quarta-feira, 8 de setembro de 2021

Cativa-me

Cativa-me o berço da tarde

E em cada árvore
Borboletas que pinto.
Cativa-me desde sempre
A clareira a anunciar
Um palácio de cristal
E um mundo transparente.
Cativam-me
Oceanos de vida
Bondade e conhecimento.
E principalmente
Crianças a brincar
E olhos felizes.
Tantos! E ainda mais.
Como se a vida mudasse
Num clique de graça
E o terror acabasse
Na brisa que passa.
Cativa-me a inspiração
E prossigo
Na claridade
Que poderá despontar
Em qualquer folha
De um livro.
Teresa Almeida Subtil
02.09.21
Feira do livro-Porto







quarta-feira, 25 de agosto de 2021

Brisa poética

 Tenho vontade de luzir um chapéu de palha.

 Abas largas e alças

 Sandálias e sedas. E pássaros nos olhos.

 

 Chegou o verão! E ao meu rosto sereno

 Falta o calor da sesta e a cor do trigo maduro

 Sol puro no meu rosto

 Gozo poético.

 

 E a sombra da parreira na varanda

 E a tarde transgressiva.

 

E se o verão é poeta, fingidor e abusado

 Vou esvoaçar entre as pingas

 Alongar o verde da folha

 Onde resplandece a magnólia

 E a melancolia.

 

Chama-me a fantasia. Os pés ganham confiança

 E a brisa beija-me o corpo arrepiado.

 O chapéu procura o verão

 E enlouquecido

 Baila descompassado.


Teresa Almeida Subtil










sábado, 14 de agosto de 2021

Alboroço

VAI SER UM ALBOROÇO!
"Alboroço é mirandês da garganta ao ouvido. Com todos os sentidos. É um ciclo de programação cultural na Terra de Miranda. Desafia o momento, instiga novas reflexões sobre os territórios rurais do interior e inspira releituras acerca da relação da comunidade com o espaço público, com o património e com a arte. É uma oportunidade de cruzar olhares outrora distantes. Alboroço é urgente. Irrompe no silêncio e agita a terra com música, teatro, performance e circo contemporâneo nas treze freguesias do Concelho de Miranda do Douro."

Camino screbido na lhinha de l’hourizonte
Deseio lhargo, sentido ne l coraçon
I quaije se béien las rugas chenas de giente
I se scuitan ls segredos de las piedras
Ne l sonido de l’arruada
Alboroço a zafiar la solidon.
Esta nuite Infainç spertou
L ancanto de las casas, de las cruzes
De las eigreijas i de l berano
Chica beilou la gana de bibir
I la malta cantou i sonhou
La tierra a zambuober
I quanto mais scuro mais se bei
Benírun de baixo
Fazírun bruído
Na aldé cul gusto de ninos a correr
Al aire de la nuite d’Agosto.

-------

https://www.facebook.com/alboroco/videos/245215577424354

Caminho escrito na linha do horizonte Desejo imenso sentido no coração quase s veem as ruas cheias de gente
E se escutam os segredos das pedras na música da arruada
Alvoroço a desafiar a solidão

Esta noite Ifanes despertou
O encanto das casas e dos cruzeiros
Das igrejas e do verão
Chica bailou a gana de de viver
E a malta cantou e sonhou
A terra a desenvolver

E quanto mais escuro mais se vê
Vieram de longe
Trouxeram clamor
À aldeia com gosto de meninos a correr
Na brisa da noite de Agosto.
Chica bailou a vontade de viver
Das Igrejas e do verão
Teresa Almeida Subtil














quinta-feira, 29 de julho de 2021

Do Guadiana ao Douro

Era quase noite quando passámos pelo acampamento e trocámos acenos com os pinheiros verdes e aprumados de sempre. Passava das 23h quando nos levantámos da mesa de jantar em frente ao Guadiana. No dia seguinte passaria a vigorar o horário relativo às restrições impostas pela Covid-19 e já não seria possível desfrutar calmamente do jantar, do convívio e da maravilhosa noite de verão. O Algarve era, agora, a zona mais permeável do país. Os ingleses deram à sola mais cedo do que previam.

Vai longe o tempo do acampamento. Não era de finalistas, era apenas o apelo do mar. E demorávamos o dia inteiro para ali chegar. Vem-me à ideia o espírito campista. Um chá à chegada era uma nota de boas-vindas, um brinde aconchegante. E, no dia seguinte, um balde de conquilhas como gesto de boa vizinhança de quem partilhava o chão, de quem se aproximava no passo, no estendal, na mesa e na cadeira. As tendas enchiam o pinhal de vida e alegria.

E quando se fala em Monte Gordo digo: conheço, foi aí que a minha Guida deixou as fraldas. Com mais umas saídas à Sanábria-Espanha, acabaram os acampamentos. Foi, no entanto, uma enriquecedora experiência.

Com um tom moreno regresso a Miranda do Douro, entre o JN, a Visão, alguns livros, plantas, malotes e esta repetida vontade de poetizar as encostas ora verdes ora nuas do Marão. É uma serra que me habituei a amar porque a atravessava ao crescer. As cicatrizes dos incêndios custam a passar. Apesar disso, a poesia do Marão é intensa em qualquer estação. E, como não vou ao volante, vou-me embrenhando em cada recorte de paisagem. "Já passaste o túnel? ", pergunta a que deixou as fraldas no acampamento. O túnel do Marão  e a auto-estrada encurtaram distâncias. E de aeronave  Porto-Faro faz-se apenas em 45 minutos. E eu já não tomo enjomin, só um ben-u-ron para aliviar a pressão nos ouvidos durante a aterragem.

A passagem pelo Porto na ida e no regresso é um hábito gratificante. Desta vez pude participar - presencialmente - num evento de arte grafite e arte poética. Eventos culturais entusiasmam e enriquecem quem os promove e quem participa. É sempre preferível que sejam presenciais, mas a pandemia provocou reuniões online, modalidade que veio para ficar, com vantagens evidentes nalguns casos.

Ao alto das minhas hortênsias esperava-me a lua e eu, reconhecida, aceno-lhe com beijos.

Quem vive em Miranda do Douro ou em Lagoaça não tem fronteiras no olhar. Como o meu rio Douro que salta, encolhe-se, esbraceja e espraia-se infinitamente. E, se lhe põem algemas, é para saltar com mais força. Até chispa!

Teresa Almeida Subtil.



domingo, 18 de julho de 2021

L sol de las froles



Solo para saber

La fala, la chama

I l oulor

De las froles

De la Toscana

Corri balhes, prainadas

Lhunas i airaçadas

 

I hoije  bien senti

La calor de las pessonas

I l carino

De ti

 

Tue ye l'arte sagrada

I las quelores de la palabra

I siempre miu

L sol de las froles.

 

Teresa Almeida Subtil




sexta-feira, 11 de junho de 2021

Por ali ...




Era dia de sedas estampadas
Vestidos,, laçarotes
Risadas, merendolas
E bailarotes

Lia-se a exuberância das papoilas em gritos
De liberdade
E nos minúsculos malmequeres a carícia
Que apetecia

A Ribeirica luzia espelhos de água e morria
De saudade

Eram verdes e avulsos os poemas
Translúcidas as folhas, as flores e as borboletas

A pardalada carpia amores
E a brisa tocava-me a pele como se fora
Melodia morna e atemporal

Mesmo ali
Bordei nos ombros
Ramalhetes de emoção
E no meu peito
A tua mão

Teresa Almeida Subtil 









sábado, 29 de maio de 2021

Quanto menos podemos mais queremos …


 

O café sabe-me pela vida

Só tomo um por dia

Uma ninharia.

Se forem dois a noite é mal dormida

Ou mesmo em claro.

O café muda a minha forma de viver

E se juntarmos o prazer de te encontrar

Julgo que estou no céu ou para lá dele

Ninharias, dizes tu e digo eu.

 

Hoje senti falta de um café. Tanto!

E pensei: ora essa! Vou tomar!

A alegria veio da cápsula que deixei por ali

E a saborosa bebida faltava-me, afinal.


O corpo disse a urgência

Vício que assumo e sofro

Sempre que o desejo aniquilo.

Ninharias, dizes tu e digo eu.

 

Mas contar a quem me quer

Não é o café (o meu até é fraco)

É partilhar, é sentir a amizade

E rir de uma banalidade.



Teresa Almeida Subtil






  

 

Cativa-me