sexta-feira, 11 de junho de 2021

Por ali ...




Era dia de vestidos de seda
Estampada
Laçarotes, risadas, merendolas
E bailarotes

Lia-se a exuberância das papoilas em gritos
De liberdade
E nos minúsculos malmequeres a carícia
Que apetecia

A Ribeirica luzia espelhos de água e morria
De saudade

Eram verdes e avulsos os poemas
Translúcidas as folhas, as flores e as borboletas

A pardalada carpia amores
E a brisa tocava-me a pele como se fora
Melodia morna e atemporal

Mesmo ali
Bordei nos ombros
Ramalhetes de emoção
E no meu peito
A tua mão

Teresa Almeida Subtil 









sábado, 29 de maio de 2021

Quanto menos podemos mais queremos …


 

O café sabe-me pela vida

Só tomo um por dia

Uma ninharia.

Se forem dois a noite é mal dormida

Ou mesmo em claro.

O café muda a minha forma de viver

E se juntarmos o prazer de te encontrar

Julgo que estou no céu ou para lá dele

Ninharias, dizes tu e digo eu.

 

Hoje senti falta de um café. Tanto!

E pensei: ora essa! Vou tomar!

A alegria veio da cápsula que deixei por ali

E a saborosa bebida faltava-me, afinal.


O corpo disse a urgência

Vício que assumo e sofro

Sempre que o desejo aniquilo.

Ninharias, dizes tu e digo eu.

 

Mas contar a quem me quer

Não é o café (o meu até é fraco)

É partilhar, é sentir a amizade

E rir de uma banalidade.



Teresa Almeida Subtil






  

 

quarta-feira, 19 de maio de 2021

Um poema na vila

Amigos,

A nossa próxima sessão de poesia está aí, envolta e perfumada por flores, é Maio!

arte poética em Língua Mirandesa é o tema desta sessão, em linha, a 23 de Maio de 2021, às 17h, Portugal, 13h, Brasil.


Senha: arte poética em Língua Mirandesa

Entrar na sessão às 16,45h, Portugal, 12,45h, Brasil.

Contamos consigo.

Um beijo,

Ana Freitas


Este é um convite que dirijo aos meus amigos.
Terei um enorme prazer em voar, acompanhada, de Miranda do Douro a Coruche.
Ls mius amigos quédan cumbidados.
Bamos alhá!

Teresa Almeida Subtil

 

domingo, 16 de maio de 2021

Diz-me ...




 Diz-me que vieste primeiro

Que a madrugada que trago

E mais veloz que o pensamento

Que te persegue.

Diz-me que derrapaste no sonho

E vieste na bruma da ansiedade.

Diz-me que inventaste a melodia

Ou que ajustaste o desejo

À rebeldia

Dos botões de Maio.

 

Diz-me que há pardais sem idade

Que voam até perderem

Os picões, os ribeiros e as cachoeiras.

Diz-me que teus lábios trazem

Palavras feiticeiras

O mel das arribas

E o braseiro da tarde.

Diz-me …


Teresa Almeida subtil


quinta-feira, 29 de abril de 2021

ALELUIA!


Exposição de arte sacra.
Uma mostra da expressão artística, de
Jose Miranda
, está patente na Loja-Museu da Ramirez, de 6 a 30 de Maio. Recomendo.
Aleluia é um tema que apetece cantar todos os dias.








Foi um enorme prazer visitar a primeira exposição de Jose Miranda na Loja-Museu do seu local de trabalho. E foi emocionante ter o autor como guia, perceber o que o move e sentir-lhe a vibração do traço e do percurso.
Não posso deixar de me sentir honrada por ver um poema meu a acompanhar o tema.










segunda-feira, 19 de abril de 2021

Gineceus de poesia


 

Teus olhos

Pétalas molhadas

Desfolhadas nos olhos meus

 

Claras madrugadas

A despertar nas margens do dia

Maviosos gineceus de poesia

 

Páscoas de aleluia

Estilhaços de vida

Traçados em meu rosto

 

Lilases dançando

E sinos tocando

Melodia que ouço

 

Miúdas pétalas do chão

Poemas que escreves

Em minha mão.

 

Teresa Almeida Subtil




sexta-feira, 2 de abril de 2021

Poema de linho/Poema de lhino

 

Poema de linho

 

É de linho, dizes tu,

entranhando na palavra qualidade,

palavra, brilho sedutor

de quem tem algo de verdade!

Sentes-lhe ainda o toque e a melodia, 

não escondes a vontade de partilhar o tesouro,

a alegria que realmente te invade.

Uma peça, corolário de emoções

vividas, habilidosamente, no tear.

 

Na toalha que me deste,

sobressai ainda um fio de emoção,

sobressai a textura, a cor

e o perfume do ribeiro,

amor que me veste.

E se alguém disser que é de linho

 vai dar-lhe outro valor

porque à ideia vem o calor

e a riqueza da terra mãe.

 

Ah! E a camisa que o pai vestia

aquela elegância de quem passeia no olhar

a dureza e a utilidade do trabalho.

Linho, bragal do teu altar,

lençol bordado em oração,

luar, presença, convicção, encontro. 

O xergão de palha durava a vida inteira

era de linho, dizes tu!

 

No serão de arte feita a preceito

não faltava o esmero, o jeito

e a escola de geração em geração.

Este chambre é de linho, dizes tu, e veio do baú da avó

e não só o elevas ao mundo dos afetos

como o queres gravar no coração dos teus netos.

 

Lembras-te do teu quarto?

Sim, aquela cortina com a renda larga,

cobiçada sem pudores? Velava o sacrário!

Sim, aquela que guardaste porque o sol a queimava

e porque a saudade te magoava.

 

Ah! E a blusa que ajustava o teu corpo esbelto,

aquela com que tanto bailaste!

Era de linho, dizes tu, mãe querida!

Um poema nascido no interior da terra

batido pelo  sol da eira,

um poema de verdade.

Um poema de fazer amor sem medida.

Com o olhar inteiro e nu,

impregnando na palavra a qualidade,

é de linho, dizes tu!

é de linho, dizes tu!

 ...

Poema de lhino

 

Ye de lhino, dizes tu,

agarrando na palabra culidade,

palabra, relhampar sedutor

de quien ten algo de berdade!

Sintes-le inda l toque i la melodie, 

nun scondes la gana de partelhar l tesouro,

l'alegrie que rialmente t'ambade.

Ua pieça, rosairo d'eimoçones

buídas, halblidosamente, ne l telar.

 

Na toalha que me deste,

subressal inda un filo d'eimoçon,

subressal la testura, la quelor

i l prefume de l rigueiro,

amor que me biste.

I se alguien dezir que ye de lhino

bai a dar-le outro balor

porque a l'eideia ben la calor

i la riqueza de la tierra mai.

 

Ah! I la camisa que pai bestie

aqueilha eilegáncia de quien passeia ne l mirar

la dureza i l'outlidade de l trabalho.

Lhino, bragal de l tou altar,

lhençol bordado an ouraçon,

lhuna, perséncia, certeza, ancuontro. 

L xergon de palha duraba la bida anteira

era de lhino, dizes tu!

 

Ne l serano d'arte feita a modo

nun faltaba l smero, l jeito

i la scuola de geraçon an geraçon.

Este xambre ye de lhino, dizes tu, i bieno de l baú d'abó

i nun só l chubes al mundo de ls carinos

cumo l quieres grabar ne l coraçon de ls tous nietos.

 

Lhembras-te de l tou quarto?

Si, aqueilha cortina cula renda ancha,

cobiçada sien  scrúpalos? Belaba l sacrairo!

Si, aqueilha que guardeste porque l sol la queimaba

i porque la soudade te ferie.

 

Ah! I l chambre que s´ajustaba al tou cuorpo spigado

aquel cun que tanto beileste!

Era de lhino, dizes tu, mai querida!

Un poema nacido ne l seno de la tierra

batido pul  sol de las eiras,

un poema de berdade

Un poema de fazer amor a la ringalheira.

Cul mirar anteiro i znudo,

agarrando na palabra la culidade,

ye de lhino, dizes tu!

Ye de lhino, dizes tu!


Teresa Almeida Subtil

(in rio de Infinitos/Riu d'Anfenitos)



FELIZ PÁSCOA, QUERIDOS AMIGOS!




Por ali ...