O poema só nasce onde quer
Como um pé de fiolho,
é pura emoção selvagem ...

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Queda outonal



enlaço-me num emaranhado de folhas outonais

as mais belas

cachos de uvas reluzem ressequidas entre elas

a parreira que plantaste enroscou-se na grade do tempo

ferral de rosa -  as minhas uvas preferidas

não chegámos a colhê-las

sabes como gosto de as debicar como se fosse um pardal

mas deixo o cacho sempre elegante

as rosas, a jusante, regressam em fogo outonal

 

não esqueço o sofrimento à solta no hospital

nem os beijos que te levei e os que te darei

não esqueço o teu rosto comprimido

nem a queda do alto figueira do quintal

nem o pavor no meu peito sem abrigo

não esqueço este Setembro que se verte

na doçura dos figos que quiseste oferecer

sobe-se por amor e desce-se no espanto da dor

a vida é bela e traiçoeira, meu amor.

22-09.2013