domingo, 22 de março de 2026

A Norte la fala mirandesa

                                             AURORA BOREAL
                SVALBARD GLOBAL SEED VAUL         ÁRTICO

A la punta de riba
de l planeta
cula niebe antalisgada
abriu-se la nuite
I fuste chamada.

Fizo-te
la purmeira streilha
que streilhas nun habie.
L tiempo scapaba
na palabra que salie
doce i caliente
de la niebe frie
I zoustinada

Entre sabores
a foca, baleia, rena
bino tinto,
benírun ls diuses
de la fin de l mundo

Al azul de l'Ártico
chubimos.
i cun que proua
te fizo mie!

Cumo se fura
l amprencípio
de todo.

Teresa Almeida Subtil 
20.02.2026

.................


Na ponta de cima 
do planeta
com a neve embrenhada
Abriu-se a noite 
e foste chamada

Fiz-te a primeira estrela
que estrelas não havia.

O tempo escapava
na palava que saía
doce e quente
na neve fria
e desnorteada.

Entre sabores
a foca, baleia, rena,
vinho tinto,
vieram os deuses
do fim do mundo.

Ao azul do Ártico 
subimos.
E com que orgulho
te fiz minha!

Como se fora 
o princípio de tudo.



segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

 Fuonte de poesie

La spresson de l tiempo
bestie
la melodie d'hoije.
Salbaige...
rugie.
Cumo ua bençon
La mie filha
de mi
nacie.
I que boç
serie la mie?
Canto i pranto,
fuorça de la natureza ,
Íntima cumbulson,
fuonte de poesia.
.......
Fonte de poesia
A expressão do tempo
vestia
a melodia de hoje.
Selvagem…
rugia.
Como bênção
minha filha
de mim
nascia.
E que voz
seria a minha?
Canto e pranto,
força de natureza,
íntima convulsão,
fonte de poesia.
Teresa Almeida Subtil
23.01.2026

quarta-feira, 24 de dezembro de 2025

 "Caminando por Dezembre."

CONSOADA
Ela está a chegar
Avariou o primeiro avião
A seguir perdeu o AVE
Tudo são sustos
No ar de Geneve a Madrid
Novo comboio a Valladolid
Já na Ibéria apetece escrever
Pela madrugada
Há estrelas a regurgitar
Nos olhos dos avós
Lábios de papoilas
A reçumar palavras
Palavras cálidas como rabanadas
Vindas da antiga e amada casa
Vinho fino de Freixo de Espada
à Cinta
Copinhos de Quintanilha
Coisa de nada
Vem de longe
Uma linguagem de afetos
Que hoje à lareira
Explode num poema
De consoada
Teresa Almeida Subtil

segunda-feira, 1 de setembro de 2025

BERANO POÉTICO /Festival Arcu Atlánticu


 Festival Arcu Atlánticu está em Xixón. Asturies.

Le llingües atlántiques tamién tienen el so sitiu nel Arcu. Nesta ocasión los X Alcuentros Poéticos Letribetia xiraron en redol al mirandés, llingua cooficial dende 1998. Pa ello cuntóse cola presencia de la poeta María Teresa Almeida.


·

                                                                    

X ALCONTROS POÉTICOS LETRIBÉRIA Os alquentros poéticos
LETRIBERIA dedicam caúna das suas edições a uma lingua ibérica. Três o português, o galegu, l’asturianu, l’aragonês, o castuu, o catalão, o pa ḷḷuezu, l’euskera e o galego-asturianu, l’e o turnu ao mirandês, da portuguesa Miranda do Douro, e cooficial dende 1998.
Vamos contar cola poeta Maria Teresa Almeida, o linguista Antonio Bárbolo e o poeta Diego Solis.
📆 Quinta-feira 31 xunetu
📍Antiguu Institutu
⏱18.30 h.
















BERANO POÉTICO

Atribuição da Medalha de Mérito à nossa associada Maria Teresa de Jesus Almeida Vaz Rodrigues (Teresa Subtil Almeida), distinção concedida pelo Município de Miranda do Douro no passado dia 10 de julho de 2025, data em que se assinalaram os 480 anos da elevação de Miranda do Douro a cidade.






 

domingo, 9 de março de 2025

A Maria Teresa Horta ( Dia da mulher)

 

Frio e chuva miúda

Acenos de poesia lavada

Leve e subversiva

Sentimento de alma livre

E magoada.

 

Brinde à natureza

A abrolhar nas margens do rio

Cálice de lábios vermelhos

 

É março a explodir à boca das papoilas

Espelho de rebentos intumescidos

Febre de quem partiu ficando

No prazer e no fogo

Dos sentidos

 

E todas as sedes confluem

Num tempo e num corpo

De mulher


Teresa Almeida Subtil






domingo, 22 de dezembro de 2024

Assopro Debino/ Sopro divino/ Respiro divino


HAVIA UM VÉU MATINAL
TECIDO DE TERNURA
ALVURA
E FERMOSURA
DE NATAL


Desejo aos meus amigos e ao mundo
uma quadra natalícia plena de harmonia.



MIRANDÉS

Assopro debino

 

De l'anunciaçon al calbário

Hai un rosairo i un deseio

De salbaçon.

Ye la boç de l ouniberso

A ressonar ne l fondo de l ser

I l bientre de la tierra ye sue morada

I busca la streilha que la fazerá mulhier.

 

I de si rumperá l'ourora

Siempre bendita i chena de grácia

Sparba-se i anuncia-se redentora.

 

I anquanto nun renacer un mundo

Purificado

Haberá siempre un suonho curceficado

Un bózio i ua tela

De quien ye topado

Pul assopro debino de l'arte.

 

Ye d'houmanidade i lhibertaçon

L passo, l traço, l fincon

De quien conhece las piedras de l chano.


Teresa Almeida Subtil

........





PORTUGUÊS

Sopro divino

 

Da anunciação ao Calvário

Há um rosário e um desejo

De salvação.

É a voz do universo

A ecoar no âmago do ser

E o ventre da terra é sua morada

E busca o astro que a fará mulher.

 

E de si romperá a aurora

Sempre bendita e cheia de graça

Expande-se e anuncia-se redentora.

 

E enquanto não renascer um mundo

Purificado

Haverá sempre um sonho crucificado

Um brado e uma tela

De quem é tocado

Pelo sopro divino da arte.

 

É de humanidade e libertação

O passo, o traço, o baluarte

De quem conhece as pedras do chão.



.........

ITALIANO   (Tradução de José Miranda)


Respiro divino
Dall'Annunciazione al Calvario C'è un rosario e un desiderio Di salvezza. E' la voce dell'universo Echeggiando nel nucleo dell'essere E il grembo della terra è la tua casa E cerca la stella che la renderà donna.
E l'alba spunterà da te Sempre benedetto e pieno di grazia Si espande e si annuncia redentrice.
E finché un mondo non rinasce Purificato Ci sarà sempre un sogno crocifisso Un grido e uno schermo Chi è toccato Per il soffio divino dell'arte.
È di umanità e di liberazione Il passo, la traccia, il baluardo Da qualcuno che conosce le pietre sul terreno.


Teresa Almeida Subtil 










A Norte la fala mirandesa