O poema só nasce onde quer
Como um pé de fiolho,
é pura emoção selvagem ...

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Ai, Valentim


Não sei se o mar teria
um marulhar tão sedutor
se não trouxesse à maresia
se não trouxesse à maresia
saudades do meu amor

E se as ondas não se desfizessem
em lágrimas e beijos à mistura
Talvez nem tu mesmo soubesses
talvez nem tu mesmo soubesses
que se desfazem de ternura

Não sei se o mar teria
este jeito apaixonado
se nos teus braços um dia
se nos teus braços um dia
eu não tivesse naufragado

Não sei se o mar seria
imenso louco e febril
se não trouxesse escondida
se não trouxesse escondida
esta paixão primaveril

E se hoje eu não escrevesse
na areia ansiosa e molhada
talvez o meu amor não soubesse
talvez o meu amor não soubesse
que ainda estou apaixonada

E se eu hoje não estivesse
no palco que se faz ao largo
talvez Valentim se entristecesse
Talvez Valentim se entristecesse
por não cantar o meu fado

Teresa Almeida


 

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