero perdê-las - as pétalas - e teus olhos aveludados.
Ficávamos muito macios!
Era autêntico o carinho que nos trespassava. Não quero perdê-lo.
Não quero perder o sorriso com sabor a infância.
Estou a vê-lo no beijo que hoje me deste, meu amor.
"Bom dia, avó!"
Foi assim que me disseram a vidal

Que assim seja todo o ano e depois de mim.
Que o planeta seja sempre azul! 


Grata por estarem comigo.
Feliz Páscoa!

Teresa Almeida Subtil





Feliz Páscoa, amigos!

segunda-feira, 15 de abril de 2019

De ti


De ti

De ti guardo a fantasia
roubada à socapa no jardim ao lado,
guardo páginas rubras de poesia,
um fado, um livro
e a urgência do romance
apenas começado.

De ti guardo a liberdade do olhar
no fulgor perscrutador do silêncio,
guardo palavras com aroma a café
e o diálogo acordado dos lábios 
noite dentro.

De ti guardo a alegria
de sementeira matinal,
guardo a rosa rubra aberta à alvorada
e um cravo vermelho amadurecido,
colhido por mãos que roubam flores
à madrugada.





De ti

De ti guardo l delareio,
Roubado a la falsa fé ne l jardin a la borda,
guardo páiginas burmeilhas de poesie,
un fado, un lhibro
i l'ourgença de l remanse
acabado de ampeçar.

De ti guardo la lhiberdade de l mirar
na lhuç que porcura l siléncio,
guardo palabras cun cheiro a café
i la cumbersa guicha de ls lhábios 
nuite afuora.

De ti guardo l’alegrie
de sementeira matinal,
guardo la rosa quelorada abierta a l’alborada
i un crabo burmeilho amadurado,
colhido por manos que róuban froles
a la madrugada.



Teresa Almeida Subtil

domingo, 7 de abril de 2019

"Moçambique, palavra tão bonita!"





Sabia-te força afetiva
Colorida e quente
Passo largo e descontraído
Espaço aberto
E dança livre.

 De olhar sofrido, sei-te agora
Chão perdido e imenso lamaçal
E há ninhos de aves e berços humanos
Nas árvores que restam.

Carência e destino incerto.
 Moçambique, ferido e perplexo.

Sonho-te ainda, abraço infindo,
pele rejuvenescida, farol 
Magia e progresso.

Teresa Almeida Subtil

ciclone Idai 14/03/2019


quinta-feira, 28 de março de 2019

Primavera





Este encanto que tu dizes
e as palavras que me cantas
quando em Março te levantas
e me abraças devagarinho

Este feitiço que espalhas
em explosões de alegria
este ritmo, este riso, esta fantasia
é um devaneio primaveril
num mundo insano

É até pecado sentir-te desta maneira
mas quero o teu ar de feiticeira
à solta no meu canteiro

Teresa Almeida Subtil



domingo, 17 de março de 2019

Intimidade




O percurso é curto e sinuoso. 
Lembro a naturalidade com que nasceu
Meu ramo de flores, folhas e nervuras.



As palavras
Serão garças ou estrelas e para serem ramo
Têm que ferver de intimidade.

Lembro a clareira e volto cheia de sede.
Talvez encontre a fonte e, no horizonte,
Os caminhos reverdeçam.
E as palavras gemam e regressem.

E é com avidez que aguardo
Que os poemas aconteçam
Em sua liberdade.


Teresa Almeida Subtil

Adágio