Lembro a
alegria da cerejeira grávida e vermelha e as cestas recheadas de amizade.
Lembro a horta farta e cuidada e os sucos a dar de beber à sede na canícula do
verão. Do calor e da sombra tenho saudades. E da merenda com frutos tropicais e
compotas da ribeira. E do cristalino espelho de água e do mundo que nele
vibrava. E do meu voo de borboleta entre a magia que pintava. Ah! E a
simplicidade das cantigas que soltavam a melodia e a festividade de um reino de
fantasia!
Sei que
nunca mais chega Agosto. Era de outro calendário onde já não me reconheço. E as as mãos, inquietas, imbuídas de ternura e perfumes de goivos, escrevem em
desatino e a poesia explode sem tino, nem lei, e tocam apenas a pele dos dias
como se fossem frutos maduros plenos de paladar.
O reino arrefeceu ... mas as mãos recusam-se a regelar.
Teresa Almeida Subtil

