domingo, 18 de julho de 2021

L sol de las froles



Solo para saber

La fala, la chama

I l oulor

De las froles

De la Toscana

Corri balhes, prainadas

Lhunas i airaçadas

 

I hoije  bien senti

La calor de las pessonas

I l carino

De ti

 

Tue ye l'arte sagrada

I las quelores de la palabra

I siempre miu

L sol de las froles.

 

Teresa Almeida Subtil




sexta-feira, 11 de junho de 2021

Por ali ...




Era dia de sedas estampadas
Vestidos,, laçarotes
Risadas, merendolas
E bailarotes

Lia-se a exuberância das papoilas em gritos
De liberdade
E nos minúsculos malmequeres a carícia
Que apetecia

A Ribeirica luzia espelhos de água e morria
De saudade

Eram verdes e avulsos os poemas
Translúcidas as folhas, as flores e as borboletas

A pardalada carpia amores
E a brisa tocava-me a pele como se fora
Melodia morna e atemporal

Mesmo ali
Bordei nos ombros
Ramalhetes de emoção
E no meu peito
A tua mão

Teresa Almeida Subtil 









sábado, 29 de maio de 2021

Quanto menos podemos mais queremos …


 

O café sabe-me pela vida

Só tomo um por dia

Uma ninharia.

Se forem dois a noite é mal dormida

Ou mesmo em claro.

O café muda a minha forma de viver

E se juntarmos o prazer de te encontrar

Julgo que estou no céu ou para lá dele

Ninharias, dizes tu e digo eu.

 

Hoje senti falta de um café. Tanto!

E pensei: ora essa! Vou tomar!

A alegria veio da cápsula que deixei por ali

E a saborosa bebida faltava-me, afinal.


O corpo disse a urgência

Vício que assumo e sofro

Sempre que o desejo aniquilo.

Ninharias, dizes tu e digo eu.

 

Mas contar a quem me quer

Não é o café (o meu até é fraco)

É partilhar, é sentir a amizade

E rir de uma banalidade.



Teresa Almeida Subtil






  

 

quarta-feira, 19 de maio de 2021

Um poema na vila

Amigos,

A nossa próxima sessão de poesia está aí, envolta e perfumada por flores, é Maio!

arte poética em Língua Mirandesa é o tema desta sessão, em linha, a 23 de Maio de 2021, às 17h, Portugal, 13h, Brasil.


Senha: arte poética em Língua Mirandesa

Entrar na sessão às 16,45h, Portugal, 12,45h, Brasil.

Contamos consigo.

Um beijo,

Ana Freitas


Este é um convite que dirijo aos meus amigos.
Terei um enorme prazer em voar, acompanhada, de Miranda do Douro a Coruche.
Ls mius amigos quédan cumbidados.
Bamos alhá!

Teresa Almeida Subtil

 

domingo, 16 de maio de 2021

Diz-me ...




 Diz-me que vieste primeiro

Que a madrugada que trago

E mais veloz que o pensamento

Que te persegue.

Diz-me que derrapaste no sonho

E vieste na bruma da ansiedade.

Diz-me que inventaste a melodia

Ou que ajustaste o desejo

À rebeldia

Dos botões de Maio.

 

Diz-me que há pardais sem idade

Que voam até perderem

Os picões, os ribeiros e as cachoeiras.

Diz-me que teus lábios trazem

Palavras feiticeiras

O mel das arribas

E o braseiro da tarde.

Diz-me …


Teresa Almeida subtil


quinta-feira, 29 de abril de 2021

ALELUIA!


Exposição de arte sacra.
Uma mostra da expressão artística, de
Jose Miranda
, está patente na Loja-Museu da Ramirez, de 6 a 30 de Maio. Recomendo.
Aleluia é um tema que apetece cantar todos os dias.








Foi um enorme prazer visitar a primeira exposição de Jose Miranda na Loja-Museu do seu local de trabalho. E foi emocionante ter o autor como guia, perceber o que o move e sentir-lhe a vibração do traço e do percurso.
Não posso deixar de me sentir honrada por ver um poema meu a acompanhar o tema.










segunda-feira, 19 de abril de 2021

Gineceus de poesia


 

Teus olhos

Pétalas molhadas

Desfolhadas nos olhos meus

 

Claras madrugadas

A despertar nas margens do dia

Maviosos gineceus de poesia

 

Páscoas de aleluia

Estilhaços de vida

Traçados em meu rosto

 

Lilases dançando

E sinos tocando

Melodia que ouço

 

Miúdas pétalas do chão

Poemas que escreves

Em minha mão.

 

Teresa Almeida Subtil




sexta-feira, 2 de abril de 2021

Poema de linho/Poema de lhino

 

Poema de linho

 

É de linho, dizes tu,

entranhando na palavra qualidade,

palavra, brilho sedutor

de quem tem algo de verdade!

Sentes-lhe ainda o toque e a melodia, 

não escondes a vontade de partilhar o tesouro,

a alegria que realmente te invade.

Uma peça, corolário de emoções

vividas, habilidosamente, no tear.

 

Na toalha que me deste,

sobressai ainda um fio de emoção,

sobressai a textura, a cor

e o perfume do ribeiro,

amor que me veste.

E se alguém disser que é de linho

 vai dar-lhe outro valor

porque à ideia vem o calor

e a riqueza da terra mãe.

 

Ah! E a camisa que o pai vestia

aquela elegância de quem passeia no olhar

a dureza e a utilidade do trabalho.

Linho, bragal do teu altar,

lençol bordado em oração,

luar, presença, convicção, encontro. 

O xergão de palha durava a vida inteira

era de linho, dizes tu!

 

No serão de arte feita a preceito

não faltava o esmero, o jeito

e a escola de geração em geração.

Este chambre é de linho, dizes tu, e veio do baú da avó

e não só o elevas ao mundo dos afetos

como o queres gravar no coração dos teus netos.

 

Lembras-te do teu quarto?

Sim, aquela cortina com a renda larga,

cobiçada sem pudores? Velava o sacrário!

Sim, aquela que guardaste porque o sol a queimava

e porque a saudade te magoava.

 

Ah! E a blusa que ajustava o teu corpo esbelto,

aquela com que tanto bailaste!

Era de linho, dizes tu, mãe querida!

Um poema nascido no interior da terra

batido pelo  sol da eira,

um poema de verdade.

Um poema de fazer amor sem medida.

Com o olhar inteiro e nu,

impregnando na palavra a qualidade,

é de linho, dizes tu!

é de linho, dizes tu!

 ...

Poema de lhino

 

Ye de lhino, dizes tu,

agarrando na palabra culidade,

palabra, relhampar sedutor

de quien ten algo de berdade!

Sintes-le inda l toque i la melodie, 

nun scondes la gana de partelhar l tesouro,

l'alegrie que rialmente t'ambade.

Ua pieça, rosairo d'eimoçones

buídas, halblidosamente, ne l telar.

 

Na toalha que me deste,

subressal inda un filo d'eimoçon,

subressal la testura, la quelor

i l prefume de l rigueiro,

amor que me biste.

I se alguien dezir que ye de lhino

bai a dar-le outro balor

porque a l'eideia ben la calor

i la riqueza de la tierra mai.

 

Ah! I la camisa que pai bestie

aqueilha eilegáncia de quien passeia ne l mirar

la dureza i l'outlidade de l trabalho.

Lhino, bragal de l tou altar,

lhençol bordado an ouraçon,

lhuna, perséncia, certeza, ancuontro. 

L xergon de palha duraba la bida anteira

era de lhino, dizes tu!

 

Ne l serano d'arte feita a modo

nun faltaba l smero, l jeito

i la scuola de geraçon an geraçon.

Este xambre ye de lhino, dizes tu, i bieno de l baú d'abó

i nun só l chubes al mundo de ls carinos

cumo l quieres grabar ne l coraçon de ls tous nietos.

 

Lhembras-te de l tou quarto?

Si, aqueilha cortina cula renda ancha,

cobiçada sien  scrúpalos? Belaba l sacrairo!

Si, aqueilha que guardeste porque l sol la queimaba

i porque la soudade te ferie.

 

Ah! I l chambre que s´ajustaba al tou cuorpo spigado

aquel cun que tanto beileste!

Era de lhino, dizes tu, mai querida!

Un poema nacido ne l seno de la tierra

batido pul  sol de las eiras,

un poema de berdade

Un poema de fazer amor a la ringalheira.

Cul mirar anteiro i znudo,

agarrando na palabra la culidade,

ye de lhino, dizes tu!

Ye de lhino, dizes tu!


Teresa Almeida Subtil

(in rio de Infinitos/Riu d'Anfenitos)



FELIZ PÁSCOA, QUERIDOS AMIGOS!




quarta-feira, 17 de março de 2021

Proximidade

Dizem-te japonesa

Mas porque muito te quisemos

Organizaste o teu canto

Escolheste o encanto e a proximidade

E de estrangeira

Passaste a rosa de inverno

És agora mirandesa

E que bem me sabe um café

À tua beira

E sentir esse sabor africano

A energia e o calor

Que corre dentro duma flor

No sangue dum repasseado

Ou no culto

De um cante alentejano.


Teresa Almeida Subtil







sábado, 6 de março de 2021

Já é dia|



Chegou a hora de abrir o azul de Março
E expor anúncios de primavera
A rebeldia da terra já cansada
A coragem e a galhardia
Está na hora
Já é dia!

Chegou a hora de esgalhar a árvore
Que do reino se fez grito
Libertar a ave e a flor
Presas em canto aflito.

Ergue agora a tua voz
Espontânea e selvagem
Desinstala a monotonia
Ressuscita a paisagem
Já é dia!


Teresa Almeida Subtil









domingo, 21 de fevereiro de 2021

Leva-me ao rio!

 



Em campos alagados canta o rio

Riacho que seja

E como é alegre e vivo o seu leito

E o jeito de amar

A pedra que o sobressalta

E o faz cachoeira.


E nós seguimos a rodeira da vida

De pés molhadas e alma florida

E lado a lado

Cada passo é um louvor.


Leva-me ao rio, meu amor! 


Teresa Almeida Subtil




sábado, 13 de fevereiro de 2021

A garra e a ternura

  

É o empenho e o valor da vida

Que te levanta o ânimo

E te motiva.

É arte e missão da tua escolha.

 

Querias vencer, foste à frente

Deste luta

Foste chama e coragem

E quase cortavas a meta.

 

Mas o inimigo atraiçoa, sem hora de chegada

E tu arregaças as mangas

Vaga-lume do mistério

E entre tensão e desvelo

Andas que desandas.

 

Entristeces

Entristeço-me

Temos fome desbragada de beijos e abraços

E ainda que dispersos, suspensos

Nos braços da loucura e da guerra

Pressinto-te a garra

E a ternura.


Teresa Almeida Subtil

 

terça-feira, 2 de fevereiro de 2021

Enviei-te flores do campo


Enviei-te flores do campo

Da frescura da minha terra

Sente a vida à tua espera

Sem dor e sem clausura

Foge poeta

E em cada fuga

Segura a aurora e teu mirar

De horizonte.

 

Volta ao mar, ao rio e à fonte.

Segue o fio da inspiração.

E ainda que sofrido e magoado, volta!

Volta e colhe serenidade

Entre a agitação.

 

Volta ao ninho

E à ousadia do caminho.

Convoca as estrelas.

E do universo a harmonia.

 

É tempo de pandemia aguda.

E de espanto em espanto

Enviei-te flores do campo

Agrestes e miúdas.

 

Ainda que fustigadas ao vento e à chuva

Crescem e resplandecem

Em mãos de ternura.

 

Teresa Almeida Subtil










 

L sol de las froles