quinta-feira, 6 de dezembro de 2018

Do Éden oriundo


Nem lagos, nem gelos
Nem ruínas, nem castelos
Nem pináculos de catedrais…

São ínfimas as gotas que encobrem o dia
E ébrios os sonhos que desabrocham
Suculentos frutos vermelhos

E Dezembro fecunda a palavra
No ventre do medronheiro
Do Éden oriundo.

Só pode ser sagrada, a palavra
A crescer em cada verso
Que ao fogo sobrevive.

Teresa Almeida Subtil





terça-feira, 27 de novembro de 2018

Tons

Cheguei de lides literárias onde me senti em casa. Partilhei o meu rio, o nosso rio – poeticamente - e desfrutámos os seus remansos e sobressaltos, suas margens de picões e vinhedos e a vida que a corrente provoca. Passei pelo Porto, como quem faz escala numa cidade de íntimas melodias. Desta vez até me aventurei pelo metro cujo trilho é o mesmo que percorri antes de acrescentar vida à minha própria vida.
Finalmente em casa e, depois de múltiplas atividades, lancei um olhar demorado à cor das hortênsias, agora arrepiadas e engalanadas pelo outono - minha estação inspiradora. Pertence-lhe a missão de dar as boas-vidas a quem entra e a quem passa. Os sorrisos de agradecimento, por via de regra, não se fazem esperar.
Fiz-me então ao almoço. (Que comemos hoje? O que houver por aí!) Num triz, estava na mesa um cozido mirandês e André Rieu como acompanhamento musical. O acompanhamento não foi da minha lavra e a bebida também não, mas estavam os ingredientes todos.
Tão natural como a sede, surgiu o apetite de escrever. Restava apenas a garrafa e André Rieu que tinha prometido ficar. É por isso que o vou ver pessoalmente à capital E eu que já não ia a Lisboa há tanto tempo! Valeu a pena esperar.
Reparei, e bem, que ainda havia um resquício de Douro na mesa. Brindemos!

Teresa Almeida Subtil


segunda-feira, 19 de novembro de 2018

Senti-me em casa.


Na verdade, o meu "Rio de Infinitos/ Riu d'Anfenitos" teve o acolhimento caloroso de amigos amantes de poesia. Transmontanos e não só. E os momentos que vivi na Casa de Trás-os-Montes e Alto - Douro, em Lisboa, ficarão guardados no lugar dos meus tesouros. 
Celebrou-se a poesia e a amizade.




terça-feira, 13 de novembro de 2018

Convite

É já na próxima quinta-feira  (15/11 - pelas 18h) que, a convite da Casa de Trás-os-Montes e Alto-Douro, será feita uma sessão de apresentação do meu livro "Rio de Infinitos / Riu d'Anfenitos".




A apresentação será feita pela Drª Adelaide Monteiro.

No final será servido um "Douro de Honra" com a actuação do grupo musical "Os Maranus"


Uma honra será, também, a presença e o abraço dos amigos.


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Casa de Trás-os-Montes e Alto Douro
Campo Pequeno, 50 - 3º Esq.1000-081 Lisboa

sexta-feira, 9 de novembro de 2018

Se vieres ...




Lança-me nos ombros um xaile de seda das índias
E o abalo de especiarias de Bombaim,
Tozeur ou de Fez. E chá de menta e amendoim.
Toca, toca-me a pele numa melodia andina.
E da Argentina guarda-me o arrepio do tango.

Da vertigem de Iguaçu faz-me verso-aventura
E exalta a rima que se esconde na magia
Das chaminés de fada.
Veste-me a saia mexicana bordada e comprida
Que faz do armário a 5ª avenida. Eleva-me
Na escadaria de Chichinitza e que o sol
Serpenteie a palavra.

Despe-me em Copacabana,
Capri ou Palma querida. Traz a iguana amiga
e as tulipas da Holanda. De Paris
Entrecruza a arte de rua e desce
Ao sabor de crepes e abraços.

Mete o Sena, o Tamisa, o Reno e os Fiordes
Na mesma estrofe. Traz-me terras de fogo
E os vulcões de Lanzarote,
E as cores macias das hortênsias dos Açores.

Se vieres …
Apanha um barco à deriva no Douro
Escala as arribas, dedilha um socalco de Outono
E mata a sede nos lábios abertos das folhas
Que se tingem de abandono.

Teresa Almeida Subtil



domingo, 28 de outubro de 2018

O baú dos afetos / L baúl de ls carinos


O baú dos afetos

Pudesse eu voltar às palavras
acariciar pedaços de papel amarelecido,
desabafos, inquietações, questões,
liberdade expressa em dias de proibição,
rugas de um tempo presente na emoção.
Pudesse eu voltar a sentir
o amor dos primeiros traços, florir
em pequeninos ramos de candura,
tocar o verde trevo de 4 folhas,
pura exaltação, páginas redondas,
perfumes de breve caminho.

Pudesse eu acariciar missivas apaixonadas,
as primeiras, gostadas e sem retribuição.
Cada letra era um mapa, um cartão de identidade,
corações a rebentarem nas pintas dos is,
impressões da idade, aqui e ali.
Pudesse eu não sentir esta dor fina
este vazio dos temas, das conversas
e, sobretudo, o pulsar da adolescência
expressa em aprimorada ortografia.
Pudesse eu abrir as cores em que a sentia,
cheirar palavras amedrontadas
perdidas num baú de afetos.
Pudesse eu folhear o meu primeiro livro,
sacrário esvaziado, silente perplexidade,
melodia viva, saudade, memória perdida.





L baúl de ls carinos

Pudisse you tornar a las palabras,
fazer festicas a cachicos de papel amarelhecido,
zabafos, anquietaçones, questones,
lhiberdade screbida an dies de proibiçon,
angúrrias dun tiempo persente na eimoçon.
Pudisse you tornar a sentir
l amor de ls purmeiros traços, florir
an pequerricos galhos de candura,
tocar l berde trebo de quatro fuolhas,
pura eisaltaçon, páiginas redondas,
prefumes de brebe camino.


Pudisse you acarinar missibas apaixonadas,
las purmeiras, gustadas i sien tornas.
Cada lhetra era un mapa, un carton d'eidentidade,
coraçones a rebentáren nas pintas de ls is,
ampressones de l'eidade, eiqui i eilhi.
Pudisse you nun sentir este delor fino
este baziu de ls temas, de las sinagogas
i, subretodo, l pulsar de l'adolescéncia
spressa an aprimorada ourtografie.
Pudisse you abrir ls quelores an que la sentie,
cheirar palabras amedruncadas
perdidas nun baúl de carinos.
Pudisse you folhear l miu purmeiro lhibro,
sacrairo uoco, calhado spanto,
melodie biba, soudade, mimória perdida.


Teresa Almeida Subtil

(In Rio de Infinitos/Riu d'Anfenitos)

terça-feira, 16 de outubro de 2018

HORA DA POESIA

Marcha da Hora de Poesia: https://www.youtube.com/watch?v=jOlKzv8qZQo


TERESA SUBTIL será a nossa próxima convidada de A HORA DA POESIA...
Os seus poemas são torrenciais, próprios de uma alma febril, próprios de quem escreve com os 5 sentidos em alerta!!
Conceição Lima

Do Éden oriundo